Três anos após morte de casal em elevador, dono de clínica e engenheiro viram réus
O dono de uma clínica de saúde de Montenegro e o engenheiro responsável pelo elevador viraram réus por homicídio culposo após a morte de um casal de idosos em 2023. A denúncia foi aceita pelo TJRS em agosto de 2026.
Três anos após a morte de um casal de idosos prensado por um elevador em uma clínica de Montenegro, no Rio Grande do Sul, o proprietário do estabelecimento e o engenheiro responsável pelo equipamento viraram réus por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A denúncia foi recebida pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) no último dia 24. Os réus foram identificados como Rogerio de Barros Macedo e Ivan de Petinga de Cerqueira Filho.
O que diz a denúncia
Segundo o Ministério Público, as vítimas, Erineu Alves e Alsira Guilherme de Jesus de Souza, de 92 e 83 anos respectivamente, chegaram à clínica em 19 de julho de 2023 para uma consulta marcada no andar superior do prédio. O acidente ocorreu no elevador do local, resultando na morte do casal.
A investigação aponta que a responsabilidade recai sobre o dono da clínica e o engenheiro do elevador, ambos agora réus. O g1 entrou em contato com o advogado Gustavo Harres de Oliveira, que representa os réus, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
Contexto jurídico
O homicídio culposo, previsto no Código Penal, ocorre quando a morte é causada por imprudência, negligência ou imperícia, sem intenção de matar. Nesse tipo de crime, a pena pode ser aumentada se o agente deixa de adotar cuidados objetivos exigidos pela situação.
A aceitação da denúncia pelo TJRS não significa condenação. Ela apenas formaliza a existência de indícios suficientes para que os réus respondam ao processo. A partir de agora, eles serão citados para apresentar defesa.
O papel do engenheiro responsável
A legislação brasileira exige que elevadores passem por manutenções periódicas e vistorias técnicas. A responsabilidade pela segurança do equipamento é compartilhada entre o proprietário do imóvel e o profissional habilitado, que deve emitir laudos e garantir condições de uso.
No caso de Montenegro, a denúncia atribui ao engenheiro a falha na supervisão ou manutenção do elevador, enquanto o dono da clínica responde pela falta de providências para evitar o acidente. A Justiça agora vai apurar as circunstâncias exatas.
Próximos passos
Com o recebimento da denúncia, o processo segue para instrução, com coleta de provas, depoimentos e eventuais perícias. Não há prazo definido para julgamento, e os réus podem apresentar recursos.
Para moradores de Montenegro e região, o caso reforça a importância de fiscalizar a manutenção de elevadores em prédios comerciais e de saúde. A verificação de laudos técnicos atualizados é uma medida preventiva que pode evitar tragédias.
Perguntas Frequentes
O que é homicídio culposo?
É o crime de matar sem intenção, por imprudência, negligência ou imperícia. A pena é menor do que a do homicídio doloso.
Quem são os réus no caso?
Rogerio de Barros Macedo, dono da clínica, e Ivan de Petinga de Cerqueira Filho, engenheiro responsável pelo elevador.
Quando o acidente ocorreu?
Em 19 de julho de 2023, em Montenegro, RS.
O que acontece agora?
Os réus serão citados para apresentar defesa e o processo seguirá para instrução.