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Operação policial contra grupo armado que invadiu fazenda e vendia lotes em RO

ResumoA Operação policial em Rondônia cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão contra grupo armado suspeito de invadir fazenda na zona rural de Porto Velho. O grupo vendia lotes de forma ilegal na capital e em cidades do interior. A ação visa desarticular a organização criminosa responsável pela invasão e comercialização irregular de terras.

A Polícia Civil de Rondônia deflagrou operação contra grupo armado suspeito de invadir uma fazenda na zona rural de Porto Velho e vender lotes de forma ilegal. A ação cumpre mandados de prisão e busca e apreensão na capital e em cidades do interior.

Inácio Bicalho
Inácio Bicalho Repórter de Interior e Agro · 17 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Operação policial contra grupo armado que invadiu fazenda e vendia lotes em RO

Polícia faz operação contra grupo armado suspeito de invadir fazenda e vender lotes em RO

A Polícia Civil de Rondônia deflagrou na manhã desta terça-feira (27) uma operação contra um grupo armado suspeito de invadir uma fazenda na zona rural de Porto Velho e vender lotes de forma ilegal. A ação, batizada de Operação Terra Prometida, cumpre 12 mandados de prisão temporária e 18 de busca e apreensão na capital e nos municípios de Candeias do Jamari e Itapuã do Oeste. Segundo a Polícia Civil, o grupo usava ameaças e violência para coagir posseiros e funcionários da propriedade invadida, que tem cerca de 2 mil hectares. A investigação começou em 2024, após denúncias de moradores e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porto Velho.

Resposta direta: A Polícia Civil de Rondônia, com apoio da Polícia Militar, cumpre nesta terça-feira (27) mandados de prisão e busca e apreensão contra um grupo armado suspeito de invadir uma fazenda na zona rural de Porto Velho e lotear a área sem autorização. A operação mira líderes e laranjas do esquema de grilagem. Até o momento, seis pessoas foram presas.

Invasão e loteamento ilegal

O grupo invadiu a fazenda em 2023, derrubou cercas e construiu barracos. Depois, passou a vender lotes de 500 a 2 mil metros quadrados por valores entre R$ 5 mil e R$ 20 mil, sem escritura ou registro em cartório. "Eles prometiam título de posse e até água encanada. Muita gente comprou achando que era legal", conta José Ribamar, de 52 anos, morador do assentamento vizinho. A Polícia Civil identificou ao menos 47 vítimas, a maioria trabalhadores rurais de baixa renda.

A suspeita é que o grupo usava documentos falsos para simular a posse da área, incluindo contratos de gaveta e recibos forjados. O esquema movimentou cerca de R$ 800 mil, segundo estimativa da delegacia de crimes fundiários. A operação desta terça-feira apreendeu armas de fogo, munições, computadores e uma caminhonete Hilux.

Grilagem avança no interior de RO

Rondônia é um dos estados com maior índice de conflitos fundiários na Amazônia Legal. Dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) indicam que 30% das terras rurais no estado têm pendências de regularização. A grilagem, falsificação de títulos de propriedade, é uma prática histórica na região, mas tem se intensificado com a valorização de terras para pastagem e soja. "A pressão sobre terras públicas e devolutas cresceu nos últimos cinco anos", afirma o procurador do Ministério Público Federal em Rondônia, Luís Carlos de Oliveira.

A Operação Terra Prometida é a segunda grande ação contra grilagem em 2026. Em fevereiro, a Polícia Federal já havia deflagrado a Operação Grilo, que prendeu 14 pessoas em Vilhena e Cerejeiras. Desta vez, o foco é a região metropolitana de Porto Velho, onde a expansão imobiliária urbana avança sobre o campo.

Quem são os suspeitos

A investigação apontou três líderes do grupo: um empresário de 45 anos, dono de uma imobiliária em Porto Velho; um advogado, que orientava a falsificação de documentos; e um ex-policial militar, que coordenava a segurança armada. Todos tiveram a prisão decretada pela 2ª Vara Criminal de Porto Velho. A defesa dos suspeitos ainda não se manifestou.

A delegada responsável, Ana Paula Mendes, afirma que o grupo agia com violência. "Eles expulsaram posseiros que viviam na área há décadas, queimaram barracos e ameaçaram de morte quem denunciasse", diz. Pelo menos duas pessoas foram agredidas a facão, segundo boletins de ocorrência.

Impacto nas comunidades

A invasão afetou diretamente a vida de famílias que já viviam na região. Dona Maria do Carmo, de 61 anos, morava há 15 anos em um lote próximo à fazenda invadida. "Eles chegaram dizendo que a terra era deles, que eu tinha que sair. Me deram 48 horas. Perdi tudo que plantei", conta. Ela e outras 12 famílias foram reassentadas pela prefeitura em um abrigo provisório. A Secretaria de Assistência Social de Porto Velho diz que acompanha o caso e oferece cestas básicas e atendimento psicológico.

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porto Velho estima que mais de 200 famílias vivem em áreas de conflito fundiário na região metropolitana. A entidade cobra do governo estadual a criação de um programa de regularização fundiária urgente.

Ação policial e próximos passos

A Polícia Civil informou que a operação continua em andamento e que novas prisões podem ocorrer. Os presos serão encaminhados ao presídio de Porto Velho, onde aguardarão audiência de custódia. A investigação agora mira o patrimônio dos suspeitos, com pedidos de bloqueio de bens e contas bancárias.

O Ministério Público de Rondônia também abriu inquérito civil para apurar a responsabilidade de cartórios que registraram os contratos falsos. A Corregedoria-Geral de Justiça do estado foi acionada para fiscalizar as serventias extrajudiciais.

Perguntas Frequentes

O que é a Operação Terra Prometida?

É uma ação da Polícia Civil de Rondônia contra um grupo armado que invadiu uma fazenda e vendia lotes ilegalmente. Foram cumpridos 12 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão.

Quantas pessoas foram presas?

Seis pessoas foram presas até o momento, entre elas o líder do grupo, um advogado e um ex-policial militar.

Como denunciar casos de grilagem?

Denúncias podem ser feitas à Polícia Civil pelo telefone 197, ao Ministério Público Federal ou ao Incra. Também é possível usar o Disque 100.

O que é grilagem?

É a falsificação de documentos para se apropriar ilegalmente de terras, geralmente públicas ou devolutas. A prática é crime previsto no Código Penal.

As vítimas vão receber indenização?

A Justiça pode determinar reparação aos compradores dos lotes, mas depende de ação judicial. A Defensoria Pública de Rondônia oferece assistência jurídica gratuita.

Quanto tempo dura a investigação?

A Polícia Civil estima que a fase atual da operação se encerre em 60 dias, com a conclusão dos interrogatórios e análises de documentos apreendidos.

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