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Entidades denunciam mineradora por extração com impedimento judicial

ResumoA Sigma Mineração foi denunciada ao Ministério Público Federal por manter extração de lítio na Cava Norte, no Complexo Grota do Cirilo, em Itinga e Araçuaí (MG), apesar de decisão da Justiça Federal determinar a paralisação total das atividades. A notícia-crime foi protocolada por entidades que apontam descumprimento da ordem judicial pela mineradora.

Notícia-crime protocolada no MPF aponta que a Sigma Mineração seguiria extraindo na Cava Norte, no Complexo Grota do Cirilo, em Itinga e Araçuaí, mesmo após a Justiça Federal determinar a paralisação total das atividades.

Inácio Bicalho
Inácio Bicalho Repórter de Interior e Agro · 17 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Entidades denunciam mineradora por extração com impedimento judicial

Entidades do movimento social e deputadas federais protocolaram, nesta terça-feira (15/9), uma notícia-crime junto ao Ministério Público Federal contra a Sigma Mineração. Segundo o documento, a empresa seguiria operando na Cava Norte, no Complexo Grota do Cirilo, entre Itinga e Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, mesmo após decisão da Justiça Federal que determinou a paralisação total das atividades extrativistas. A ação é assinada pelo Projeto Manuelzão, da UFMG, pela Associação Coletivo Margarida Alves e pela Federação das Comunidades Quilombolas de Minas Gerais (N'Golo), junto com as deputadas Célia Xakriabá e Duda Salabert (PSOL).

O que diz a denúncia

O documento reúne registros fotográficos feitos por moradores entre os dias 11 e 13, que mostram máquinas em atividade na lavra. Também inclui uma mensagem de WhatsApp da própria empresa, de 9 de setembro, anunciando desmonte na Cava Sul para o dia seguinte, e uma publicação no Instagram da Sigma afirmando que as operações prosseguiam. Para as entidades, se confirmadas, as atividades configurariam possível prática continuada de crimes ambientais e descumprimento de ordem judicial.

A notícia-crime pede apuração dos artigos 55 e 60 da Lei de Crimes Ambientais, que tratam de lavra e funcionamento de atividade potencialmente poluidora sem licença eficaz, e do artigo 330 do Código Penal, que prevê desobediência. O texto também solicita diligência presencial no complexo minerário, preferencialmente sem aviso prévio à empresa. A reportagem do Estado de Minas procurou a Sigma Mineração e aguarda retorno; o espaço segue aberto.

De onde vem a decisão

A Vara Federal de Teófilo Otoni determinou, em 4 de setembro, a suspensão das licenças ambientais do Projeto Grota do Cirilo e a paralisação da lavra até que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) aprove o retorno da atividade. A decisão foi assinada pelo juiz federal Antônio Lúcio Túlio de Oliveira Barbosa. Em caso de descumprimento, a multa por ato cometido pode chegar a R$ 100 mil.

O empreendimento fica a aproximadamente 2,7 a 3 quilômetros do limite do território tradicional da Comunidade Quilombola do Baú, em Araçuaí. A Portaria Interministerial nº 60/2015 define raio de proteção de 8 quilômetros para mineração fora da Amazônia Legal. Por estar dentro desse perímetro, a legislação exige Estudo do Componente Quilombola (ECQ), Plano Básico Ambiental Quilombola (PBAQ) e Consulta Livre, Prévia, Informada e de Boa-Fé (CLPI) com a comunidade, sob supervisão do Incra.

Na decisão, consta que a extração contínua de recursos, o uso de explosivos e as movimentações de terras a poucos quilômetros da comunidade vinham gerando lesões "cumulativas e crônicas" à integridade sociocultural e física do quilombo, o que justificaria a urgência da paralisação.

O que pesa no cotidiano

Para quem vive no Jequitinhonha, a discussão não é abstrata. O avanço da lavra mexe com água, poeira e caminhões na estrada, e o quilombo do Baú pede que a consulta prevista em lei aconteça antes de qualquer retomada. A comunidade aguarda que o MPF se manifeste sobre a diligência pedida e que a Justiça Federal confirme se a ordem de paralisação está sendo cumprida na prática.

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