# A peneira, o trigo e o joio: o que mudou na política?

> A metáfora da peneira, do trigo e do joio na política brasileira ilustra a separação entre fatos comprovados e discursos inflamados. O relatório da Polícia Federal e a postura do Supremo Tribunal Federal exemplificam esse processo de filtragem institucional. A análise técnica distingue evidências concretas de narrativas retóricas, redefinindo o debate público sobre responsabilidade e legalidade.

*Portal Notícias MG · Cidade · 07 de setembro de 2026 · Marília Stefani*

A metáfora da peneira, do trigo e do joio ganha novo sentido na política. Entenda como o relatório da PF e a postura do STF ilustram a separação entre fatos e discursos.

A metáfora da peneira, do trigo e do joio, usada por séculos na agricultura para separar o que serve do que se descarta, ganhou novo sentido na política. Segundo o colunista Percival Puggina, quando o consentimento das multidões passou a importar, as peneiras passaram a ser agitadas em discursos para obscurecer os fatos. A semana foi marcada pela incidência da luz solar dos fatos sobre as instituições nacionais, com o relatório da PF e a reação do STF como protagonistas.

O relatório da PF, com 218 páginas, foi suficiente para fazer carne de sol dentro de um frigorífico, segundo a metáfora do autor. Já o presidente do Senado Federal, Alcolumbre, classificou como anormal a quantidade de pedidos de impeachment de ministros do STF, mas não os eventos que motivaram os pedidos, nem sua decisão de não colocar em tramitação nenhum dos 109 documentos de denúncia por crime de responsabilidade apresentados à Casa. A cena de quatro ministros do STF às gargalhadas após sessão que não mencionou o fato mais grave da história do Judiciário brasileiro foi capturada por um fotógrafo, gerando desconcerto.

Ao longo do século, com a maioria de indicações petistas para vagas no STF, o ativismo e a politização corroeram o organismo, levando junto a instituição. Para Puggina, isso integra a natureza da ideologia dominante, como raízes que entrelaçam o joio ao trigo. A instituição, que merece esse nome se tiver consentimento do passado e reconhecimento como parte do bem comum, chora e deplora, pois acreditou em leis que nascem da representação política. Quando os órgãos se corrompem, o cidadão vê crescer sua responsabilidade em separar o trigo do joio na eleição que tem pela frente.

Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores, colunista de dezenas de jornais, autor de obras como 'Crônicas contra o totalitarismo' e integrante do grupo Pensar+. A análise reflete a visão do autor sobre a necessidade de discernimento entre fatos e discursos no atual cenário político.

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