# Árbitro deixa jogo do Paulista sub-15 após racismo

> O árbitro Marcos Roberto de Jesus Nunes abandonou a partida entre Votoraty e Referência, pelo Campeonato Paulista sub-15, após ser alvo de ofensa racial. O agressor, identificado no estádio, foi autuado por racismo. O episódio interrompeu o confronto e gerou registro oficial, reforçando a gravidade da conduta discriminatória no futebol de base.

*Portal Notícias MG · Comunidade · 03 de agosto de 2026 · Sérgio Tadeu Mafra*

O árbitro Marcos Roberto de Jesus Nunes deixou a partida entre Votoraty e Referência, pelo Paulista sub-15, após ser chamado de 'Macaco'. O agressor foi identificado e autuado por racismo.

## Após ser alvo de racismo, árbitro deixa partida do Paulista sub-15

O árbitro Marcos Roberto de Jesus Nunes abandonou a partida entre Votoraty e Referência, realizada no sábado (1), pelo Campeonato Paulista sub-15, após ser alvo de ofensas racistas. O caso aconteceu no Estádio Domênico Paolo Metidieri, em Votorantim, e terminou com o agressor autuado pela Polícia Militar.

## O que aconteceu durante a partida?

Marcos foi informado das ofensas no final do primeiro tempo. A delegada da partida relatou que ele foi chamado de "Macaco" por um torcedor. Na volta para a segunda etapa, o árbitro acionou o protocolo antirracismo, deixou o jogo e seguiu para a delegacia mais próxima para prestar queixa.

Torcedores próximos confirmaram as ofensas e acionaram a Polícia Militar, que levou o agressor para a delegacia. O indivíduo, que não teve a identidade revelada, foi autuado pelo crime de racismo e pode pegar de dois a cinco anos de prisão. Ele responderá em liberdade.

## O que dizem Votoraty e a Federação Paulista?

O Votoraty, time da casa, publicou nota afirmando que "não compactua, em hipótese alguma, com atitudes que atentem contra a dignidade, o respeito e os valores de vida que o esporte também deve promover". O clube disse que prestou apoio ao árbitro e está à disposição para colaborar com a apuração.

A Federação Paulista de Futebol repudiou o caso, disse acompanhar a apuração e afirmou que "não compactua com qualquer forma de racismo, homofobia, discriminação ou violência e seguirá trabalhando para que o futebol paulista seja um ambiente de respeito e inclusão".

## Como o árbitro reagiu?

Em texto publicado nas redes sociais, Marcos falou da dor e da tristeza de ver casos ocorrerem com outras pessoas. "A sensação de impotência é tão grande que te faz chorar. Hoje, ainda dentro do vestiário, cheguei a agradecer a Deus por não ter um filho, só para saber que ele não passaria por uma situação tão horrível quanto essa", declarou.

O árbitro disse se sentir impotente e afirmou que "sentir na pele é devastador". A declaração expõe o impacto emocional que episódios de racismo causam em quem vive a situação dentro de campo.

## Segundo caso em dois dias nas categorias de base

Esse foi o segundo caso em competições da base em dois dias. Na sexta-feira, o jogo entre Ituano e XV de Jaú também teve o protocolo antirracismo acionado, depois que um jogador do XV acusou um adversário do Ituano de tê-lo chamado de "macaco".

A repetição dos casos acende um alerta sobre a eficácia das medidas de combate ao racismo no futebol de base. O protocolo existe, mas a prevenção ainda depende da ação de torcedores e clubes.

## O que o protocolo antirracismo prevê?

O protocolo antirracismo, acionado pelo árbitro, é um mecanismo que permite interromper ou encerrar uma partida em caso de manifestações discriminatórias. No caso de sábado, a medida foi usada logo após o reinício do segundo tempo.

A ação rápida do árbitro e a confirmação das ofensas por outros torcedores foram decisivas para que o agressor fosse levado à delegacia e autuado.

## O impacto para o futebol regional

Para quem acompanha o futebol de base em Minas Gerais, o caso serve de exemplo. A arbitragem mineira também atua em competições estaduais e pode recorrer ao mesmo protocolo em situações semelhantes.

A mensagem é clara: o racismo não será tolerado dentro ou fora dos estádios. A punição criminal, que prevê de dois a cinco anos de prisão, é uma ferramenta que existe, mas depende da denúncia e do registro do boletim de ocorrência.

## Perguntas Frequentes

### O que é o protocolo antirracismo no futebol?

É um procedimento que permite ao árbitro interromper ou encerrar uma partida quando há manifestações racistas. No caso do sábado, foi acionado após o reinício do segundo tempo.

### Qual a pena para o crime de racismo?

A pena prevista é de dois a cinco anos de prisão. No caso, o agressor foi autuado e responderá em liberdade.

### O que o Votoraty disse sobre o caso?

O clube afirmou que não compactua com atitudes que atentem contra a dignidade e o respeito, e que prestou apoio ao árbitro.

### Quantos casos de racismo ocorreram na base em dois dias?

Foram dois casos: o do árbitro no jogo Votoraty e Referência, e o do jogo entre Ituano e XV de Jaú, na sexta-feira.

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/comunidade/apos-ser-alvo-racismo-arbitro-deixa-partida-paulista-sub-15/
