Comunidade

Brasileiro é deportado de Portugal e descobre pedido aceito

ResumoKauê Matos, de 19 anos, foi deportado de Portugal em razão da demora na regularização migratória dos pais. Ao desembarcar no Brasil, o jovem descobriu que o pedido de permanência havia sido aceito pelas autoridades portuguesas. A decisão chegou após a deportação, evidenciando falha no processo migratório. O caso expõe inconsistências burocráticas entre os sistemas de imigração.

Kauê Matos, de 19 anos, foi deportado de Portugal após a demora na regularização migratória dos pais. Ao desembarcar no Brasil, descobriu que o processo que permitiria sua permanência havia sido aceito. Entenda o caso.

Daniele Xavier
Daniele Xavier Repórter de Cidades · 07 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Brasileiro é deportado de Portugal e descobre pedido aceito

O brasileiro Kauê Matos, de 19 anos, foi deportado de Portugal depois de enfrentar uma demora de dois anos na regularização migratória dos pais. Ao chegar ao Brasil, descobriu que o pedido para permanecer no país havia sido aceito. O caso foi revelado em entrevista ao g1.

Na época em que chegou a Portugal, em 2024, Kauê tinha 17 anos e não conseguiu solicitar autorização para viver no país pelo reagrupamento familiar, pois o processo de "manifestação de interesse" dos pais, que deveria levar 90 dias, levou dois anos. Com a demora, ele atingiu a maioridade e o pedido de agrupamento familiar deixou de ser uma opção.

Segundo o advogado do caso, Renato Teixeira, a alternativa era solicitar uma autorização de residência de estudante, já que Kauê cursa o ensino médio em Portugal. No entanto, o formulário necessário não estava acessível no site da AIMA, e o contato por telefone era difícil. "Você faz centenas e centenas de ligações, fica às vezes cinco horas tentando ligar para a Aima e ninguém atende o telefone", afirmou.

A família não tinha condições financeiras para ingressar na Justiça, e Kauê acabou detido no aeroporto de Lisboa ao voltar de um intercâmbio na Irlanda. Durante quatro dias, ficou em uma sala com outros imigrantes, sem poder tomar banho, e só viu a mãe depois de dois dias. Ele descreveu o local como "extremamente sujo", com camas parecidas com macas de hospital.

Na última noite, pouco antes das 23h, agentes de imigração o chamaram para a deportação. Seu celular e passaporte foram recolhidos, e ele só teve acesso aos itens após desembarcar em Guarulhos. A família não foi informada oficialmente sobre a deportação, e Kauê só foi localizado porque um professor identificou a aeronave e avisou parentes no Brasil.

Ao chegar ao Brasil, Kauê recebeu a notícia de que o processo que permitiria sua permanência em Portugal havia sido aceito. "Eu fico extremamente revoltado porque ninguém avisou os meus pais que eu estava sendo deportado", disse. O advogado Renato Teixeira estuda agora uma maneira de conseguir um visto para Kauê, já que as aulas recomeçam na segunda metade de setembro.

Em nota, a AIMA afirmou que os pedidos de nacionalidade não são de sua responsabilidade, e que o controle fronteiriço é da Polícia de Segurança Pública (PSP). O Instituto dos Registos e do Notariado e a PSP foram procurados, mas não responderam até a publicação da reportagem.

// Leia também

Publicidade