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MPMG suspende escolha de assessoria para atingidos no Jequitinhonha

ResumoO Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) suspendeu por 10 dias a escolha da entidade para a Assessoria Técnica Independente às comunidades atingidas pela mineração no Vale do Jequitinhonha. A decisão ocorre após denúncias de irregularidades na votação realizada em 18 de agosto. A suspensão visa garantir a lisura do processo seletivo.

O MPMG suspendeu por 10 dias a escolha da entidade que atuará na Assessoria Técnica Independente às comunidades atingidas pela mineração no Vale do Jequitinhonha, após denúncias de irregularidades na votação de 18 de agosto.

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 25 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
MPMG suspende escolha de assessoria para atingidos no Jequitinhonha

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) suspendeu por 10 dias o processo de escolha da entidade que vai prestar Assessoria Técnica Independente (ATI) às comunidades atingidas pelo empreendimento Grota do Cirilo, da Sigma Mineração, no Vale do Jequitinhonha. A decisão, formalizada nessa segunda-feira (24/8), foi tomada após o órgão receber denúncias de possíveis irregularidades durante a votação, realizada em 18 de agosto.

Segundo o MPMG, o período será usado para apurar a regularidade do processo e preservar a lisura, a transparência e a confiança das comunidades na escolha da entidade. A votação ocorreu na Escola Municipal Nuno Murta, na comunidade de Piauí Poço Dantas, em Itinga, local definido em conjunto pelo Ministério Público e pelas comunidades atingidas. Ao todo, foram contabilizadas 170 cédulas válidas.

O Instituto Brasileiro de Gestão de Pesquisa (IBGP) recebeu a maior quantidade de votos, com 61. A Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (Aedas) ficou em segundo, com 49 votos. Na sequência apareceram Cáritas Diocesana de Araçuaí, com 31; Instituto Guaicuy, com 27; e Núcleo de Assessoria às Comunidades Atingidas por Barragens (Nacab), com dois votos.

No comunicado a que O TEMPO teve acesso, o MPMG não detalhou quais foram as irregularidades relatadas pelos denunciantes. Pelas redes sociais, a deputada federal Célia Xakriabá (PSOL-MG) afirmou ter recebido denúncias de que pessoas teriam recebido envelopes com R$ 200 e de que um veículo não identificado teria levado moradores de outra comunidade para votar em Piauí Poço Dantas. A parlamentar protocolou um ofício no MPMG pedindo apuração urgente e providências para garantir a lisura do processo.

A ATI é um direito garantido por lei às pessoas atingidas. "É quem assessora tecnicamente as famílias na negociação com a mineradora. Sem ela, a comunidade negocia sozinha contra um exército de advogados", explicou a deputada. O processo de escolha foi aberto por edital de chamamento público publicado em julho pelo MPMG, prevendo o credenciamento de entidades sem fins lucrativos. A reportagem procurou a mineradora, que optou por não se manifestar sobre a suspensão.

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