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Trabalhadores por aplicativo paralisam atividades em Juiz de Fora contra plataformas

ResumoTrabalhadores por aplicativo de Juiz de Fora paralisaram atividades entre 27 e 29 de janeiro, com protestos na Avenida Rio Branco. A categoria contesta mudanças nas plataformas, como o modelo '+Entregas' do iFood, que reduziu o pagamento por corrida. A ação busca reverter alterações que prejudicam a remuneração dos entregadores.

Trabalhadores por aplicativo de Juiz de Fora iniciaram paralisação programada entre esta segunda (27) e quarta-feira (29), com protestos que interditaram a Avenida Rio Branco. A categoria contesta mudanças nas plataformas, como o modelo '+Entregas' do iFood, que reduziu o pagamen

Geraldo Assunção
Geraldo Assunção Repórter de Política Estadual · 28 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Trabalhadores por aplicativo paralisam atividades em Juiz de Fora contra plataformas

Trabalhadores por aplicativo paralisam atividades em Juiz de Fora contra plataformas

Trabalhadores por aplicativo de Juiz de Fora iniciaram a paralisação programada entre esta segunda (27) e a quarta-feira (29). Centenas de trabalhadores participam do movimento, que começou com concentração no estacionamento do Carrefour, no Bairro Cruzeiro do Sul, e seguiu pelas ruas da cidade.

Por conta da mobilização, iniciada por volta das 16h, a pista da Avenida Rio Branco no sentido Manoel Honório, a partir do cruzamento com a Avenida Presidente Itamar Franco, ficou momentaneamente interditada. O trânsito foi liberado e, no início desta noite, os manifestantes se concentraram no Parque Halfeld.

O que motiva a paralisação dos trabalhadores por aplicativo

A decisão pela paralisação foi tomada em assembleia geral realizada em 20 de julho, conforme informado pela Associação dos Motoboys, Motogirls e Entregadores de Juiz de Fora (Ammejuf). A interrupção das atividades está prevista para terminar à 0h de quarta-feira. Segundo a organização, os trabalhadores permanecerão nas ruas durante a paralisação para conversar com a população sobre as reivindicações da categoria.

Entre as principais motivações apresentadas pela categoria estão mudanças nas modalidades de trabalho disponibilizadas pelas plataformas de transporte e entrega. De acordo com os organizadores do movimento, as alterações reduzem os rendimentos e aumentam os custos e os riscos assumidos pelos trabalhadores.

Modalidades contestadas: '+Entregas', 'Uber Passe' e '99 Passe'

Uma das modalidades contestadas é a '+Entregas', do iFood. A organização relata que o modelo exige o agendamento prévio de turnos e reduz o pagamento mínimo das entregas de R$ 7 para R$ 3,50. A categoria argumenta que a mudança exige mais horas de trabalho e esforço físico, sem uma remuneração considerada suficiente para cobrir despesas como alimentação, combustível e manutenção dos veículos e das bicicletas.

As modalidades 'Uber Passe' e '99 Passe' também são criticadas. Conforme a organização, esses serviços cobram antecipadamente um valor para que o motorista tenha acesso às solicitações dos passageiros durante períodos determinados, como 24 ou 72 horas. Dessa forma, não há garantia de quantidade mínima de chamadas durante o intervalo contratado, o que faz com que situações como falta de demanda, problemas mecânicos e outros imprevistos possam representar prejuízo para o trabalhador.

"Trabalhadores precarizados custam caro a toda a sociedade. Juiz de Fora é uma cidade montanhosa e cheia de subidas íngremes. Exigir que um ciclista pedalando com peso ou um condutor arcando com o preço do combustível receba R$ 3,50 por quatro quilômetros é desumano", pontua a organização do movimento.

Reivindicações da categoria: piso mínimo de R$ 10

Entre as reivindicações apresentadas pela categoria está a criação de um piso mínimo de R$ 10 por corrida ou entrega em trajetos de até quatro quilômetros. A categoria também defende o pagamento adicional de R$ 2,50 por quilômetro percorrido.

A Ammejuf pede que a população apoie a mobilização e cobre das empresas condições de trabalho consideradas adequadas para motoristas, mototaxistas, motoboys e entregadores que atuam por meio das plataformas digitais.

Resposta das plataformas: Amobitec, Uber, 99 e iFood

Em nota enviada à Tribuna, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa plataformas e empresas do segmento, informou que as empresas associadas "respeitam o direito à realização de manifestações pacíficas e reforçam que mantêm canais de diálogo contínuo com os profissionais parceiros".

A entidade também defendeu que o modelo de negócios "busca equilibrar as demandas de todo o ecossistema do delivery - entregadores, lojistas e consumidores - e do transporte individual privado - motociclistas, motoristas e passageiros". O texto segue destacando que é necessário "considerar tanto a necessidade de renda de quem trabalha com os aplicativos quanto a realidade econômica dos clientes, que buscam formas acessíveis de utilizar o serviço".

Segundo a associação, as empresas "seguem abertas ao diálogo para o aprimoramento de iniciativas que garantam mais dignidade, ganhos e transparência". Uber e 99 informaram que seriam representadas pelo posicionamento da Amobitec.

Posicionamento do iFood sobre o '+Entregas'

Procurado pela Tribuna, o iFood também se posicionou por meio de nota. A empresa afirma que "o iFood respeita o direito à manifestação pacífica e à livre expressão dos entregadores e entregadoras" e que mantém "desde 2021 uma agenda permanente de diálogo com os profissionais e representantes da categoria para o aprimoramento de iniciativas que garantam mais dignidade, ganhos e transparência".

Sobre o '+Entregas', o iFood diz que é "mais uma alternativa para os entregadores do iFood, em que o profissional deixa de receber exclusivamente por pedido e escolhe ganhar um valor pelo período trabalhado, com rotas mais curtas e concentradas nas regiões escolhidas, visando mais previsibilidade e rentabilidade". O ganho é composto por um valor fixo por hora disponível e um valor por cada entrega realizada.

Nas regiões em que o '+Entregas' já está disponível, segundo o iFood, entregadores que optaram pela modalidade "registraram ganho médio superior por hora logada na comparação com o modelo tradicional". A empresa afirma que o modelo está sendo implementado gradualmente e que a adesão é "totalmente opcional".

Perguntas Frequentes

Quando termina a paralisação dos trabalhadores por aplicativo em Juiz de Fora?

A interrupção das atividades está prevista para terminar à 0h de quarta-feira (29).

Quais plataformas são alvo do protesto?

As críticas são direcionadas principalmente ao iFood, com a modalidade '+Entregas', e às plataformas Uber e 99, com os serviços 'Uber Passe' e '99 Passe'.

Qual o principal motivo da paralisação?

A categoria contesta mudanças nas modalidades de trabalho que, segundo os organizadores, reduzem os rendimentos e aumentam os custos e riscos assumidos pelos trabalhadores.

Qual o piso mínimo exigido pelos trabalhadores?

A categoria reivindica um piso mínimo de R$ 10 por corrida ou entrega em trajetos de até quatro quilômetros, com adicional de R$ 2,50 por quilômetro percorrido.

Como a Amobitec respondeu ao protesto?

A associação informou que as empresas associadas respeitam o direito à manifestação pacífica e mantêm canais de diálogo contínuo com os profissionais parceiros.

O iFood comentou sobre a paralisação?

Sim. O iFood afirmou que respeita o direito à manifestação e que o '+Entregas' é uma alternativa opcional, com ganho médio superior por hora logada nas regiões onde está disponível.

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