Tentativa de feminicídio em Juiz de Fora: mãe desarma agressor
Um homem de 36 anos invadiu a casa da ex-companheira, de 23, e atirou quatro vezes contra ela enquanto a jovem estava deitada na cama. O ataque ocorreu na noite de quinta-feira (10), no Bairro Progresso, região Leste de Juiz de Fora, onde a vítima mora com os pais.
A jovem foi atingida no tórax, na região da axila, na nádega e no ombro direito. Segundo a Secretaria de Saúde da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), ela passou por cirurgia no Hospital Pronto Socorro (HPS) e seu quadro de saúde é estável.
A mãe da jovem presenciou o ataque e chegou a desarmar o suspeito, que recuperou a arma e fugiu. Segundo o boletim de ocorrência, o pai também tentou conter o agressor e foi ferido com um golpe no supercílio. Na fuga, o homem danificou uma porta de vidro antes de seguir para um lote vago próximo à residência.
O que se sabe sobre a investigação
A Polícia Militar (PM) realizou buscas na região, mas, até a manhã desta sexta-feira (11), o suspeito não havia sido localizado. A corporação informou que o rastreamento prossegue. A Polícia Civil (PC) acompanha o caso, encaminhado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, e afirmou que "equipes seguem em diligência para localização do suspeito".
A jovem foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu-Cisdeste) e encaminhada ao HPS lúcida e orientada. Permanece internada sob cuidados da equipe multiprofissional da unidade.
A vítima tinha uma medida protetiva de urgência em vigor contra o suspeito no momento do ataque. O boletim de ocorrência também aponta que o homem é suspeito de ter estuprado a jovem antes do ataque.
Medida protetiva em vigor e a rede de proteção
A reportagem procurou o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) para saber se havia determinação para monitoramento eletrônico do investigado, pedido de uso de tornozeleira, ou se houve solicitação de prisão preventiva antes do crime. Até a publicação, o TJMG não havia respondido.
A presidente da Comissão de Enfrentamento à Violência contra a Mulher da OAB Juiz de Fora, Ticiana Didres, afirma que a rede de proteção reúne tornozeleiras eletrônicas, dispositivos de alerta, o sistema "Chame a Frida" e a Patrulha de Prevenção à Violência Doméstica da PM. Essas ferramentas, porém, esbarram na limitação de recursos.
Para a advogada, o caso apresentava elementos que poderiam justificar o uso de tornozeleira. Sem acesso ao inquérito, ela pondera que não é possível afirmar por que o equipamento não teria sido adotado, mas aponta hipóteses como análise fragmentada de procedimentos ou ausência de pedido formal. A imposição do monitoramento depende de requerimento expresso da autoridade policial, do Ministério Público, da Defensoria Pública ou do advogado da vítima.
"Muitas vezes, minimizamos a extensão dos danos da violência contra a mulher. Quando relativizamos a violência psicológica, a perseguição e a ameaça, colocamos a vítima em uma posição de não denunciar e de normalizar as violações", afirma Ticiana.
Denúncias podem ser feitas pelo 190, em emergências, ou pelo 180, na Central de Atendimento à Mulher. Também é possível acionar o Disque-Denúncia Unificado (181), registrar ocorrência pelo aplicativo MG Mulher ou pela Delegacia Virtual.