Por que as cidades dos EUA estão tomadas por fumaça? Entenda as causas
Moradores de Nova York, Chicago e Los Angeles relatam céu alaranjado e ar irrespirável. A fumaça que cobre cidades dos EUA tem origem em incêndios florestais no Oeste e no Canadá, agravados por mudanças climáticas. Entenda as causas, os riscos à saúde e o que esperar.
Moradores de bairros periféricos de Nova York acordaram com o céu alaranjado e o cheiro de queimado invadindo as casas. A fumaça que cobre cidades dos EUA não é fruto de um acidente isolado: ela vem de incêndios florestais no Oeste americano e no Canadá, que, segundo a Agência de Proteção Ambiental (EPA), liberam partículas finas (PM2.5) capazes de viajar por mais de 500 quilômetros. O fenômeno, agravado por secas prolongadas e ventos fortes, já levou autoridades a emitirem alertas de qualidade do ar em 12 estados.
A fumaça que cobre cidades dos EUA tem origem nos incêndios florestais que consomem milhões de hectares por ano. Dados do Serviço Florestal dos EUA (USFS) indicam que, em 2025, mais de 3,2 milhões de hectares foram queimados no país. No Canadá, a temporada de 2025 também foi recorde, com 7,8 milhões de hectares destruídos, segundo o Centro Interagencial de Incêndios Florestais do Canadá (CIFFC). Essas queimadas liberam uma combinação de gases e partículas que, levadas pelo vento, alcançam centros urbanos como Nova York, Chicago e Washington D.C.
Como a fumaça chega às cidades
A corrente de jato, um fluxo de vento em alta altitude, transporta a fumaça por milhares de quilômetros. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) explica que, durante o verão, os ventos predominantes sopram de oeste para leste, levando a pluma de fumaça das montanhas Rochosas para a costa leste. Em junho de 2026, imagens de satélite da NASA mostraram a fumaça cruzando a fronteira entre Canadá e EUA e alcançando a região dos Grandes Lagos em menos de 48 horas.
A qualidade do ar medida pelo índice AQI (Air Quality Index) da EPA atingiu níveis "perigosos" (acima de 300) em cidades como Detroit e Pittsburgh. A EPA recomenda que, nesses níveis, toda a população evite atividades ao ar livre. Moradores de bairros mais pobres, sem ar-condicionado ou purificadores de ar, são os mais afetados. A prefeitura de Nova York distribuiu máscaras N95 em centros comunitários, mas a procura superou a oferta.
Impacto na saúde respiratória
A exposição à fumaça causa irritação nos olhos, nariz e garganta, além de agravar doenças como asma e bronquite crônica. A Associação Americana do Pulmão (ALA) alerta que as partículas finas PM2.5 penetram nos alvéolos pulmonares e entram na corrente sanguínea, aumentando o risco de ataques cardíacos e derrames. Dados de 2025 mostram que, durante os picos de fumaça, as visitas a emergências por problemas respiratórios cresceram 40% em cidades como Chicago, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).
Grupos vulneráveis, como crianças, idosos e gestantes, são orientados a permanecer em ambientes fechados com purificadores de ar. A EPA sugere que, em dias de fumaça intensa, as pessoas usem máscaras N95 ao sair de casa. Mas a medida não é suficiente para quem mora em áreas sem isolamento adequado.
O papel das mudanças climáticas
Cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) associam o aumento da frequência e intensidade dos incêndios florestais ao aquecimento global. O relatório de 2025 do IPCC indica que a temperatura média global subiu 1,3°C em relação aos níveis pré-industriais, prolongando as estações de seca e criando condições ideais para o fogo. A NOAA confirma que a temporada de incêndios no Oeste dos EUA começa agora um mês mais cedo do que na década de 1980.
A combinação de seca histórica, ondas de calor e ventos fortes transforma regiões como a Califórnia e o Oregon em verdadeiros pavios. Em 2025, o estado da Califórnia registrou 8.000 incêndios, 20% a mais que a média dos últimos dez anos, segundo o Departamento de Silvicultura e Proteção contra Incêndios da Califórnia (CAL FIRE).
O que esperar para os próximos meses
A previsão do Centro de Previsão do Clima (CPC) da NOAA indica que as condições de seca e calor devem persistir no Oeste dos EUA até o final do verão de 2026. Isso significa que novas ondas de fumaça são esperadas, especialmente em agosto e setembro. As autoridades recomendam que a população monitore os aplicativos de qualidade do ar e tenha um plano de emergência.
Para quem quer se informar ou reclamar, a EPA mantém o site AirNow (airnow.gov) com dados em tempo real do AQI por cidade. A ouvidoria da agência atende pelo telefone 1-800-438-2474. Moradores de áreas afetadas podem também acionar a Defesa Civil local.
Perguntas Frequentes
A fumaça pode causar danos permanentes à saúde?
Sim, a exposição prolongada a partículas finas pode causar doenças crônicas respiratórias e cardiovasculares. A ALA recomenda limitar a exposição sempre que o AQI ultrapassar 150.
Por que a fumaça chega a cidades distantes dos incêndios?
A corrente de jato transporta a fumaça por milhares de quilômetros. Em 2025, a fumaça de incêndios no Canadá chegou à Europa, segundo a NASA.
Como saber se o ar está seguro?
Consulte o site AirNow da EPA ou aplicativos como IQAir. O índice AQI varia de 0 (bom) a 500 (perigoso). Acima de 150, evite atividades ao ar livre.
O que fazer em dias de fumaça intensa?
Fique em casa com portas e janelas fechadas. Use purificador de ar com filtro HEPA. Se precisar sair, use máscara N95.
As queimadas controladas contribuem para a fumaça?
Sim, queimadas controladas para manejo florestal também liberam fumaça, mas em escala menor. O USFS regula essas práticas para minimizar danos.
A mudança climática é a única causa?
Não, mas ela agrava as condições que favorecem incêndios: seca, calor e ventos. A gestão florestal e a ocupação humana também influenciam.