# Pedras de 600 milhões de anos iguais às do Pão de Açúcar formam parque no mar em SP

> O Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, no litoral de São Paulo, abriga formações rochosas de 600 milhões de anos, da mesma origem do Pão de Açúcar. A área protegida por lei contém ecossistemas únicos e é acessível para mergulho e pesquisa científica.

*Portal Notícias MG · Cidade · 17 de julho de 2026 · Cláudia Resende*

Formações rochosas de 600 milhões de anos, da mesma origem do Pão de Açúcar, criam um parque marinho no litoral de São Paulo. A área, protegida por lei, abriga ecossistemas únicos e é acessível para mergulho e pesquisa científica. Entenda a história geológica e como visitar com s

O litoral paulista guarda um tesouro geológico que poucos conhecem: formações rochosas de 600 milhões de anos, da mesma origem do Pão de Açúcar, agora protegidas em um parque marinho. A Laje de Santos, a 38 quilômetros da costa de Santos, é um monumento natural que abriga recifes, corais e espécies marinhas raras. Para famílias que buscam contato com a natureza ou estudantes curiosos sobre a história da Terra, o local oferece uma janela para o passado do planeta.

A Laje de Santos é um conjunto de rochas graníticas que emergem do mar, formando um platô de cerca de 500 metros de comprimento por 200 metros de largura. Segundo o Instituto Geológico do Estado de São Paulo, essas rochas são do período Pré-Cambriano, com idade estimada entre 600 e 700 milhões de anos. Elas fazem parte do mesmo maciço que deu origem ao Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, e a outras formações da Serra do Mar.

O Parque Estadual Marinho da Laje de Santos foi criado em 1993, pela Lei Estadual nº 7.645, e é gerido pela Fundação Florestal. A unidade de conservação tem como objetivo proteger os ecossistemas marinhos e as espécies que ali vivem, como tartarugas, golfinhos e aves migratórias. Dados da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente de São Paulo indicam que a área abriga mais de 200 espécies de peixes e 40 espécies de corais.

### Como as rochas se formaram

As rochas da Laje de Santos são graníticas, formadas pelo resfriamento lento do magma no interior da crosta terrestre há centenas de milhões de anos. Com o tempo, a erosão e os movimentos tectônicos expuseram essas rochas à superfície. O geólogo Paulo César Boggiani, da Universidade de São Paulo, explica que a composição mineralógica é semelhante à do Pão de Açúcar: quartzo, feldspato e mica, o que confere a coloração acinzentada e a resistência à ação do mar.

A idade das rochas foi determinada por datação radiométrica, método que mede a proporção de isótopos de elementos radioativos. Esse tipo de análise, feito pelo Instituto de Geociências da USP, confirmou que a formação é do período Pré-Cambriano, anterior à explosão da vida complexa no planeta.

### A importância ecológica do parque

O Parque Estadual Marinho da Laje de Santos não é só um ponto de interesse geológico. Ele funciona como um berçário para diversas espécies marinhas. A região é rota de migração de baleias-jubarte e tartarugas-cabeçuda, ambas ameaçadas de extinção. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a área tem alta densidade de algas calcárias, que formam recifes e servem de abrigo para peixes jovens.

Para quem faz mergulho, o parque oferece visibilidade de até 15 metros em dias claros. É possível ver cardumes de sardinhas, garoupas e, com sorte, golfinhos-nariz-de-garrafa. A visitação é controlada: é preciso autorização da Fundação Florestal e acompanhamento de guias credenciados. O parque recebe cerca de 2 mil visitantes por ano, número que a gestão pretende manter para evitar impacto ambiental.

### Como visitar o parque marinho

O acesso à Laje de Santos é feito exclusivamente por barco, saindo de Santos ou do Guarujá. A travessia dura cerca de 1h30. Empresas autorizadas oferecem passeios de mergulho livre ou autônomo, com equipamento incluso. Crianças a partir de 12 anos podem participar, desde que acompanhadas por um adulto responsável. Não há infraestrutura de hospedagem no local; o retorno é no mesmo dia.

Para quem não mergulha, é possível fazer observação da vida marinha com máscara e snorkel nas áreas rasas. A melhor época para visitar é entre dezembro e março, quando o mar está mais calmo e a visibilidade, melhor. A Fundação Florestal recomenda agendar com antecedência, pois o número de vagas é limitado para preservar o ecossistema turismo sustentável no litoral paulista.

### A proteção legal e os desafios

A criação do parque marinho foi um marco para a conservação marinha no estado. Antes de 1993, a Laje de Santos era alvo de pesca predatória e turismo desordenado. Hoje, a pesca é proibida na área, e a fiscalização é feita pela Polícia Ambiental e pelo ICMBio. Dados do Ministério do Meio Ambiente indicam que, desde a criação da unidade, a população de peixes na região aumentou em 30%.

Ainda assim, há desafios. O tráfego de navios no Porto de Santos, o maior da América Latina, gera ruído e risco de colisão com embarcações de turismo. Em 2023, a Fundação Florestal registrou três incidentes de aproximação perigosa. A secretaria estuda a instalação de boias de sinalização para orientar as embarcações.

### O que levar na visita

Para aproveitar o dia, leve protetor solar biodegradável, para não poluir a água. Água potável e lanches leves são recomendados, já que não há comércio no local. Roupas de banho, toalha e calçados antiderrapantes para o barco completam a lista. Câmeras subaquáticas são permitidas, mas sem flash, para não assustar os animais.

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### Perguntas Frequentes

#### As pedras da Laje de Santos são mesmo iguais às do Pão de Açúcar?

Sim. Ambas são formações graníticas do período Pré-Cambriano, com idade entre 600 e 700 milhões de anos, segundo o Instituto Geológico do Estado de São Paulo. A composição mineral é semelhante: quartzo, feldspato e mica.

#### Qual é a distância da Laje de Santos até a costa?

A Laje de Santos fica a 38 quilômetros da costa de Santos, no litoral sul de São Paulo. O trajeto de barco dura aproximadamente 1h30.

#### É possível visitar o parque sem mergulhar?

Sim. É permitido fazer observação com snorkel nas áreas rasas. Não há estrutura para camping ou pernoite; o passeio é de ida e volta no mesmo dia.

#### Preciso de autorização para visitar o parque?

Sim. A visitação depende de autorização da Fundação Florestal e deve ser feita com guias credenciados. As vagas são limitadas para preservar o ecossistema.

#### Qual a melhor época para ir?

Entre dezembro e março, quando o mar está mais calmo e a visibilidade subaquática é melhor. Evite meses de inverno, quando as frentes frias trazem ventos fortes e ondas altas.

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/cidade/pedras-600-milhoes-anos-iguais-pao-acucar-formam-parque-mar-sp-entenda/
