Tarifaço dos EUA: interferência externa indevida, diz Durigan
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o tarifaço imposto pelos EUA configura interferência externa indevida. Entenda os motivos e as repercussões da declaração.
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros configura interferência externa indevida. Segundo ele, a medida americana fere acordos multilaterais de comércio e a soberania do Brasil para definir sua própria política tarifária.
O tarifaço dos EUA é interferência externa indevida, diz Durigan. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a taxação americana sobre produtos brasileiros é uma interferência externa indevida, que desrespeita as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). A declaração foi dada durante evento em Brasília.
A declaração de Durigan
Em discurso no seminário "Comércio Internacional e Desenvolvimento", Durigan foi enfático. "O Brasil não pode aceitar que decisões unilaterais de outros países ditem nossa política comercial. O tarifaço dos EUA é interferência externa indevida e fere o direito soberano do Brasil de negociar em igualdade de condições", disse.
Segundo Durigan, a medida americana atinge setores como siderurgia, café e suco de laranja, que são estratégicos para a economia brasileira. Ele defendeu que o Brasil recorra à OMC e busque negociação direta com o governo americano.
Reações do setor produtivo
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também se manifestou. "O tarifaço dos EUA é interferência externa indevida, como bem colocou Durigan. Prejudica a competitividade da indústria brasileira e pode gerar retaliações que ninguém quer", afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
No campo, a reação é de preocupação. O produtor de café José Antônio Silva, de Patos de Minas (MG), conta que já sente no bolso. "O café brasileiro é um dos melhores do mundo, mas com essa taxa, fica mais caro para o americano comprar. A gente perde mercado", diz Silva.
Impactos na economia brasileira
Dados do Ministério da Economia indicam que o tarifaço pode afetar exportações brasileiras no valor de cerca de US$ 2,5 bilhões anuais. Os setores mais atingidos são siderurgia (US$ 1,2 bilhão), café (US$ 800 milhões) e suco de laranja (US$ 500 milhões).
O governo brasileiro já prepara uma contraproposta. A ideia é oferecer redução de tarifas para produtos americanos em troca da revogação do tarifaço. As negociações devem começar nas próximas semanas.
O que diz a legislação internacional
A OMC prevê mecanismos de defesa comercial para casos como este. O Brasil pode acionar o órgão para questionar a legalidade do tarifaço. Segundo especialistas, a medida americana fere o princípio da nação mais favorecida, que garante tratamento igualitário entre os países-membros.
Próximos passos
O Itamaraty já iniciou contatos com a embaixada americana em Brasília. A expectativa é que uma reunião bilateral ocorra ainda este mês. Enquanto isso, o Ministério da Fazenda estuda medidas de compensação para os setores afetados.
O produtor José Antônio Silva espera que o governo encontre uma solução. "A gente quer vender nosso café. Não quer guerra comercial. Mas também não pode aceitar imposição", conclui.
Perguntas Frequentes
O que é o tarifaço dos EUA?
É uma taxa extra aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, como aço, café e suco de laranja.
Por que Durigan considera interferência externa indevida?
Porque a medida americana fere acordos multilaterais de comércio e a soberania do Brasil para definir sua política tarifária.
Quais setores são mais afetados?
Siderurgia, café e suco de laranja são os mais impactados.
O Brasil pode recorrer à OMC?
Sim. O país pode acionar a Organização Mundial do Comércio para questionar a legalidade da medida.
O que o governo brasileiro pretende fazer?
Negociar diretamente com os EUA e, se necessário, adotar medidas de retaliação proporcionais.
política comercial brasileira impactos do tarifaço no agro