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Trânsito e estacionamento em BH: 70% dos lojistas criticam mobilidade

ResumoPesquisa da Fecomércio MG revela que 70% dos lojistas de Belo Horizonte classificam o trânsito como ruim ou péssimo. Para 37,2% dos empresários, as restrições à mobilidade urbana dificultam diretamente a atividade comercial. Os dados apontam impacto negativo no setor, com críticas concentradas em estacionamento e fluxo viário.

Cerca de 70% dos empresários de Belo Horizonte consideram o trânsito ruim ou péssimo. Para 37,2%, as restrições à mobilidade dificultam a atividade. Pesquisa da Fecomércio MG revela impactos no comércio.

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 03 de agosto de 2026 · 7 min de leitura
Trânsito e estacionamento em BH: 70% dos lojistas criticam mobilidade

Trânsito e dificuldade de estacionar prejudicam o comércio de BH

Cerca de 70% dos empresários de Belo Horizonte avaliam o trânsito da cidade como ruim ou péssimo, sinalizando impactos significativos para as empresas. Para 37,2% deles, as restrições à mobilidade de pessoas, veículos ou cargas causam algum tipo de dificuldade para a atividade, aponta pesquisa divulgada nesta sexta-feira (31/7) pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG).

Resposta direta: O trânsito de BH é avaliado como ruim ou péssimo por 70% dos empresários do comércio. A dificuldade para estacionar atinge 74,1% dos negócios, e 62,6% enfrentam problemas com carga e descarga. Os dados são da pesquisa da Fecomércio MG divulgada em 31 de julho.

Por que a mobilidade virou questão de competitividade para o comércio de BH

A pesquisa da Fecomércio MG, realizada com empresários do comércio varejista de BH, mostra que a insatisfação com o trânsito não é apenas um incômodo cotidiano. Ela se traduz em perda de eficiência para os negócios. Quando consumidores enfrentam dificuldades para chegar aos estabelecimentos, quando mercadorias demoram mais para serem entregues ou quando os custos logísticos aumentam, toda a atividade econômica perde eficiência.

"O trânsito deixou de ser apenas um problema de deslocamento e passou a afetar a capacidade de crescimento do comércio", disse Fernanda Gonçalves, economista da Fecomércio MG. Para ela, a mobilidade precisa ser compreendida como uma política de desenvolvimento econômico e não apenas como uma questão de engenharia de tráfego.

Na análise da Fecomércio MG, essa redução da competitividade se dá também frente a outros modelos de consumo, como o comércio eletrônico e os grandes centros comerciais fechados.

Estacionamento caro e escasso afasta clientes do comércio de rua

Outro aspecto que impacta os negócios dos entrevistados é o custo do estacionamento, apontado por 74,1%. Para os empresários, esse é um dos maiores obstáculos para atrair consumidores ao comércio de rua. A dificuldade para encontrar vagas e os preços elevados acabam desestimulando compras rápidas e reduzem a permanência dos clientes nas regiões comerciais, afetando principalmente pequenos e médios estabelecimentos.

Para Salvador Ohana, presidente do Sindicato dos Lojistas de Belo Horizonte (Sindlojas-BH), além do trânsito caótico, o comércio da Região Central da capital fica prejudicado pelo preço dos estacionamentos privados, que são muito caros, e o estacionamento rotativo, que permite ficar na vaga por apenas uma ou duas horas. Com isso, ele acredita que o Centro acaba perdendo movimento para o comércio dos bairros.

"Além de prejudicar os clientes, os problemas de mobilidade também dificultam quem trabalha no comércio da região a chegar no horário e ir embora no horário", considerou.

"A experiência de compra começa antes mesmo de o consumidor entrar na loja. Quando chegar ao comércio se torna difícil ou caro, a cidade perde competitividade e o empresário perde oportunidades de venda", avaliou Fernanda Gonçalves.

Carga e descarga: 62,6% dos lojistas relatam impacto na logística

Outro ponto em que a maioria dos entrevistados (62,6%) se sentem impactados é a dificuldade de carga e descarga de mercadorias. A insatisfação resulta das restrições de horários, da própria escassez de vagas específicas e dos conflitos entre a logística de abastecimento e a circulação de veículos.

As consequências são o aumento do custo operacional, demora na reposição de estoques e o encarecimento da distribuição de mercadorias.

Restrições a caminhões dividem opiniões, mas pesam no frete

Apesar disso, 42% dos empresários avaliaram de forma positiva as restrições à circulação de caminhões na cidade, enquanto 37,9% a classificam como indiferente e apenas 18,8% como negativa. Ainda assim, 66,7% dos entrevistados afirmam que as restrições aos caminhões de carga impactam no preço do frete, o que, na visão da Fecomércio MG, evidencia o desafio de conciliar fluidez no trânsito e eficiência logística.

Transporte público após as 22h: precariedade afeta trabalhadores e lojas

A pesquisa ainda avaliou a disponibilidade de transporte público após as 22h na capital. A maioria dos empresários (29,1%) classificou a oferta entre ruim e péssima, enquanto 22% disse achá-la como regular e 16,6% pensa que é ótima ou boa. Sobre se o aumento das tarifas impacta o negócio, a opinião dos empresários se divide igualmente entre sim e não.

Entre os que disseram que impacta, 54,1% respondeu que isso provoca o aumento da matriz de custos do estabelecimento, 26% que causa redução do quadro de funcionários e 17,9% que promove redução de clientes.

"Essa precariedade gera uma série de consequências: reduz o número de candidatos disponíveis para trabalhar à noite; a contratação de profissionais para fechamento das lojas; aumenta o número de atrasos, faltas e a rotatividade de funcionário; obriga empresa a buscarem soluções próprias de transporte; e restringe o horário de funcionamento de determinados estabelecimentos", disse Marcelo Silveira, superintendente da Associação dos Lojistas de Shopping Centers de Minas Gerais (Aloshopping-MG).

Para ele, o transporte público noturno é um dos pontos mais sensíveis para o funcionamento do comércio, especialmente em atividades como os shoppings, que têm operações após às 22h. O superintendente da Aloshopping-MG defende uma ação integrada entre o poder público, empresas de transporte, o setor varejista e suas entidades representativas com o objetivo de construir medidas para amplificar e qualificar o transporte público em Belo Horizonte.

"A mobilidade urbana vai além dos impactos sobre o trânsito e a competitividade das empresas, afeta a rotina dos trabalhadores. A disponibilidade de ônibus após as 22h é essencial para garantir o deslocamento seguro e eficiente de quem atua no comércio e nos serviços, enquanto as dificuldades no transporte público e os congestionamentos contribuem para atrasos na chegada ao trabalho, comprometendo a produtividade das equipes, dificultam a atração e a retenção de mão de obra e o funcionamento dos estabelecimentos", destaca a economista da Fecomércio MG.

O que os números da pesquisa mostram sobre o comércio de BH

A pesquisa com empresários do comércio varejista de BH traz um retrato detalhado da percepção sobre a mobilidade:

  • Avaliação do trânsito: 0,5% ótimo, 7,4% bom, 21,1% regular, 32,3% ruim e 37,9% péssimo.
  • Impacto das restrições à mobilidade: 39,5% impacta muito, 17,7% impacta pouco, 30,6% não impacta.
  • Custo do estacionamento: 74,1% impacta muito, 21,8% impacta pouco, 4,1% não impacta.
  • Carga e descarga: 62,6% impacta muito, 23,8% impacta pouco, 12,2% não impacta.
  • Restrições a caminhões: 44,2% impacta muito, 27,2% impacta pouco, 25,2% não impacta.
  • Transporte público após 22h: 40,1% impacta muito, 20,4% impacta pouco, 36,7% não impacta.
  • Impacto no preço do frete: 70,7% impacta muito, 26,5% impacta pouco, 2,1% não impacta.

Entre os impactos do aumento das tarifas de transporte, 54,1% citam aumento da matriz de custos do estabelecimento, 26% redução do quadro de funcionários, 17,9% menor circulação de clientes, 12,2% redução do volume vendido e 2% maior demanda no uso de carros (total não soma 100%).

Perguntas Frequentes

O que a pesquisa da Fecomércio MG revela sobre o trânsito em BH?

A pesquisa mostra que 70% dos empresários avaliam o trânsito como ruim ou péssimo, e 37,2% relatam dificuldades na atividade por causa das restrições à mobilidade.

Como o custo do estacionamento afeta o comércio de BH?

Para 74,1% dos empresários, o custo do estacionamento impacta os negócios, desestimulando compras rápidas e reduzindo a permanência dos clientes nas regiões comerciais.

Quais são os principais problemas de carga e descarga no comércio de BH?

Os principais problemas são restrições de horários, escassez de vagas específicas e conflitos entre a logística de abastecimento e a circulação de veículos, afetando 62,6% dos entrevistados.

O transporte público após as 22h é um problema para o comércio?

Sim. Para 29,1% dos empresários, a oferta é ruim ou péssima, o que dificulta a contratação de funcionários para o turno da noite e pode restringir o horário de funcionamento dos estabelecimentos.

Qual é a solução defendida pelas entidades do comércio?

A Aloshopping-MG defende uma ação integrada entre poder público, empresas de transporte, setor varejista e entidades representativas para ampliar e qualificar o transporte público em BH.

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