# Sumba: ilha paradisíaca onde homens e mulheres vivem como escravizados

> A ilha de Sumba, na Indonésia, mantém um sistema de escravidão hereditária onde homens e mulheres chamados atas trabalham sem salário para nobres marambas. A condição de escravizado é passada entre gerações e ligada à religião marapu, sendo tolerada pelo governo indonésio.

*Portal Notícias MG · Cidade · 22 de julho de 2026 · Ronaldo Pimenta*

A duas horas de avião de Bali, a ilha de Sumba mantém um sistema de escravidão hereditária. Homens e mulheres chamados atas trabalham sem salário para nobres marambas, passando a condição de geração em geração. A tradição, ligada à religião marapu, é tolerada pelo governo indonés

## Sumba: a ilha paradisíaca onde homens e mulheres vivem como escravizados

A duas horas de avião das praias de Bali, na ilha de Sumba, homens e mulheres vivem como escravizados do nascimento à morte, de geração em geração, devido ao peso da "tradição". Eles trabalham para seus senhores sem receber salário e passam de uns para os outros como herança.

## O sistema de castas em Sumba

A sociedade de Sumba está dividida em três castas: os nobres (maramba), o povo comum (kabihu) e os escravizados ou servos (atas). A condição de ata é hereditária e, a menos que o senhor o liberte, "não pode perder sua condição, nem mesmo por meio do casamento", explica Martha Hebi, especialista no assunto.

Kanisius Kanyali Hambarita, de 34 anos, é escravizado por Umbu Ana Rara, três anos mais novo. Sentados em frente à casa do senhor, mascam noz de betel. Ambos vestem camisetas e sarongues, dormem no chão e não têm sinal de celular. "Não me oponho a isso, é assim que as coisas são", diz Umbu Ana Rara.

## Tradição marapu e escravidão

A escravidão em Sumba remonta ao século XVI. A Indonésia a aboliu oficialmente em 1860, durante o domínio holandês, mas ela permanece enraizada, especialmente no leste da ilha. A prática está ligada ao marapu, religião local que combina animismo, culto aos ancestrais e o mundo espiritual. "Os marambas obtiveram os atas ao chegarem a Sumba", explica Umbu Remi Deta, sacerdote marapu.

## Violência e impunidade

Os escravizados sofrem violência física e sexual. "Segundo a tradição, o senhor tem o direito, entre aspas, de 'usar' sua serva", confirma Marlin Lomi, pastora e presidente do sínodo protestante de Sumba Oriental. Em 2024, uma escravizada de 18 anos, estuprada desde os 13 pelo senhor e o filho dele, denunciou os agressores. Dois anos depois, "a investigação ainda não terminou", afirma Dian Sasmita, da Comissão Indonésia para a Proteção da Infância (KPAI).

## O papel do governo

A Constituição de 1945 proíbe a escravidão, e o Código Penal criminaliza a privação de liberdade. Mas o código também reconhece o direito consuetudinário. "O governo não quer impor mudanças abruptas, mas sim acompanhar o desenvolvimento social", disse o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Yusril Ihza Mahendra, à AFP.

Gidion Mbilijora, ex-chefe do distrito de Waingapu, admite que "mudar a mentalidade dos nobres exigirá um longo processo". Ele próprio tem "dois atas".

## Perguntas Frequentes

### Quantos escravizados existem em Sumba?

Uma assistente social, que pediu anonimato, estima "cerca de 1.700" no distrito de Sumba Oriental, que tem 350.000 habitantes. Outros estimam que sejam milhares.

### A escravidão em Sumba é legal?

Não. A Constituição de 1945 proíbe a escravidão, mas o Estado reconhece formas de direito consuetudinário, o que permite a prática.

### Como os escravizados são tratados?

O tratamento depende do senhor. Alguns recebem permissão para ganhar dinheiro como mototaxistas ou cultivar terra própria. Outros sofrem maus-tratos, violência física e sexual.

### A condição de escravizado pode ser perdida?

A menos que o senhor o liberte, a condição é vitalícia e hereditária. Nem o casamento a apaga.

### O que o governo indonésio faz para acabar com a escravidão?

O governo afirma não querer impor mudanças abruptas. O ministro da Justiça defende acompanhar o desenvolvimento social de cada grupo étnico.

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