STF mantém prisão de Concierge do PCC ligado à máfia
O STF manteve a prisão de Willian Barile Agati, apontado como integrante da alta cúpula do PCC e elo com a máfia italiana 'Ndrangheta. A decisão foi assinada pelo ministro Nunes Marques nesta quarta-feira (26).
O STF (Supremo Tribunal Federal) manteve a prisão de Willian Barile Agati, apontado pelas autoridades como integrante da alta cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital) e elo da facção com a máfia italiana 'Ndrangheta. A decisão foi assinada pelo ministro Nunes Marques nesta quarta-feira (26), negando um pedido liminar de habeas corpus apresentado pela defesa. Os advogados também pleitearam a substituição da prisão por medidas cautelares, mas o ministro entendeu que não houve ilegalidade na prisão preventiva e que medidas alternativas seriam insuficientes diante dos elementos do processo.
Agati está preso na Penitenciária Federal de Brasília desde janeiro de 2025. A prisão decorre da Operação Mafiusi, deflagrada em dezembro do ano anterior, que identificou a estrutura criminosa e a ligação do réu com a máfia italiana. A PF (Polícia Federal) o apontou como "Concierge do PCC", uma espécie de "faz-tudo" da facção. As investigações indicam que ele usava embarcações no Porto de Paranaguá, no Paraná, e aeronaves privadas para enviar cocaína à Europa. Agati também é acusado de participar de um complô que teria resultado na execução de "Marcos P2", em abril de 2020. A Justiça Federal do Paraná marcou para outubro audiências para ouvir 50 testemunhas no processo que investiga o homicídio.
Segundo as investigações citadas no processo, Agati teria atuado na logística de grandes remessas de cocaína destinadas à Europa. A acusação relaciona o réu à morte de Marco Antonio Carvalho, conhecido como "Marcos P2", executado a tiros em abril de 2020 em um estacionamento de posto de combustível. O homicídio teria sido motivado por retaliação relacionada ao desaparecimento de duas cargas de cocaína avaliadas em milhões de dólares. As cargas pertenceriam a Agati e a um parceiro conhecido como "Grilo", com prejuízo estimado em cerca de US$ 4 milhões, já que deveriam ser enviadas do Porto de Paranaguá para a Espanha.
Para o ministro, a gravidade concreta dos crimes imputados a Agati e a necessidade de interromper as atividades do grupo criminoso justificam a manutenção da prisão preventiva, considerado o risco à ordem pública.
À CNN Brasil, a defesa informou que, embora a liminar tenha sido negada, ainda confia no julgamento do mérito. Eduardo Maurício, advogado de Agati, afirma que o habeas corpus requer a revogação da prisão preventiva por existir "agregação de fundamentação com evidente ausência de contemporaneidade" e prevalência da presunção de inocência até o trânsito em julgado, sendo o processo baseado em prova nula dos telefones criptografados Sky ECC. Quanto ao processo por homicídio, o advogado confia na inocência do cliente e na nulidade da prova obtida por interceptação telefônica ilegal do servidor Sky ECC, sem preservação da cadeia de custódia.
A decisão desta quarta-feira não encerra o caso. O mérito do habeas corpus ainda será julgado, e as audiências de outubro podem trazer novos elementos. Para quem acompanha a atuação do PCC e suas conexões internacionais, o desfecho deste processo pode indicar como a Justiça brasileira trata a cooperação entre facções e máfias estrangeiras. operação mafiusi pcc prisão preventiva stf