Postos no RJ usaram licença falsa assinada por secretário morto
A Polícia Federal investiga o uso de licenças ambientais falsas apresentadas à ANP para autorizar a abertura de postos em São Gonçalo. Documentos tinham assinatura de secretário que morreu em 2020, três anos antes da emissão.
Postos no RJ usaram licença falsa assinada por secretário morto em 2020, aponta PF
A Polícia Federal investiga o uso de licenças ambientais falsas apresentadas à Agência Nacional do Petróleo (ANP) para autorizar a abertura de postos de combustíveis em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Os documentos levavam a assinatura do ex-secretário municipal de Meio Ambiente José Rafael de Abreu Magalhães, o Fael, que morreu em agosto de 2020, três anos antes da emissão das licenças.
Resposta direta: A PF aponta que postos investigados por lavagem de dinheiro no RJ usaram licenças ambientais falsas, assinadas em 2023 por um secretário que morreu em 2020. A fraude foi constatada em dois postos de São Gonçalo, que apresentaram os documentos à ANP para autorizar a abertura.
Como a fraude foi constatada
A fraude já foi constatada em dois postos: o VIP Catarina e o Pitubinha. Ambos têm como sócia a empresária Luisi Pinho, mulher do policial civil José Carlos Alves de Souza. No Pitubinha, a outra sócia é Luana Oliveira, esposa do também policial civil Pablo Jukia Félix Ferreira, conhecido como Pablo Russo.
Os documentos apresentados à ANP tinham a assinatura de Fael, que morreu em agosto de 2020. As licenças, porém, foram emitidas em 2023. A diferença de três anos entre a morte do secretário e a emissão dos papéis é um dos indícios que levaram a PF a tratar os documentos como falsos.
Quem são os investigados
Além de Luisi Pinho e Luana Oliveira, outro investigado é Hugo Correia da Cruz, conhecido como Hugo Canelão. Segundo a Polícia Federal, ele administrava diversas empresas do grupo investigado e seria apadrinhado político do prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), que também é investigado, chegou a ser preso e responde em liberdade.
José Carlos Alves de Souza, marido de Luisi Pinho, também foi alvo de mandados de busca e apreensão. Todos os quatro, Luisi Pinho, Luana Oliveira, Hugo Correia da Cruz e José Carlos Alves de Souza, foram alvo de mandados expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sexta fase da Operação Unha e Carne.
O papel da ANP na fiscalização
A ANP é o órgão responsável por autorizar a abertura e o funcionamento de postos de combustíveis no país. Para isso, exige uma série de documentos, incluindo a licença ambiental municipal. Quando o documento é falso, o posto pode operar sem o devido controle ambiental, o que representa risco para a população e para o meio ambiente.
No caso de São Gonçalo, a suspeita é que as licenças falsas tenham sido usadas para dar aparência de regularidade a empreendimentos ligados a um esquema maior de lavagem de dinheiro. A PF não detalhou, até o momento, o valor movimentado ou o período exato das operações.
O que dizem as defesas
O g1 tenta contato com as defesas de Luisi Pinho, Luana Oliveira e Hugo Correia da Cruz. Até a publicação desta reportagem, não havia retorno. A reportagem também busca posicionamento dos demais citados.
A defesa de José Carlos Alves de Souza não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestação.
Entenda a Operação Unha e Carne
A Operação Unha e Carne é conduzida pela Polícia Federal e chegou à sexta fase com os mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF. O nome da operação não foi explicado pela PF nesta fase, mas a investigação tem como foco suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis.
A sexta fase da operação mirou endereços ligados aos investigados. Os mandados foram cumpridos em São Gonçalo e em outras localidades, conforme a PF, que não detalhou os endereços.
Riscos para o consumidor
Para quem abastece, o alerta é sobre a regularidade do posto. Uma licença ambiental falsa pode indicar que o estabelecimento não passou por vistorias obrigatórias, como as de segurança e de controle de vazamento. Isso não significa que todo posto investigado esteja irregular, mas reforça a importância de o consumidor verificar se o estabelecimento tem a bandeira e os selos de órgãos como a ANP.
A ANP mantém um canal de denúncias para o cidadão informar suspeitas de irregularidades em postos. A orientação é que o consumidor guarde o comprovante de abastecimento e, em caso de dúvida, registre a ocorrência.
Próximos passos da investigação
A PF não informou quando a investigação deve ser concluída. Os próximos passos incluem a análise do material apreendido nos mandados de busca e apreensão e a oitiva dos envolvidos. O STF, que expediu os mandados, segue como instância responsável pelo caso.
A apuração também deve verificar se outras licenças falsas foram usadas em outros postos da região. Até agora, a fraude foi constatada em dois estabelecimentos, mas a PF não descarta a existência de mais casos.
Perguntas Frequentes
O que é uma licença ambiental falsa?
É um documento que imita uma licença válida, mas que não foi emitido pelo órgão competente. No caso, a assinatura do ex-secretário morto em 2020 é um indício de que os papéis foram fabricados depois.
Quais postos são investigados?
Os postos VIP Catarina e Pitubinha, ambos em São Gonçalo. Eles têm como sócia a empresária Luisi Pinho.
O que a ANP faz com postos que usam documentos falsos?
A ANP pode suspender a autorização de funcionamento e aplicar multas. A responsabilização criminal, porém, é da Polícia Federal e da Justiça.
Como o consumidor pode denunciar um posto suspeito?
Pelo canal de denúncias da ANP, que aceita relatos de irregularidades como venda de combustível adulterado ou suspeita de documentação falsa.
O que é a Operação Unha e Carne?
É uma investigação da Polícia Federal sobre lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis. A sexta fase foi autorizada pelo STF e incluiu mandados de busca e apreensão.
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