Von der Leyen: ataque com drone eleva tensão entre Rússia e Europa
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta quarta-feira (2) que a tentativa de ataque com drones em Leipzig, atribuída à Rússia, representa uma nova escalada em território europeu. A declaração, feita a jornalistas em Bruxelas, indica que a União Europeia reforçará a pressão sobre Moscou.
"Foi um ataque realizado com material de uso militar por agentes russos em território da União Europeia", disse von der Leyen. Segundo ela, poderia ter havido mortes caso o ataque tivesse sido bem-sucedido. "A Europa e a Otan não apenas manterão nossa pressão sobre a Rússia. Nós vamos aumentá-la e não vamos parar."
O incidente envolveu um drone encontrado em 5 de agosto em uma área restrita do aeroporto de Leipzig/Halle, carregado com explosivos de uso militar, segundo autoridades alemãs e um funcionário de defesa americano. No mesmo dia, um segundo objeto voador atingiu um avião de carga próximo ao aeroporto, causando danos leves; a aeronave pousou em segurança em Hannover. A imprensa alemã também informou que um terceiro drone foi achado em um campo próximo cerca de uma semana depois, levantando a possibilidade de múltiplos drones no ataque.
Para von der Leyen, o caso faz parte de "um padrão mais amplo de incidentes cada vez mais perigosos". O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, concordou e afirmou que a Rússia se tornou "cada vez mais imprudente", citando aumento de "atividades maliciosas" contra a UE.
Na terça-feira (1º), o ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, acusou formalmente a Rússia de envolvimento. "O fato de um drone armado com explosivos estar em um aeroporto é um novo cenário de ameaça", disse. A Procuradoria-Geral Federal da Alemanha não comentou, pois as apurações seguem em andamento.
O aeroporto de Leipzig/Halle é um dos mais movimentados da Europa em carga e serve de base para a Antonov Airlines desde que a Rússia destruiu sua base em Hostomel, em 2022. O drone foi achado perto de uma aeronave ucraniana. Serviços de inteligência ocidentais apontam Moscou como responsável por incêndios, ataques cibernéticos, interferências em GPS e sabotagens em vários países. Avaliações americanas indicam que Putin poderia testar a determinação da Otan com um ataque limitado contra um aliado nos próximos anos, segundo fontes familiarizadas.
Para o cidadão comum, o efeito prático é a elevação do nível de alerta em aeroportos e infraestruturas críticas na Europa. A nova postura de Bruxelas tende a endurecer sanções e medidas de proteção, o que pode gerar atritos diplomáticos, mas também maior coordenação de segurança entre os países do bloco.