# Lula desautoriza dragagem emergencial e El Niño ameaça Tapajós

> O presidente Lula desautorizou a dragagem emergencial no rio Tapajós, contrariando auxiliares. Sem a obra, o fenômeno El Niño ameaça comprometer a navegação e o escoamento de milhões de toneladas de grãos na região.

*Portal Notícias MG · Cidade · 24 de julho de 2026 · Cláudia Resende*

Sob ameaça de seca extrema, o presidente Lula desautorizou a dragagem emergencial no rio Tapajós, contrariando auxiliares. Sem a obra, o El Niño pode comprometer a navegação e o escoamento de milhões de toneladas de grãos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desautorizou a dragagem emergencial no rio Tapajós (PA), mesmo com a ameaça de seca extrema e o comprometimento de um dos principais corredores logísticos de exportação de grãos. A decisão ocorreu em reunião no Palácio do Planalto, nesta quinta-feira (23), com representantes de ministérios e lideranças indígenas. Lula contrariou seus auxiliares e não acatou as recomendações para iniciar a dragagem de manutenção.

Sem a dragagem, o risco de paralisação parcial ou total do transporte de cargas pelo Tapajós é alto, diante de um El Niño que deve ser mais severo que o normal. O fenômeno, causado pelo aquecimento das águas do Pacífico, altera o regime de chuvas: no Norte, provoca seca e temperaturas elevadas, reduzindo o volume dos rios amazônicos.

## O impasse entre indígenas e o governo

Indígenas de 14 etnias ocuparam por quase um mês o terminal da Cargill em Santarém (PA), em janeiro e fevereiro, contra a dragagem de manutenção e a concessão da hidrovia. O projeto do Dnit foi engavetado. Diante do El Niño, um acordo de cooperação entre o Dnit e a Abani (Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior) foi resgatado. Empresas do Arco Norte se comprometeram a bancar a dragagem emergencial, cabendo ao governo apenas fiscalizar.

O empreendimento foi redimensionado para reduzir impactos: em vez de 3 milhões de m³ de sedimentos em três anos, seriam 1 milhão de m³ em 90 a 100 dias, em menos de 2% da extensão navegável do rio (cerca de 4 km). O cronograma foi alterado para evitar o período de reprodução de quelônios, e nenhuma comunidade indígena seria afetada em raio inferior a 10 km. Pela nova lei de licenciamento, dragagens de manutenção não precisam de licença do Ibama.

## Impactos no escoamento e no bolso do produtor

Segundo fontes do governo e do setor privado, a menor navegabilidade do Tapajós deve afetar o escoamento de 3,5 milhões a 5,5 milhões de toneladas de grãos (soja e milho) neste ano. Para produtores rurais do norte de Mato Grosso, a conta adicional com logística é estimada em R$ 500 milhões, com armazenamento ou rotas mais caras, como Santos (SP) ou Itaqui (MA).

A menor movimentação de cargas também impacta terminais portuários do Arco Norte e aumenta emissões de CO2. Um comboio de 25 barcaças transporta o mesmo volume de 1.700 caminhões ou seis composições ferroviárias. Estimativas indicam potencial emissão de 55 mil toneladas a mais de CO2 com restrições no Tapajós. As barcaças podem navegar com menos carga para evitar encalhes.

## Perguntas Frequentes

### Por que Lula desautorizou a dragagem?

Lula decidiu não acatar as recomendações de iniciar a dragagem após reunião com representantes de ministérios e lideranças indígenas, que ameaçaram protestos em pleno calendário eleitoral.

### O que é o El Niño e como afeta o Tapajós?

O El Niño aquece as águas do Pacífico, altera a circulação da atmosfera e provoca seca no Norte do Brasil, reduzindo o volume dos rios amazônicos e ameaçando a navegação.

### Quanto custa a alternativa logística para os produtores?

A conta adicional com escoamento logístico para produtores rurais do norte de Mato Grosso é estimada em R$ 500 milhões.

### A dragagem precisava de licença ambiental?

Pela nova lei de licenciamento, dragagens de manutenção que não alteram profundidade ou largura existente não precisam de licença do Ibama ou da Semas.

### Quantas toneladas de grãos podem deixar de ser escoadas?

A estimativa é de 3,5 milhões a 5,5 milhões de toneladas de grãos (soja e milho) afetadas neste ano, com possível impacto maior em 2027.

impacto do El Niño na logística brasileira hidrovias do Arco Norte e o escoamento de grãos

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