Pronto! Juiz de Fora: sistema de R$ 6 mi e queixas
Contratado por cerca de R$ 6 milhões para modernizar a saúde municipal, o sistema Pronto! segue em implantação em Juiz de Fora mais de um ano após o lançamento e acumula queixas de profissionais e pacientes.
Apresentado pela Prefeitura de Juiz de Fora em abril de 2025 como ferramenta para modernizar a rede municipal de saúde, integrar informações e reduzir a burocracia dos pacientes, o Pronto! continua em processo de implantação mais de um ano depois do lançamento. Nesse período, o sistema de prontuário eletrônico virou alvo de reclamações de profissionais, motivou audiências públicas na Câmara Municipal e segue em investigação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) sobre sua contratação.
O Pronto! começou a ser implementado nas Unidades Básicas de Saúde em abril de 2025 para substituir o e-SUS APS, ferramenta oferecida gratuitamente pelo Ministério da Saúde. A contratação da empresa Vivver Sistemas Ltda., por pregão eletrônico, foi divulgada à época no valor de aproximadamente R$ 6 milhões e provocou questionamentos de servidores e do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Juiz de Fora (Sinserpu-JF).
A plataforma foi contratada para reunir etapas da assistência, como prontuários, agendamentos, farmácia e vigilância em saúde, em ambiente integrado. Entre as mudanças anunciadas estava a possibilidade de o próprio encaminhamento para consultas e procedimentos avançar pelo sistema, reduzindo o deslocamento até as unidades para marcações. Procurada pela Tribuna de Minas, a Prefeitura reafirma que a implantação está ocorrendo.
Enquanto o Executivo sustenta que o processo avança, problemas de uso seguem em discussão. Profissionais relataram à Câmara dificuldades para localizar históricos clínicos, lentidão, necessidade de sistemas paralelos e demora no suporte técnico. O presidente da Comissão de Saúde Pública e Bem-Estar Social, vereador Marcelo Condé (Avante), defende que a preocupação ultrapassa a questão tecnológica. "O sistema deve facilitar o trabalho da equipe de saúde, e não criar uma nova barreira", disse à Tribuna.
É nesse contexto que aparece o relato da professora Maria Laura Muller, que acompanha a tia, Maria Cecília Muller, de 81 anos, nos atendimentos pelo SUS. Em poucas semanas, ela conta ter recebido informações ambíguas sobre marcação de exame, SMS com campos essenciais sem preenchimento e indicação incorreta do local de outro procedimento. Em comprovante de agendamento de uma endoscopia, data e horário apareciam em destaque, enquanto no fim do texto a orientação informava que a paciente deveria comparecer para receber instruções e realizar o agendamento. Maria Laura alega que outros pacientes também entenderam que fariam o exame naquele dia, formando uma fila de idosos em jejum. Após o episódio, procurou a ouvidoria e recebeu retorno com "rejeição de registro da demanda", sob a justificativa "assunto não pertinente".
Em 21 de julho deste ano, outro aviso chegou ao celular dela com os campos do modelo da mensagem: "{PrimeiroNomePaciente}", "{NumeroSolicitacao}" e "{DataAgendamento}". Em outro procedimento da tia, o endereço informado estava incorreto. "Eu estava de carro e consegui levar minha tia. Mas tinha cadeirante, gente idosa, pessoas com dificuldade de locomoção. E quem tinha ido de ônibus?", questiona.
As dificuldades chegaram à Câmara em setembro de 2025, em audiência sobre filas de exames e consultas, e voltaram em julho deste ano, quando a Comissão de Saúde listou lentidão, instabilidade de internet, demora no suporte e falhas na migração de históricos. Como encaminhamento, propôs reforço do suporte técnico, investimentos em infraestrutura, capacitação permanente, conclusão da integração dos dados clínicos, criação de grupo permanente de acompanhamento e divulgação de indicadores públicos. saúde pública em Minas
Contactado após a audiência, Condé respondeu que os problemas não podem ficar restritos ao debate na Câmara e defendeu acompanhamento contínuo das providências do Executivo. Ele não apontou medida específica já concluída pela Prefeitura em decorrência dos encaminhamentos de julho. "Não estamos tratando apenas de uma questão administrativa ou tecnológica. Estamos tratando de uma ferramenta que interfere diretamente na prestação do serviço de saúde", elenca. Para a professora Maria Laura, falhas de comunicação aumentam obstáculos no acesso. "A população sofre por coisas fáceis de resolver", resume. interior de Minas e serviços públicos