# SP: laudo descarta suicídio e aponta assassinato de Gisele

> O Instituto de Criminalística de São Paulo, em laudo complementar, descartou a hipótese de suicídio da soldado Gisele Alves Santana e apontou intervenção de segunda pessoa na morte. O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto responde como réu por feminicídio no caso.

*Portal Notícias MG · Cidade · 04 de setembro de 2026 · Marília Stefani*

Laudo complementar do Instituto de Criminalística de São Paulo descarta a hipótese de suicídio da soldado Gisele Alves Santana e aponta intervenção de segunda pessoa na morte. O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto é réu por feminicídio.

A hipótese de suicídio da soldado da Polícia Militar (PM) Gisele Alves Santana é incompatível com os elementos materiais analisados pela perícia. A conclusão consta em laudo complementar do Instituto de Criminalística de São Paulo, assinado na última terça-feira (1º). O documento aponta que houve intervenção de segunda pessoa na morte, o que reforça a tese de que ela foi assassinada, e não tirou a própria vida.

"A avaliação do conjunto de padrões de manchas [de sangue] e demais elementos objetivos identificados no local contradizem a hipótese de evento suicida", diz o texto. O laudo afirma ainda que "a hipótese de intervenção de segunda pessoa resistiu ao confronto com a totalidade dos elementos objetivos examinados, não tendo sido identificado elemento material que a contradissesse".

Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento em que morava com o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, hoje réu por feminicídio. Ele estava no local, chamou socorro e reportou o caso como suicídio. O registro foi alterado posteriormente para morte suspeita. A família contestou a versão desde o início. O réu foi preso em 18 de março, em São José dos Campos (SP), e segue detido no Presídio Militar Romão Gomes, na capital.

Em entrevista à Agência Brasil, o advogado da família, José Miguel Silva Junior, disse que o resultado não surpreende. "Desde o início, nós sempre trabalhamos com essa vertente [de feminicídio]. Os outros laudos são patentes também de que a Gisele não cometeu suicídio", afirmou. Ele lembrou que a perita, ao ser ouvida, deixou claro que a vítima não teria condições de cometer suicídio.

A nova audiência do caso ocorre na próxima terça-feira (8), quando o réu deverá ser interrogado. Laudos necroscópicos do Instituto Médico Legal (IML) já apontavam lesões contundentes na face e na região cervical, descritas como resultado de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal, ou seja, causado por unha. Uma testemunha vizinha disse ter ouvido um disparo às 7h28 do dia da morte; o acionamento do Copom por Geraldo Neto ocorreu às 7h57, intervalo de quase meia hora. O advogado também citou a foto da vítima com a arma na mão, tirada por socorristas, incomum em casos de suicídio, e o fato de três mulheres policiais terem ido ao apartamento horas após a ocorrência para limpeza, confirmado em depoimentos. feminicídio em MG

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