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Policiais fugiram de delegacia e deixaram 49 celulares, aponta MP

ResumoA Operação Merx, da Corregedoria da Polícia Civil, encontrou 49 celulares lacrados, R$ 19,5 mil em dinheiro e dois revólveres em salas de investigadores do 1º DP de Barueri. Policiais alvos da fiscalização fugiram da delegacia antes da chegada dos corregedores, conforme apontou o Ministério Público.

Fiscalização da Corregedoria da Polícia Civil encontrou 49 celulares lacrados, R$ 19,5 mil em dinheiro e dois revólveres em salas de investigadores do 1º DP de Barueri. Policiais alvos da Operação Merx deixaram o local antes da chegada dos corregedores.

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 28 de agosto de 2026 · 3 min de leitura
Policiais fugiram de delegacia e deixaram 49 celulares, aponta MP

Uma fiscalização da Corregedoria da Polícia Civil encontrou 49 celulares lacrados, R$ 19,5 mil em dinheiro e dois revólveres nas salas de investigadores do 1º Distrito Policial de Barueri, na Grande São Paulo. Os policiais Marcos Vinicius de Souza Melo e Vagner Ramalho, alvos da Operação Merx, deflagrada nesta sexta-feira (28), haviam deixado a delegacia pouco antes da chegada dos corregedores, segundo a decisão que determinou a prisão preventiva dos dois.

A fiscalização foi realizada após uma denúncia anônima apontar que policiais da unidade teriam interceptado uma carga de celulares e omitido parte dos aparelhos do boletim de ocorrência. Segundo a denúncia, os agentes teriam exigido R$ 900 mil para devolver os produtos ao proprietário.

Quando os corregedores chegaram ao 1º DP de Barueri, as salas dos investigadores estavam trancadas. No espaço utilizado por Vagner Ramalho, a equipe encontrou sinais de que ele havia deixado o local pouco antes da fiscalização. O ar-condicionado e as luzes permaneciam ligados, enquanto o computador estava desbloqueado e com o WhatsApp Web aberto. Sobre a mesa, os agentes encontraram a CNH do investigador, três celulares e R$ 4 mil em espécie. A pistola particular de Ramalho não foi localizada na sala. Segundo os documentos da investigação, o policial foi procurado para acompanhar a diligência, mas se recusou a comparecer à delegacia.

Na sala do investigador-chefe Marcos Vinicius de Souza Melo, os corregedores encontraram 49 celulares lacrados dentro de um saco de lixo. Os aparelhos tinham marcas e modelos semelhantes aos da carga que, segundo a denúncia, teria sido parcialmente omitida no registro policial. Outros seis celulares novos estavam sobre a mesa do investigador-chefe. No cofre de armamento da sala, foram encontrados ainda R$ 19.577 em dinheiro vivo. Os agentes também localizaram dois revólveres calibre .38 registrados em nome de terceiros que não tinham vínculo com a unidade policial. Marcos Vinicius também não compareceu à delegacia durante a fiscalização e forneceu remotamente a senha para acesso à sala.

Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do MPSP (Ministério Público de São Paulo), os dois investigadores são suspeitos de integrar uma organização criminosa que atuava na abordagem de cargas de eletrônicos contrabandeados. As investigações apontam que policiais envolvidos no esquema cobravam valores equivalentes a 70% das mercadorias para liberar caminhões ou devolver parte dos produtos apreendidos.

A apuração integra a Operação Merx, que investiga um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo policiais civis, contrabandistas e um advogado. Com base nas informações reunidas pela Corregedoria e pelo Ministério Público, o juiz Djalma Moreira Gomes Junior, da Vara Regional das Garantias de Osasco, decretou a prisão preventiva de Marcos Vinicius e Vagner Ramalho. Na decisão, o magistrado considerou que as medidas cautelares alternativas à prisão seriam insuficientes diante da gravidade dos fatos investigados e do risco de interferência na produção de provas.

A Operação Merx cumpriu mandados em São Paulo, Paraná e Goiás. Ao todo, sete pessoas tiveram a prisão preventiva decretada. A Justiça também determinou o afastamento de um investigador e o bloqueio e sequestro de até R$ 4 milhões em bens dos investigados. A CNN Brasil não localizou a defesa dos citados. O espaço segue aberto.

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