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Cantora de pagode gospel relembra 15 anos de vício no crack e como música a salvou das ruas em SP

ResumoA cantora de pagode gospel, ex-dependente química, passou 15 anos nas ruas de São Paulo viciada em crack, sofrendo preconceito e violência. A música serviu como ferramenta de superação e alerta sobre os riscos da dependência química, transformando a trajetória de vida da artista.

Ela passou 15 anos nas ruas de São Paulo, viciada em crack, alvo de preconceito e violência. Chamavam de lixo e cuspiam. Hoje, a cantora de pagode gospel usa a música para contar sua história de superação e alertar sobre os riscos da dependência química.

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 17 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Cantora de pagode gospel relembra 15 anos de vício no crack e como música a salvou das ruas em SP

Cantora de pagode gospel relembra 15 anos de vício no crack e como música a salvou das ruas em SP: 'Chamavam de lixo e cuspiam'

Ela passou 15 anos nas ruas de São Paulo, viciada em crack, alvo de preconceito e violência. Chamavam de lixo e cuspiam. Hoje, a cantora de pagode gospel usa a música para contar sua história de superação e alertar sobre os riscos da dependência química. A seguir, o relato em primeira pessoa, com dados de fontes oficiais sobre a realidade do crack no estado.

O relato da cantora: 15 anos de vício e preconceito

A cantora, que prefere não se identificar para preservar a família, conta que começou a usar crack aos 17 anos, na região da Cracolândia, no centro de São Paulo. "Fui morar na rua, perdi tudo. As pessoas passavam e me chamavam de lixo, cuspiam em mim. Eu achava que não tinha mais jeito", diz. Durante 15 anos, ela viveu em situação de rua, alternando entre abrigos e a própria calçada.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), a região da Cracolândia concentra um dos maiores índices de ocorrências de tráfico e uso de drogas do estado. A cantora afirma que testemunhou cenas de violência e morte, mas que a música gospel sempre foi uma válvula de escape.

O papel da música na recuperação

A cantora começou a cantar em igrejas e projetos sociais ainda durante o período de dependência. "Era a única hora que me sentia gente. A música me trazia de volta à vida", relembra. Ela participou de corais e grupos de pagode gospel em comunidades terapêuticas.

Dados do Ministério da Saúde indicam que a música e a arte são ferramentas utilizadas em programas de redução de danos e tratamento de dependência química no Brasil. A cantora credita à fé e à música a força para sair das ruas.

O contexto do crack em São Paulo

O crack é uma droga que afeta milhares de pessoas no estado. Segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), cerca de 1,5 milhão de brasileiros usaram crack ou similares pelo menos uma vez na vida. Em São Paulo, a Cracolândia é o epicentro do consumo e do tráfico.

A Prefeitura de São Paulo mantém programas de acolhimento e tratamento, como o "De Braços Abertos" e o "Redenção", que oferecem moradia e atendimento psicossocial. A cantora passou por um desses programas e hoje vive em uma casa alugada, sustentando-se com apresentações em igrejas.

Preconceito e estigma

A cantora relata que o preconceito foi um dos maiores desafios. "As pessoas olham para um dependente químico como se ele fosse um monstro. Mas a gente só precisa de uma chance", afirma. Ela lembra de episódios em que foi agredida verbal e fisicamente enquanto estava na rua.

Pesquisas da Fiocruz mostram que o estigma em relação a usuários de crack é um dos principais obstáculos para a reinserção social. A cantora diz que a música gospel ajudou a quebrar esse ciclo, mostrando que a recuperação é possível.

Como a fé e a música se entrelaçam

Para a cantora, a música gospel não é apenas um gênero, mas uma ferramenta de cura. "Quando canto, sinto que Deus está usando minha voz para tocar outras pessoas. Não é sobre fama, é sobre salvação", diz. Ela compõe letras que falam de superação e esperança, baseadas em sua própria história.

O pagode gospel, estilo que mescla ritmo de samba com letras cristãs, tem ganhado espaço no Brasil. A cantora se apresenta em igrejas e eventos, levando seu testemunho.

A realidade das ruas e a saída

A cantora destaca que sair das ruas foi um processo longo. "Não foi da noite para o dia. Precisei de tratamento, de apoio psicológico e de pessoas que acreditassem em mim", explica. Ela passou por comunidades terapêuticas e acompanhamento ambulatorial.

Dados da Secretaria de Desenvolvimento Social de São Paulo indicam que, em 2025, mais de 12 mil pessoas em situação de rua foram atendidas por programas de acolhimento na capital. A cantora é um exemplo de que o tratamento pode funcionar quando há suporte contínuo.

O papel da comunidade e da igreja

A cantora credita à igreja e à comunidade o apoio fundamental. "A igreja me acolheu quando ninguém mais queria me ver. Eles me deram um microfone e uma chance", diz. Ela participa de projetos sociais que levam música e acolhimento a dependentes químicos.

Em 2024, a cantora lançou um single autoral, que narra sua trajetória. A música tem sido usada em campanhas de prevenção ao uso de drogas em escolas e igrejas.

Perguntas Frequentes

Qual é o nome da cantora de pagode gospel?

A cantora prefere não se identificar publicamente para preservar sua privacidade e de sua família. Ela se apresenta em igrejas e eventos, mas não divulga o nome completo.

Onde ela morava durante o vício?

Ela morou nas ruas da região da Cracolândia, no centro de São Paulo, e em abrigos públicos.

Como a música a ajudou a sair das ruas?

A música gospel deu a ela um propósito e uma forma de expressão. Ela começou a cantar em igrejas e projetos sociais, o que a ajudou a se reconectar com a vida e a buscar tratamento.

O que ela canta hoje?

Ela canta pagode gospel, um estilo que mescla samba com letras cristãs. Suas composições falam de superação, fé e esperança.

Onde posso ouvir a música dela?

O single autoral está disponível em plataformas digitais como Spotify e YouTube. A cantora também se apresenta ao vivo em igrejas e eventos da capital paulista.

Como ajudar dependentes químicos?

É possível contribuir com organizações como a Pastoral do Povo de Rua e programas municipais de acolhimento. Doações de alimentos, roupas e apoio financeiro a projetos sociais também são bem-vindos.

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