Como a vida de suspeita de tiroteio contra Rihanna se desfez
Ivanna Ortiz, 36 anos, é acusada de disparar contra a casa de Rihanna em Los Angeles. Ex-amigos relatam uma mulher que mudou após acidente de carro e perda da guarda da filha. O caso expõe como a saúde mental pode se deteriorar sem apoio.
Ivanna Ortiz, 36 anos, é acusada de tentar matar Rihanna. Em março, segundo a polícia, ela dirigiu até a casa da cantora em Los Angeles, onde Rihanna e o rapper A$AP Rocky estavam em um trailer Airstream na entrada da residência. Ortiz pegou um rifle AR-15 carregado e disparou pelo menos dez vezes contra o portão da frente, de acordo com o relatório policial. Ninguém ficou ferido.
Ortiz está detida em Los Angeles há seis meses. Ela passa por avaliações de saúde mental para determinar se tem condições de ser julgada pelas acusações de tentativa de homicídio, agressão com arma semiautomática e disparos contra residência ocupada. O processo foi adiado várias vezes. Ortiz se declarou inocente. Seu advogado, do Escritório do Defensor Público do Condado de Los Angeles, não respondeu aos pedidos de comentário.
Quem era Ivanna Ortiz antes do tiroteio
Amigos e parentes descrevem uma mulher que cantava no coral da igreja, trabalhava como fonoaudióloga e administrava sua própria clínica, a Orlando Speech Clinic. "Em qualquer lugar que ela fosse, sempre colocava um sorriso no seu rosto", disse Jennifer Oxendine, amiga de Ortiz no fim dos anos 2000. "Ela simplesmente fazia você sentir que tudo ficaria bem."
Ortiz passou a adolescência na Flórida e frequentava a Lighthouse Church. Gostava de música cristã, como TobyMac e Israel Houghton. Tinha o sonho de se tornar cantora cristã em turnê. Em 2014, deu à luz uma menina. A maternidade parecia ser motivo de orgulho. Mas o casamento com Jed Nikko Sangalang terminou em divórcio em 2017, e Ortiz enfrentou a perda da guarda da filha.
O que mudou na vida de Ortiz
Por volta de 2021, as coisas pareceram mudar. Naquele setembro, ela ficou ferida quando o Mercedes-Benz que dirigia bateu em uma árvore e atingiu a varanda de uma casa em St. Cloud. Ela foi considerada responsável, mas alegou ter sofrido um episódio médico antes da colisão, segundo Andrew Sullivan, porta-voz do Departamento de Polícia de St. Cloud. Por isso, foi autuada por direção negligente.
Nos anos seguintes, Ortiz se envolveu em pelo menos outros dois acidentes graves. Depois de um deles, em 2023, Sangalang disse que a família dela acreditava que ela estava "sofrendo um colapso mental". Em 2024, ela sofreu ferimentos após seu carro ser atingido por um ônibus. Em 2023, foi presa por agressão doméstica após discussão com Sangalang e, meses depois, por violar liberdade condicional. As acusações parecem ter sido retiradas depois.
Nos meses anteriores ao ataque, Ortiz demonstrava obsessão crescente por Rihanna. Uma conta no YouTube que aparenta ser dela publicou mais de cem vídeos lendo um diário de orações. Em pelo menos três, falava sobre Rihanna, dizendo que acreditava que a cantora queria "matá-la". Em janeiro, enviou e-mail ao ex-marido exigindo que ele "renunciasse" à cantora e "confessasse que eu sou melhor do que ela". O ataque aconteceu dois meses depois.
Quando interrogada, Ortiz ofereceu apenas um fragmento de explicação: "Gostaria de dizer que não estava tentando cometer um homicídio."
O que isso significa para famílias que enfrentam transtornos mentais
O caso de Ortiz expõe como a deterioração da saúde mental pode passar despercebida por anos. Após o acidente de 2021, a família se uniu para apoiá-la, com um parente compartilhando uma campanha no GoFundMe para ajudá-la a "se reerguer". Mesmo assim, os episódios se acumularam.
Para famílias que vivem situação parecida, a orientação é buscar apoio profissional antes que os sinais se agravem. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). O acesso pode ser feito diretamente na unidade de saúde mais próxima ou pelo Disque 188, do Centro de Valorização da Vida, que atende 24 horas.
A informação de saúde precisa ser checada. Não há solução milagrosa, mas há canais de acesso. Procurar ajuda cedo faz diferença.