# Trabalho noturno no campo dribla o calor extremo

> Produtores rurais no Japão e na Espanha adotaram o trabalho noturno para driblar o calor extremo, alimentando galinhas após a meia-noite e colhendo uvas às 3h da manhã. A mudança de rotina reduz a exposição às altas temperaturas diurnas, mas o turno da noite introduz riscos próprios, como fadiga, menor visibilidade e dificuldade de supervisão.

*Portal Notícias MG · Comunidade · 11 de setembro de 2026 · Marília Stefani*

Galinhas que comem após a meia-noite no Japão e uvas colhidas às 3h da manhã na Espanha. Produtores rurais mudaram rotinas para escapar do calor extremo, mas o turno da noite traz riscos próprios.

Em Moka, no Japão, as galinhas de uma fazenda fazem suas refeições depois da meia-noite. Elas perdem o apetite quando as temperaturas chegam a 35°C durante o dia. Para reduzir o estresse, o fazendeiro mudou os horários de alimentação depois de perder 500 animais por estresse térmico durante um verão intenso, em 2020.

A mesma lógica se repete em outros pontos do globo. Na cidade japonesa de Nikki, trabalhadores de outra fazenda colhem flores à noite para evitar o estresse térmico. Em El Bedorc, perto de Barcelona, na Espanha, um vinhedo colhe uvas às 3 da manhã, antes que as temperaturas diurnas ultrapassem os 40°C.

O que mudou

A alteração de horário deixa de ser escolha individual e vira resposta a um cenário climático. Países da Ásia à Europa vêm enfrentando ondas de calor severas, e o turno da noite aparece como saída prática para manter a produção sem expor trabalhadores e animais ao pico de temperatura.

No Japão, o fator demográfico pesa. Cerca de 70% dos agricultores têm mais de 65 anos, o que os torna mais vulneráveis ao calor. A faixa etária transforma a exposição térmica em risco de saúde, não apenas em desconforto.

Riscos do turno da noite

Trabalhar à noite traz seus próprios riscos, como baixa visibilidade. A adaptação resolve o problema do calor diurno, mas cria outro: a segurança de quem opera máquinas e colhe em ambiente escuro.

O caso de Moka, com a perda de 500 animais em 2020, mostra que a decisão do fazendeiro veio depois do prejuízo, não antes. A mudança de horário funcionou como resposta a um verão que já havia cobrado seu custo.

A discussão de política pública que emerge daí é como conciliar produtividade agrícola, proteção de trabalhadores idosos e segurança no turno noturno, sem transformar a adaptação climática em novo fator de risco ocupacional.

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/comunidade/como-trabalho-noturno-campo-virou-alternativa-driblar-calor/
