Tráfico de pepinos-do-mar brasileiros é identificado por DNA em estudo
Estudo inédito usa análise de DNA para identificar pepinos-do-mar brasileiros traficados ilegalmente. A técnica permite rastrear a origem do animal e auxiliar na fiscalização ambiental, protegendo espécies ameaçadas.
Tráfico de pepinos-do-mar brasileiros é identificado por DNA em estudo
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) desenvolveram um método inédito para identificar o tráfico de pepinos-do-mar brasileiros: a análise de DNA. O estudo, publicado em 2025, demonstra que é possível rastrear a origem geográfica do animal mesmo após ele ter sido processado para venda, abrindo caminho para uma fiscalização mais eficiente.
A técnica funciona como uma impressão digital genética. Ao extrair o DNA de amostras de pepinos-do-mar apreendidos ou coletados no comércio, os cientistas conseguem compará-las com um banco de dados de sequências genéticas de populações conhecidas. Segundo o ICMBio, isso permite determinar se o animal veio do litoral brasileiro, de outra região ou se foi criado em cativeiro.
Por que o pepino-do-mar é alvo de tráfico?
O pepino-do-mar é um equinodermo valorizado no mercado asiático, especialmente na culinária chinesa e na medicina tradicional. A demanda crescente levou à sobrepesca e ao tráfico internacional. A espécie brasileira, Holothuria grisea, está na lista de espécies ameaçadas do ICMBio, o que torna a pesca e o comércio ilegais ainda mais danosos.
O tráfico movimenta milhões de dólares por ano. Os animais são capturados, secos e exportados ilegalmente, muitas vezes misturados a espécies de outros países para dificultar a identificação. O método de DNA barateia e agiliza a prova da origem, algo que antes dependia de análises morfológicas imprecisas ou do testemunho de especialistas.
Como a técnica de DNA funciona na prática?
A equipe da UFRJ coletou amostras de pepinos-do-mar em diferentes pontos do litoral brasileiro, do Pará ao Rio Grande do Sul. Criou um banco de dados de referência com as sequências genéticas de cada população. Ao receber uma amostra suspeita, o laboratório extrai o DNA, amplifica regiões específicas e compara com o banco. O resultado sai em até 48 horas.
A técnica é especialmente útil porque o processamento (secagem, salga, cozimento) degrada a morfologia, mas não destrói completamente o DNA. "Conseguimos identificar a origem mesmo em amostras que passaram por tratamento térmico", explicou a coordenadora do estudo, a bióloga Marina Silva, em entrevista à Agência Brasil.
Impacto na fiscalização e combate ao crime ambiental
O ICMBio já incorporou a técnica em operações de fiscalização. Em 2024, uma operação conjunta com a Polícia Federal apreendeu 500 kg de pepinos-do-mar secos no Porto de Santos. As amostras foram enviadas para análise de DNA e confirmaram origem brasileira, o que embasou a denúncia por tráfico internacional de fauna.
Para o Ministério Público Federal, a ferramenta "revoluciona a capacidade de responsabilizar criminosos", pois antes a falta de prova técnica muitas vezes levava ao arquivamento dos casos. A expectativa é que a técnica seja expandida para outras espécies ameaçadas, como o caranguejo-uçá e o cavalo-marinho.
Desafios e próximos passos
Apesar do avanço, o método ainda enfrenta desafios. O banco de dados precisa ser atualizado constantemente, pois as populações se deslocam e novas áreas de pesca surgem. Além disso, o custo do sequenciamento genético, embora em queda, ainda é alto para uso em larga escala em todos os portos do país.
O estudo sugere a criação de um laboratório móvel para análise em campo, capaz de dar uma resposta em horas durante a fiscalização. O ICMBio busca parcerias com universidades e órgãos estaduais de meio ambiente para expandir a cobertura.
O que você pode fazer?
Se você encontrar pepinos-do-mar à venda em feiras ou mercados, desconfie. A espécie brasileira tem comércio proibido. Denuncie ao ICMBio ou à Polícia Federal pelo telefone 0800 61 8080. A informação de saúde do ecossistema marinho precisa ser checada, e a denúncia é o primeiro passo.
Perguntas Frequentes
O que é o tráfico de pepinos-do-mar?
É a captura, transporte e venda ilegal de pepinos-do-mar, geralmente para o mercado asiático. A espécie brasileira é ameaçada, e o comércio é proibido.
Como o DNA identifica a origem do animal?
Cientistas comparam o DNA de amostras suspeitas com um banco de dados de populações conhecidas. A técnica funciona mesmo em animais processados.
Quem liderou o estudo?
A pesquisa foi conduzida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com o ICMBio.
O método já é usado na fiscalização?
Sim. O ICMBio já aplica a técnica em operações, como a que apreendeu 500 kg no Porto de Santos em 2024.
Qual o próximo passo da pesquisa?
Expandir o banco de dados para outras espécies e criar laboratórios móveis para análise em campo.
Como denunciar o tráfico?
Ligue para 0800 61 8080 (ICMBio) ou procure a Polícia Federal. Não compre pepinos-do-mar sem certificação de origem.
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