Sargento suspeito de matar capitã da PM passa por audiência de custódia
O sargento da PM Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, passa por audiência de custódia nesta quarta-feira (22), em Belo Horizonte, suspeito de matar a capitã Michele Leão Azevedo. A Justiça decidirá se a prisão em flagrante será convertida em preventiva.
O sargento da Polícia Militar Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, passa por audiência de custódia na manhã desta quarta-feira (22), em Belo Horizonte. Preso em flagrante por suspeita de matar a capitã da PM Michele Leão Azevedo, ele será apresentado à Justiça, que decidirá se a prisão será convertida em preventiva ou se o militar poderá responder ao processo em liberdade, com ou sem medidas cautelares.
O velório da capitã acontece das 9h às 15h, na Funerária São Cristóvão, no bairro Nova Gameleira. O sepultamento está previsto para as 16h, no Cemitério da Paz.
O que diz a investigação
A Polícia Militar de Minas Gerais foi acionada na noite de segunda-feira (20), depois que Michele Leão Azevedo deu entrada no Hospital Odilon Behrens sem sinais vitais. Conforme o boletim de ocorrência, a equipe médica concluiu que a capitã já estava morta havia entre quatro e seis horas. Os profissionais identificaram múltiplas lesões pelo corpo, incluindo traumatismo craniano, hematomas e inchaço nas pernas.
Durante o registro da ocorrência, o sargento afirmou que o casal realizou uma festa na residência e, após a saída dos convidados, manteve relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas, conhecidas como spanking. Segundo o militar, esse tipo de prática fazia parte do relacionamento havia cerca de oito anos e teria sido gravado em vídeo. Ele também alegou que as atividades envolveram agressões corporais, compressão do pescoço e outras formas de dominação.
Ainda conforme a versão apresentada por Eduardo, Michele sofreu uma queda da escada por volta do meio-dia, bateu a cabeça e reclamou de fortes tonturas. O sargento afirmou que prestou os primeiros socorros, controlou o sangramento e colocou a esposa para descansar. De acordo com o relato, ele percebeu que ela não respondia aos estímulos apenas no período da noite, quando decidiu levá-la ao hospital.
Evidências coletadas pela perícia
A investigação também reúne elementos encontrados durante a perícia no apartamento onde o casal morava. No Hospital Odilon Behrens, policiais militares constataram que o sargento descartou 18 comprimidos de ecstasy na lixeira do banheiro.
Além disso, conforme o boletim de ocorrência, a perícia verificou que as roupas de cama onde a vítima estava foram colocadas para lavar antes da chegada da polícia. Os peritos também localizaram um cabo de madeira quebrado na lixeira do prédio. A investigação apura se o objeto foi utilizado para agredir a capitã.
Outro fato que chamou a atenção ocorreu antes do acionamento da polícia. Um morador percebeu sangue escorrendo pela porta do apartamento e avisou o síndico do edifício. Em seguida, ao analisar as imagens das câmeras de segurança, o síndico viu o momento em que o sargento carregava Michele até o elevador, seguia para a garagem e a colocava dentro do carro para levá-la ao hospital.
O que pode acontecer na audiência de custódia
A audiência de custódia desta quarta-feira marca a primeira análise judicial da prisão em flagrante do sargento. Durante a sessão, o juiz avaliará a legalidade da prisão e decidirá se ela será convertida em prisão preventiva ou se o militar poderá responder ao processo em liberdade, com ou sem medidas cautelares.
A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil, que trabalha para esclarecer as circunstâncias da morte da capitã Michele Leão Azevedo.
Perguntas Frequentes
O que é audiência de custódia?
É a primeira apresentação do preso em flagrante à Justiça, onde o juiz avalia a legalidade da prisão e decide se ela será mantida ou não.
O sargento pode responder em liberdade?
Sim, o juiz pode conceder liberdade provisória, com ou sem medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica.
Quando ocorreu a morte da capitã?
A Polícia Militar foi acionada na noite de segunda-feira (20), após Michele dar entrada no hospital sem sinais vitais.
O que a perícia encontrou no apartamento?
A perícia localizou roupas de cama lavadas, um cabo de madeira quebrado na lixeira e 18 comprimidos de ecstasy descartados pelo sargento no hospital.
Quem investiga o caso?
A investigação está sob responsabilidade da Polícia Civil de Minas Gerais.