Postura do Irã não muda após ataques e Trump fica com poucas opções
Após duas semanas de bombardeios, a postura do Irã não muda e o presidente dos EUA, Donald Trump, fica com poucas opções. Avaliações da CIA indicam que os ataques dificilmente alterarão a posição iraniana, enquanto o Catar ameaça abandonar as negociações.
Postura do Irã não muda após onda de ataques e Trump fica com poucas opções
Após duas semanas de uma nova campanha de bombardeios contra o Irã, a postura do Irã não muda e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fica com poucas opções. Avaliações da CIA e da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA indicam que o tipo de bombardeio realizado dificilmente alterará a posição de negociação iraniana, segundo duas autoridades americanas a par dessas avaliações.
Por que a postura do Irã não muda com os bombardeios?
A postura do Irã não muda porque, embora as forças militares convencionais dos EUA sejam muito superiores, os dois lados travam guerras diferentes. A Casa Branca promove uma escalada vertical, atingindo alvos cada vez mais sensíveis dentro do Irã. Já o Irã, com defesas aéreas degradadas, opta por uma escalada horizontal: ataca aliados dos EUA na região e infraestruturas civis para incitar a comunidade internacional a pressionar Trump por um fim do conflito.
O regime iraniano demonstrou disposição para suportar danos econômicos e militares, acreditando que pode resistir mais tempo do que o interesse político de Trump na continuidade do conflito, afirmou Alex Vatanka, analista do Middle East Institute em Washington especializado no Irã. "Aqueles que se opõem à diplomacia partem da premissa fundamental de que os EUA nunca cumprem o que prometem. Mas não são essas as pessoas que governam o Irã hoje", disse Vatanka.
O papel do Catar nas negociações
O principal mediador entre os dois lados, o Catar, ameaçou abandonar as negociações depois que o Irã atacou um navio-tanque catariano no início deste mês. Isso representaria uma perda devastadora e possivelmente irreparável para os esforços diplomáticos, segundo duas fontes do governo americano. A CNN entrou em contato com a embaixada do Catar em Washington, D.C., mas não obteve comentários antes da publicação desta matéria.
O Estreito de Ormuz e a pressão econômica
O Estreito de Ormuz, uma via econômica vital, permanece em grande parte bloqueado depois que o Irã insistiu em ter autoridade para controlar o tráfego, impondo seu poder por meio de ações esporádicas com drones e ameaças de minas. O fechamento do estreito tornou-se a questão central do conflito desde que Trump iniciou essa guerra.
Potencializando a crescente pressão econômica, surgem novas ameaças do grupo Houthi, alinhado ao Irã, que afirmou que atacará navios que passem por Bab al-Mandab, a passagem para o Mar Vermelho que tem servido como válvula de escape para parte do petróleo da Arábia Saudita durante o conflito. O grupo alegou ter atacado dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho na madrugada desta quinta-feira (23).
As opções limitadas de Trump
Trump fica com poucas opções. Ele poderia escalar o conflito enviando tropas terrestres, uma ameaça que fez repetidamente ao falar sobre ocupar a Ilha de Kharg ou remover o urânio altamente enriquecido do Irã. Isso violaria uma promessa fundamental feita à sua base "MAGA": "Não enviarei vocês para lutar e morrer em guerras estrangeiras estúpidas que nunca terminam", disse ele durante um comício de campanha na Pensilvânia.
Trump também sinalizou que os EUA planejam atacar uma suposta instalação nuclear sob a Montanha Pickaxe, perto da instalação nuclear de Natanz. Ou então ele poderia aceitar um status quo perigoso: rodadas intermináveis de ataques e contra-ataques, que provavelmente custariam mais vidas americanas e deixariam o Estreito de Ormuz em perigo constante.
Na quarta-feira (22), Trump pareceu sinalizar esse caminho em uma publicação na rede social Truth Social, prometendo que "sempre que a República Islâmica do Irã disparar contra um navio no Estreito de Ormuz... os Estados Unidos bombardearão e destruirão UMA PONTE OU USINA DE ENERGIA".
Pressão no Senado e restrição de informações
Na terça-feira (21), altos funcionários da área de defesa enfrentaram forte pressão de legisladores do Comitê de Apropriações do Senado, que exigiam uma estratégia clara para a guerra. "Precisamos de respostas concretas e de franqueza", disse o senador John Kennedy, republicano da Louisiana, pressionando o Secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o Chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, sobre as consequências de uma eventual retirada dos EUA do conflito.
Sob intensa pressão da Casa Branca para provar que a guerra está indo bem, Hegseth e o comandante do Centcom, Almirante Brad Cooper, tomaram medidas para restringir o compartilhamento de informações sobre o conflito com outros setores das Forças Armadas e da comunidade de inteligência, conforme noticiado anteriormente pela CNN.
O dilema estratégico americano
"Esta é uma campanha de bombardeios em busca de uma estratégia", disse Joe Kent, ex-integrante do governo Trump nomeado para cargo político, que renunciou devido à escalada que antecedeu o conflito, em uma publicação no X. "Estamos optando pela escalada quando a desescalada ainda é uma opção, aprofundando nosso envolvimento em uma guerra mais ampla que não temos capacidade nem vontade de sustentar. Não existe aqui uma solução militar que leve à vitória", continuou Kent.
Autoridades do governo Trump insistem que o objetivo do conflito continua sendo impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear. No entanto, essa mensagem tem sido prejudicada pela insistência do governo de que havia "aniquilado" as capacidades nucleares iranianas em uma série de ataques no ano passado.
Os Estados Unidos também retomaram um bloqueio que, na avaliação de alguns analistas, pode estar sendo mais eficaz para levar o Irã a fazer concessões do que os bombardeios. Mas, por enquanto, a capacidade do Irã de ameaçar o Estreito de Ormuz, e seus vizinhos, continua sendo sua principal fonte de influência.
Perguntas Frequentes
Por que a postura do Irã não muda com os bombardeios dos EUA?
A postura do Irã não muda porque o país adota uma estratégia de escalada horizontal, atacando aliados dos EUA na região e infraestruturas civis, em vez de buscar uma negociação direta. Avaliações da CIA indicam que os bombardeios dificilmente alterarão sua posição.
Qual o papel do Catar nas negociações entre EUA e Irã?
O Catar é o principal mediador entre os dois lados, mas ameaçou abandonar as negociações após o Irã atacar um navio-tanque catariano. Isso representaria uma perda devastadora para os esforços diplomáticos.
O que é o Estreito de Ormuz e por que ele é importante?
O Estreito de Ormuz é uma via econômica vital por onde passa grande parte do petróleo mundial. Ele permanece em grande parte bloqueado devido ao controle iraniano, imposto por ações com drones e ameaças de minas.
Quais as opções de Trump para o conflito?
Trump pode escalar o conflito com tropas terrestres, atacar instalações nucleares iranianas ou aceitar um status quo de ataques intermináveis. Cada opção apresenta riscos políticos e militares significativos.
O que dizem os analistas sobre a guerra?
Analistas como Alex Vatanka, do Middle East Institute, afirmam que o Irã acredita poder resistir mais tempo do que o interesse político de Trump na continuidade do conflito. Joe Kent, ex-integrante do governo, descreveu a campanha como "bombardeios em busca de uma estratégia".