Tarifaço dos EUA pode impactar em mais de meio bilhão de dólares em exportações no RS
Um levantamento da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) indica que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos pode impactar em mais de meio bilhão de dólares as exportações gaúchas. O estudo detalha os setores mais vulneráveis e as possíveis consequências para a ec
O tarifaço anunciado pelo governo dos Estados Unidos deve gerar um impacto superior a meio bilhão de dólares nas exportações do Rio Grande do Sul. A estimativa é de um levantamento da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), que analisou os setores mais expostos à nova política comercial americana.
O levantamento da Fiergs indica que as exportações gaúchas para os EUA somaram cerca de US$ 1,5 bilhão em 2025, e as novas tarifas podem afetar diretamente uma parcela significativa desse montante. Os setores de metalurgia, calçados, móveis e produtos alimentícios são os que mais dependem do mercado americano.
Setores mais vulneráveis ao tarifaço dos EUA
A indústria metalúrgica gaúcha, que exporta principalmente aço e alumínio, é uma das mais atingidas. Segundo a Fiergs, cerca de 30% das exportações do setor têm os EUA como destino, e as novas tarifas podem reduzir a competitividade dos produtos brasileiros.
O setor calçadista, tradicional no Rio Grande do Sul, também sente os efeitos. As exportações de calçados para os EUA representam aproximadamente 25% do total do segmento, e a sobretaxa pode encarecer o produto final para o consumidor americano.
Impacto na indústria moveleira e alimentícia
A indústria moveleira gaúcha, que exporta móveis de madeira e estofados, também está na lista dos setores mais vulneráveis. O mercado americano absorve cerca de 20% das exportações do setor, e a tarifa pode forçar as empresas a buscarem novos mercados.
No setor alimentício, produtos como carnes, soja e sucos têm participação relevante nas exportações para os EUA. A Fiergs estima que o impacto pode chegar a US$ 100 milhões apenas nesse segmento.
Reação do setor produtivo gaúcho
A Fiergs já se manifestou sobre o tema, solicitando ao governo federal a abertura de negociações com os EUA para reduzir o impacto das tarifas. A entidade também recomenda que as empresas gaúchas diversifiquem seus mercados de exportação, buscando países como China, União Europeia e Mercosul.
O presidente da Fiergs, em nota, afirmou que "o tarifaço é um golpe duro na indústria gaúcha, mas não é o fim do jogo. Precisamos de ação coordenada entre governo e setor privado".
Medidas de mitigação e alternativas
Diante do cenário, algumas empresas já estão buscando alternativas. A diversificação de mercados é a principal estratégia, com missões comerciais para Ásia e Oriente Médio. Além disso, a inovação e a agregação de valor aos produtos podem ajudar a reduzir a dependência do mercado americano.
O governo do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, anunciou um pacote de apoio às empresas exportadoras, com linhas de crédito e consultoria para internacionalização exportações rs governo estadual.
Perspectivas para o futuro
A curto prazo, o impacto do tarifaço deve ser sentido já no segundo semestre de 2026, com redução de pedidos e possível queda na produção industrial. A médio prazo, a renegociação de acordos bilaterais entre Brasil e EUA pode aliviar a situação.
A Fiergs projeta que, sem medidas de mitigação, o impacto total pode superar US$ 600 milhões em 2026, considerando efeitos indiretos em cadeias produtivas. O setor calçadista é o que mais preocupa, com risco de demissões em massa.
Perguntas Frequentes
O que é o tarifaço dos EUA?
É a imposição de tarifas de importação mais altas sobre produtos estrangeiros, incluindo aço, alumínio e outros itens, anunciada pelo governo americano em 2026.
Quais setores do RS são mais afetados?
Metalurgia, calçados, móveis e alimentos são os mais vulneráveis, segundo a Fiergs.
Qual o valor do impacto estimado?
Mais de meio bilhão de dólares, podendo chegar a US$ 600 milhões, de acordo com o levantamento da Fiergs.
O que as empresas gaúchas podem fazer?
Diversificar mercados, buscar inovação e acessar linhas de crédito do governo estadual.
O governo brasileiro pode reverter a situação?
Sim, por meio de negociações bilaterais e acordos comerciais com os EUA.