Tem Solução: arborização reduz calor extremo no interior de SP
Pesquisadores da Unesp medem em Tupã e Adamantina, no interior de SP, a diferença que a sombra das árvores faz em dias de calor intenso. A arborização urbana ganha espaço como estratégia de adaptação climática nas cidades.
As mudanças climáticas já fazem parte da rotina das cidades. Ondas de calor, períodos de seca e chuvas intensas ficam mais frequentes e aumentam o desafio de preparar os municípios para eventos extremos. É nesse cenário que a arborização urbana aparece como aliada: além da sombra, as árvores reduzem a exposição direta à radiação solar e ajudam a criar ambientes mais confortáveis.
Em Tupã e Adamantina, no interior de São Paulo, pesquisadores da Unesp estudam justamente esse efeito. As medições mostram a diferença que a presença de árvores provoca em dias de calor intenso. Em um dos testes, por volta das 13h, em dia de sol forte, a temperatura do asfalto chega perto dos 70°C. Na sombra, o mesmo termômetro registra diferença superior a esse patamar, segundo o estudo analisado pela reportagem.
O que a pesquisa mede no interior de SP
O trabalho da Unesp analisa o conforto térmico que a arborização pode proporcionar. A comparação é direta: o mesmo termômetro, no mesmo horário, em superfícies expostas ao sol e sob a copa das árvores. Em bairros de Tupã e Adamantina, os pesquisadores acompanham como essa variação se comporta ao longo do dia.
Para quem vive a rotina dessas cidades, o dado tem tradução imediata. Calçada quente empurra o pedestre para o meio da rua, esquenta a parede da casa e aumenta o consumo de ventilador e ar-condicionado. A sombra muda o trajeto de quem vai a pé ao mercado, à escola ou ao ponto de ônibus.
Por que a arborização virou estratégia de adaptação
Ondas de calor, seca e chuva intensa deixaram de ser evento isolado. Municípios que planejam a arborização tratam a árvore como infraestrutura, não como enfeite. A lógica é simples: quanto mais sombra no trajeto, menor a exposição ao sol e mais confortável o ambiente urbano.
O tema também dialoga com outras frentes de adaptação climática no campo e na cidade, como mostram discussões sobre estiagem e clima no interior de Minas. A diferença é que a árvore plantada hoje só entrega sombra plena anos depois, o que exige planejamento de longo prazo.
Quem acompanha o dia a dia dessas cidades sabe que o efeito não é imediato. Depende de escolha de espécie, de espaço na calçada e de manutenção. É trabalho de anos, não de uma temporada.
A pesquisa da Unesp em Tupã e Adamantina segue como referência local para medir o que a sombra faz em dias de calor extremo. O que moradores e produtores da região esperam é que a medição vire política pública: mais árvore onde o sol bate primeiro, no trajeto de quem anda a pé.