# Violência no Haiti cresce com ataques de gangue em alta

> Haiti registra aumento de violência com ataques de gangues em alta, incluindo ataque em Kenscoff que deixou 47 mortos. Dados do BINUH apontam 3.050 mortos no semestre. Eleições marcadas para dezembro enfrentam desafios de segurança.

*Portal Notícias MG · Cidade · 31 de agosto de 2026 · Marília Stefani*

Violência no Haiti cresce com ataques de gangue em alta: ataque em Kenscoff deixa 47 mortos, eleições marcadas para dezembro enfrentam desafios de segurança. Dados do BINUH mostram 3.050 mortos no semestre.

A violência no Haiti cresce com ataques de gangue em alta, e o país registrou um novo episódio de violência na cidade de Kenscoff, nas encostas haitianas. O ataque do último domingo (23) deixou pelo menos 47 mortos, alguns nas proximidades da delegacia de polícia, além de relatos de sequestros. Milhares de pessoas fugiram de suas casas para escapar de novos ataques, em um cenário que antecede a primeira eleição em uma década.

Segundo dados do Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti (BINUH), cerca de 3.050 pessoas foram mortas no primeiro semestre deste ano no país. Desde o início de 2022, foram mais de 21.000 mortos, com o número anual de vítimas aumentando a cada ano. Até agora, em 2026, pelo menos 1.733 vítimas perderam a vida durante operações de segurança, sendo 229 identificadas como civis sem vínculo com gangues, atingidas por balas perdidas ou explosões de drones. O número inclui pelo menos 18 crianças mortas durante operações, sem relatos de investigações abertas sobre essas mortes.

O BINUH também registrou 1.088 vítimas de violência sexual até agora em 2026, com aumento de 13% em relação ao mesmo período de 2025. A maioria dos casos envolveu estupro coletivo de mulheres, incluindo pelo menos 80 meninas e dois homens. Os sequestros com pedido de resgate aumentaram 47% no segundo trimestre, totalizando 81 pessoas sequestradas, entre elas autoridades governamentais, policiais e empresários. A subnotificação é provável, segundo o BINUH, devido ao medo de represálias e à falta de confiança nas autoridades.

Cerca de 1,47 milhão de pessoas, aproximadamente 12% da população, estavam deslocadas internamente em maio, segundo a agência de migração da ONU. Na noite de domingo (30), mais de 2.600 pessoas foram deslocadas em Kenscoff, informou a OIM. A fome aumentou: 5,8 milhões de pessoas enfrentam altos níveis de insegurança alimentar, segundo a Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar (IPC). "A violência continua a sufocar a economia haitiana e a limitar o transporte de mercadorias e a circulação de pessoas", afirmou a IPC.

O Haiti não realiza eleições desde 2016, e o último presidente, Jovenel Moïse, foi assassinado em 2021. O Conselho Eleitoral Provisório fixou o primeiro turno para 13 de dezembro, com segundo turno em 21 de fevereiro, condicionado à segurança. Grupos armados uniram-se em torno da aliança Viv Ansanm, liderada por Jimmy "Barbecue" Cherizier, ex-policial que se apresenta como revolucionário.

Para quem acompanha a crise, a comparação com a série histórica mostra que a violência não é um pico isolado, mas uma tendência de aumento contínuo desde 2022. A resposta da comunidade internacional, com a força multinacional apoiada pela ONU solicitada em 2022, ainda não foi totalmente enviada. A medida em discussão é a realização das eleições sob condições de segurança, que podem definir o futuro político do país. crise humanitária no Caribe eleições sob conflito

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