Portal Notícias MG 🔍
Portal Notícias MG
Editorias
Institucional
Comunidade

Árvores na saúde mental: proteger a natureza cura

Estamos no mês da campanha Setembro Amarelo, e a pauta que nos chega de Mariana mistura duas urgências que costumam andar separadas: saúde mental e preservação das árvores. O ponto de partida é simples e direto: onde há árvores, há menos adoecimento mental.

Proteger árvores é ação de saúde mental. As árvores prestam serviços regulatórios ao ciclo hidrológico e biogeoquímico, ajudando a preservar nascentes, o clima e as chuvas. Somam a isso o chamado suporte cultural: a presença de áreas verdes reduz o adoecimento, e a degradação ambiental é tratada como questão de saúde pública. Plantar e manter árvores existentes deixa de ser gesto paisagístico e passa a ser política de cuidado.

O caso de Mariana ajuda a medir o tamanho do problema. Árvores centenárias, como a que fica em frente ao posto de saúde de Passagem ou a famosa Gameleira na entrada do São Pedro, integram o cotidiano de quem mora ali. As gameleiras, aliás, costumam ultrapassar 300 anos. Não podemos vê-las cortadas para passar fios: que os fios desviem delas. A reportagem original registra ainda que a poda da Gameleira foi grosseira, assim como a de outras árvores no município, com casas avançando sobre a vegetação.

A árvore centenária podada para passar fios em frente à Banda São Sebastião, em Passagem de Mariana, deixa uma sensação de ausência de copa. Vem a lembrança de quando era frondosa, bonita. É esse contraste que sustenta o pedido central: que a Câmara de Mariana crie uma lei para proteger essas árvores de corte e mutilação.

No Setembro Amarelo, mês de prevenção de doenças psicossomáticas, uma ação concreta seria Mariana ter uma política pública para gestão de suas árvores, principalmente as centenárias, que já fazem parte da memória afetiva da cidade. Uma cidade que se preocupa com a qualidade de vida de seus habitantes também se preocupa com o paisagismo e o meio ambiente.

Minas se conta pela cultura, e cada cidade histórica guarda um mestre. Aqui, o mestre é a árvore que atravessou séculos em pé. Acompanhar as sessões da Câmara de Mariana e cobrar a pauta arbórea é um jeito de participar: quando a próxima poda for anunciada, que a cidade já tenha lei para dizer não.

Vânia Drummond
Repórter de Cultura Mineira
De Ouro Preto, cobre cultura e patrimônio de Minas, do barroco ao festival de inverno com olhar afetivo.
Ver todos os artigos →