# Vorcaro comprava não estava no contrato: o que a PF achou

> Daniel Vorcaro, banqueiro investigado pela Polícia Federal, teve 52 notas fiscais enviadas em 20 dias a um contato salvo como "Alexandre de Moraes" no celular apreendido. O relatório da PF aponta que tais registros não constavam no contrato firmado entre as partes. A Procuradoria-Geral da República solicitou anulação das provas obtidas.

*Portal Notícias MG · Cidade · 02 de setembro de 2026 · Vânia Drummond*

Relatório da PF sobre o celular de Daniel Vorcaro revela 52 notas enviadas em 20 dias a contato salvo como 'Alexandre de Moraes'. Entenda o que estava fora do contrato e o pedido de anulação da PGR.

O relatório da Polícia Federal sobre o celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revela uma rotina de comunicação fora dos canais formais. Dezenove dias antes da prisão, Vorcaro escreveu uma nota sobre pressão do Banco Central, fotografou a tela e, 32 segundos depois, enviou a imagem para um contato salvo como "Alexandre de Moraes BRASILIA". No texto, pedia reforço com "Andrei e Paulo" para evitar que alguém "de baixo" fizesse "uma sacanagem". Andrei Passos Rodrigues dirige a PF; Paulo Gonet chefia a PGR.

Entre 28 de outubro e 17 de novembro, a perícia contou 52 vezes o mesmo gesto: abrir o app de notas, escrever, fotografar a tela, enviar pelo WhatsApp. A última nota saiu às 20h48 de uma segunda-feira. Na manhã seguinte, a Operação Compliance Zero apreendeu o celular. Foram 187 interações com aquele contato desde 2023, com ao menos seis referências a encontros presenciais.

O dinheiro fora do contrato aparece em três movimentos. Em janeiro de 2024, o escritório Barci de Moraes, da mulher do ministro Alexandre de Moraes, assinou com o Banco Master um contrato de honorários de R$ 108 milhões líquidos, cerca de R$ 131 milhões brutos. Nos metadados da minuta, o perfil "Ministro Alexandre de Moraes" aparece como responsável pela última modificação. O escritório confirmou que ele viu o documento, dizendo ter sido consulta de compliance.

Em março de 2024, Vorcaro cobrou pagamento com urgência e transferiram R$ 3,4 milhões. Em maio de 2025, um segundo contrato, via Viking Participações, holding do banqueiro, com teto de R$ 50 milhões. A forma de pagamento: um jato Legacy 650 e um helicóptero EC 155, quase US$ 7 milhões em aeronaves. Em julho, as aeronaves já estavam em uso, e sessenta dias depois veio uma fatura de R$ 22,8 milhões.

A PF é contida no relatório: diz que os nomes "podem indicar" Andrei e Paulo, e que não realizou atos contra magistrados ou membros do Ministério Público. O documento não prova que alguém tenha agido por Vorcaro. Mas há um fato: um homem investigado por fraude de R$ 12 bilhões acreditava que daquele número sairia proteção contra o Banco Central e a PF.

A resposta veio do procurador-geral. Na mesma tarde em que o sigilo caiu, Paulo Gonet protocolou pedido para anular o relatório e extinguir a apuração. O argumento: André Mendonça teria extrapolado ao apurar um colega de Corte. Gonet não pediu que a apuração fosse refeita pela via certa; pediu que não fosse feita. Ele também já havia arquivado pedidos de suspeição contra Dias Toffoli neste mesmo inquérito.

Dois nomes estão no ar desde então. Prevaricação, artigo 319 do Código Penal, e obstrução, artigo 2º, parágrafo 1º, da Lei 12.850. Nenhuma das hipóteses se resolve em análise de revista, mas ambas dependem de conduta. Se Gonet requisitar a perícia dos terminais e auditar a fatura, as hipóteses morrem. Se a única iniciativa continuar sendo o pedido de extinção, o artigo 52 da Constituição entrega ao Senado o julgamento do procurador-geral por crime de responsabilidade.

A data está registrada. O desfecho depende dos próximos passos do chefe do Ministério Público. Operação Compliance Zero

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/cidade/vorcaro-comprava-nao-estava-contrato/
