Morte súbita em corrida: causas, riscos e como prevenir
Mortes súbitas durante corridas, como a do corredor Júlio Barreto, 50, na SP City Marathon, são raras, mas podem ocorrer mesmo em pessoas aparentemente saudáveis, especialmente com doenças cardiovasculares não diagnosticadas.
A morte do corredor Júlio Barreto, 50, durante a SP City Marathon no domingo (26/7), reacendeu um alerta que muita gente prefere ignorar: mesmo quem parece saudável pode estar em risco. Eu conversei com especialistas para entender o que realmente acontece e como evitar que o esforço vire tragédia.
A morte súbita cardíaca é caracterizada por um óbito inesperado, geralmente precedido de perda abrupta da consciência, e pode ocorrer até uma hora após o início dos sintomas, explica a cardiologista Thaís Pinheiro Lima, especialista em cardiometabolismo.
O que causa a morte súbita durante a corrida?
Segundo Thaís, o esforço físico intenso, a desidratação e o aumento de hormônios como cortisol e adrenalina estimulam o sistema nervoso simpático, elevando a frequência cardíaca. Isso pode desencadear a ruptura de placas de gordura nas artérias coronárias, formando um coágulo que bloqueia o fluxo de sangue para o coração e provoca infarto ou arritmias fatais.
Diferença por idade
A causa varia conforme a faixa etária. Em atletas jovens, principalmente abaixo dos 35 anos, predominam doenças genéticas ou congênitas, como a cardiomiopatia hipertrófica. Já entre pessoas acima dos 40 anos, a principal preocupação é a doença arterial coronariana.
"Mesmo atletas bem condicionados podem ter cardiopatias silenciosas que não dão sintomas no dia a dia, mas se manifestam à medida que o esforço aumenta", afirma o médico do esporte João Branco, que atua com formação de atletas no Rio de Janeiro.
Como reduzir os riscos?
A avaliação médica antes de provas de longa distância não deve ser tratada como algo protocolar. "Não é um mero atestado burocrático, isso é muito importante para salvar vidas, para identificar problemas prévios", diz Lima.
A consulta deve incluir investigação do histórico familiar de morte súbita, exame físico detalhado e eletrocardiograma. Dependendo dos achados, o cardiologista pode solicitar exames complementares.
Sinais de alerta que não podem ser ignorados
Os médicos alertam que qualquer alteração no padrão habitual do corredor exige interrupção imediata. Entre os principais sinais estão:
- Dor no peito, sensação de pressão ou queimação no tórax
- Falta de ar desproporcional ao esforço
- Palpitações persistentes
- Tontura, visão turva, sensação de desmaio
- Náuseas intensas, vômitos, perda da consciência e confusão mental
"Quando o corpo demonstra algum sinal que foge da realidade ou do que a pessoa sente rotineiramente, isso não pode ser ignorado", afirma Branco.
Queda no desempenho também merece atenção
Se um corredor acostumado a determinado ritmo passa a apresentar fadiga prolongada, recuperação mais lenta ou dificuldade para manter o ritmo, é recomendável interromper o aumento da carga de treinos e buscar avaliação médica. "Pode ser uma condição cardiovascular que precisa ser investigada", afirma Branco.
O risco real: baixo, mas presente
Apesar da repercussão, a corrida de longa distância continua segura para a maioria das pessoas quando realizada com treinamento adequado e avaliação médica. Segundo Thaís, o risco de sofrer uma parada cardíaca durante a prática esportiva é baixo, de cerca de 2% a cada 100 mil atletas por ano.
"O esporte não deve ser visto como um fator de risco, mas como um instrumento de prevenção. O desafio é identificar precocemente as pessoas com maior vulnerabilidade cardiovascular para que possam praticar atividade física com segurança", afirma.
Perguntas Frequentes
O que é morte súbita cardíaca?
É um óbito inesperado, geralmente precedido de perda abrupta da consciência, que pode ocorrer até uma hora após o início dos sintomas.
Quais são os principais sinais de alerta durante uma corrida?
Dor no peito, falta de ar desproporcional, palpitações, tontura, visão turva, náuseas intensas e perda da consciência.
Como prevenir a morte súbita em corridas?
Realizar avaliação médica com eletrocardiograma, investigar histórico familiar e interromper a atividade ao menor sinal de anormalidade.
A corrida é segura para a maioria das pessoas?
Sim, quando feita com treinamento adequado e avaliação médica, o risco é baixo, de cerca de 2% a cada 100 mil atletas por ano.