Análise: William e Harry podem se reconciliar?
Com o retorno do príncipe Harry ao Reino Unido após seis anos morando nos Estados Unidos, os holofotes se voltam de novo para o relacionamento dele com o irmão, William, e para a chance de os dois reconstruírem os laços.
Segundo biógrafos reais ouvidos pela CNN, uma reconciliação entre William e Harry é improvável no momento. A confiança entre os irmãos teria sido abalada, e William evitaria reviver a turbulência de um "espetáculo paralelo" ao seu redor.
A biógrafa real Tina Brown disse antes do anúncio que acreditava ser improvável que William se reconciliasse com Harry. "Acho que a turbulência de ter esse tipo de espetáculo paralelo acontecendo é algo que ele não quer reviver neste momento. Não acho que essa confiança possa ser restaurada", afirmou ela.
Os irmãos, que foram padrinhos de casamento um do outro, raramente foram vistos juntos desde que Harry e sua esposa, Meghan, deixaram de ser membros ativos da realeza em 2020, mudaram-se para a Califórnia e concederam uma série de entrevistas reveladoras. Harry, que permanece um membro não ativo da realeza após seu retorno ao Reino Unido, mal fala com o irmão, que também é o herdeiro do trono britânico.
Para entender o tamanho da distância, a escritora especializada na família real Catherine Mayer compara os dois a uma espécie de "irmãos Gallagher da realeza". Embora Noel e Liam Gallagher tenham conseguido se reunir e trazer de volta a banda Oasis em 2025, Mayer disse não ter tanta certeza de que os irmãos reais conseguiriam fazer o mesmo. "Existe algo desse nível de intensidade ali. E, no entanto, seria incrivelmente bom para ambos encontrarem maneiras de fazer as pazes", disse.
O afastamento ganhou capítulos públicos. Em 2021, em entrevista à apresentadora americana Oprah Winfrey, Meghan acusou um membro da família real britânica de expressar preocupação com a cor da pele do primeiro filho do casal. Em 2023, Harry lançou seu livro de memórias, "Spare", com detalhes sobre o relacionamento com o pai, Charles, com William e com outros membros da família real que nunca haviam sido publicados.
Mesmo que parte do conteúdo possa ter irritado William, Mayer afirmou que as alegações da imprensa britânica de que o livro representava uma "violação de protocolo sem precedentes" eram "desonestas". "O número de membros da realeza que de fato escreveram memórias, incluindo o próprio pai dele (Charles), é claro. Quer dizer, qual é a diferença?", questionou.
Do lado de Harry, há uma atuação pública que segue em movimento. Após servir por 10 anos no Exército Britânico, em 2014 ele fundou a Fundação Jogos Invictus, instituição de caridade para ajudar militares feridos. "Tem crescido e se fortalecido desde a sua criação... É um evento incrível para veteranos feridos", disse Hagan, destacando o apoio da organização, como centros para veteranos feridos, incluindo um na capital nigeriana, Abuja, inaugurado em 2025.
"O poder de influência de Harry ainda existe", disse ela, acrescentando que ele poderia ser "muito valioso" para a família real.
Em 2025, apesar do papel reduzido, Harry passou uma semana visitando instituições de caridade na Inglaterra, incluindo uma em Nottingham, onde anunciou uma doação de 1,1 milhão de libras para ajudar jovens em comunidades assoladas pela violência e crimes com faca. Segundo seu gabinete, ele também levou sua equipe da Fundação Jogos Invictus para a Ucrânia devastada pela guerra, oferecendo planos para ajudar na reabilitação de soldados feridos.
"Essa é a tragédia... Harry é muito bom em ser príncipe", disse Brown. "Ele é charmoso, tem muita energia. É muito másculo. É uma figura realmente atraente", afirmou. No entanto, acrescentou que, embora ele tenha muito "caráter de estrela", a turbulência e a falta de confiança ao seu redor não são boas para William, que gosta de "estabilidade" e de saber "qual é a sua posição".
"Não acho que ele (William) goste dessa sensação de estar sob constante ameaça, de ser pressionado ou traído, que é, pelo menos no momento, o que ele sente em relação a Harry", disse Brown.
No passado, William e Harry participavam juntos de inúmeros eventos e promoviam diversas causas, incluindo a defesa da saúde mental. Em 2016, junto com a esposa de William, Kate, lançaram a campanha "Heads Together" para acabar com o estigma em torno da saúde mental. Em 2007, ao organizarem um concerto para celebrar a vida da falecida mãe, a princesa Diana, os irmãos foram vistos "muito afetuosos um com o outro", segundo o biógrafo real Andrew Morton.
"Acho que todos sentem uma grande pena que eles tenham seguido caminhos separados", disse Morton. "Não parece haver nenhuma figura importante como um (Winston) Churchill que possa bater de frente e dizer: 'parem com essa tolice'."