CapaCidade
Cidade

Mendonça levou 75 dias para decidir sobre Castro e 9 sobre Wagner

ResumoO ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, levou 75 dias para decidir sobre o governador Cláudio Castro e 9 dias sobre o senador Jaques Wagner. O relatório da Polícia Federal aponta correlação entre o tempo de despacho e o perfil do investigado. A diferença temporal é objeto de análise por investigadores.

Relatório da PF aponta que o ministro André Mendonça levou 75 dias para despachar material sobre Cláudio Castro e apenas 9 sobre Jaques Wagner. Investigadores veem correlação entre tempo e perfil do investigado.

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 04 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Mendonça levou 75 dias para decidir sobre Castro e 9 sobre Wagner

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), levou 75 dias para despachar o material relativo ao ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e apenas nove dias para o caso do senador Jaques Wagner (PT-BA), ambos ligados à investigação envolvendo o Banco Master. A diferença de prazos consta de relatório da Polícia Federal (PF) que aponta uma "correlação" entre o tempo de apreciação dos materiais e o perfil do investigado.

Segundo o documento, a comparação tem grau de confiança baixa por envolver "variáveis de confusão não controladas". A PF também equaciona o tempo empenhado por Mendonça para despachar o material do senador Ciro Nogueira (PP-PI), com total de 29 dias.

"A diferença de intensidade entre a atenção dedicada a investigada sob cautelar diversa e a ausência de preocupação equivalente com o passivo é, em si, indicador de priorização não explicitada por critério processual", diz o relatório.

Candidato à reeleição ao Senado pela Bahia, Wagner teve o nome vinculado ao caso protagonizado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, principalmente pelo ex-sócio e advogado Augusto Lima. A PF diz haver indícios de que o senador teria investido dinheiro no Banco Master, e seu nome consta em lista de clientes da instituição com valores aplicados. Os investigadores suspeitam que Wagner teria recebido um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,4 milhões como propina. Ele foi alvo de uma fase da Operação Compliance Zero, com busca e apreensão em sua residência, e deixou o posto de líder do Governo Lula no Senado após a quebra de sigilo.

Em relação a Castro, que pleiteava vaga no Senado pelo Rio, o andamento foi mais lento, com indícios de estranheza, segundo a PF, pelo envolvimento do governo do estado com contratos de fundos de previdência com o Master.

Na decisão publicada ontem, o ministro Alexandre de Moraes alegou que Mendonça levaria o espectro político em conta. A PF ressalva, porém, que a série é pequena e reúne medidas diferentes em volume e complexidade, incluindo períodos sob análise da PGR, recessos e maior concentração de processos. "O dado, no estado atual, é indiciário", conclui o relatório.

// Leia também

Publicidade