Trump diz que Kharg está 'reduzida a pó'; vídeo é IA
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste domingo (30) que a ilha de Kharg, centro energético do Irã, está sendo "reduzida a escombros". A declaração veio em publicação nas redes sociais, acompanhada de um vídeo que a Reuters confirmou ser provavelmente gerado por inteligência artificial.
"A ilha de Kharg está sendo reduzida a escombros!!! Presidente DJT", escreveu Trump, sem dar mais detalhes. Não havia outras evidências de que o centro energético estivesse sob ataque. A Casa Branca e o Departamento de Defesa dos EUA não responderam imediatamente aos pedidos de comentários da Reuters.
O vídeo mostrava explosões dramáticas, mas a agência de notícias verificou que as imagens foram manipuladas sinteticamente, usando software de detecção de IA. A mídia iraniana não respondeu de imediato à publicação de Trump.
Kharg, responsável por 90% das exportações de petróleo do Irã antes da guerra iniciada em 28 de fevereiro, é alvo estratégico. Atacá-la prejudicaria gravemente o comércio de energia iraniano e pressionaria a economia do país, segundo a Reuters.
O contexto é de escalada. O Irã respondeu a um ataque anterior dos EUA contra lançadores de foguetes na ilha de Larak, a cerca de 660 km a leste de Kharg, com mísseis contra duas bases americanas na Jordânia. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que o ataque matou e feriu soldados e civis, prometendo "resposta e punição".
O Comando Central dos EUA disse ter tomado medidas "limitadas e precisas" contra forças de minagem da Guarda Revolucionária, que representavam "ameaça iminente" no Estreito de Ormuz. Em meio às tensões, o número de navios mercantes visíveis no estreito caiu para cinco por dia no fim de semana, segundo dados do setor.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse à Reuters que novas sanções secundárias ao Irã devem ser anunciadas semanalmente, começando pelos bancos. "Estamos começando pelos bancos e dizendo a eles que não é aceitável ter dinheiro iraniano e ajudar o regime", afirmou.
A hidrovia, que antes da guerra transportava quase um quinto das remessas globais de petróleo e gás, segue no centro do conflito. O Irã é o terceiro maior produtor da Opep. A comunidade internacional observa os próximos passos, enquanto a navegação no estreito permanece sob ameaça.