Novo Cleitinho: Republicanos impõe condições para apoio
O Republicanos cobrou um 'novo Cleitinho' para apoiar sua candidatura a governador. Em reunião de mais de 5 horas, o partido impôs condições e criticou o estilo do senador. Entenda o que muda.
Partido cobra um 'novo Cleitinho' para apoiá-lo
A política mineira vive um momento de redefinição. O senador Cleitinho (Republicanos) volta a ser candidato a governador, mas não será o mesmo Cleitinho. O partido cobrou mudanças para retomar a candidatura dele. Em encontro de mais de 5 horas, em São José dos Campos (SP), na sexta (31), o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, expôs as queixas e as novas condições.
O que o Republicanos exige de Cleitinho
O dirigente reclamou dos excessivos impropérios de Cleitinho contra aliados, especialmente ao líder religioso da agremiação, Edir Macedo, chamado por ele de 'falso profeta'. Na mesma entrevista ao O Globo, no dia 5/6, o próprio Pereira foi alvo de crítica, segundo a qual "não confio 100%".
O Republicanos cobrou um 'novo' Cleitinho, mais "agregador e conciliador" e de "mais diálogo". O senador mineiro ouviu atentamente e sem retrucar, até porque a situação havia mudado ao perceber a importância do partido, que, na semana passada, havia barrado a candidatura dele. Ou seja, sem a legenda não poderia ser candidato nestas eleições.
As novas regras do jogo
Outra condição é a aliança com o PL ainda no primeiro turno, que Cleitinho adiava para o segundo. E a convivência com a candidatura a deputado federal de Eduardo Cunha, a quem chama de "vagabundo". Tudo somado, Cleitinho volta a ser candidato a governador, mas não será o mesmo Cleitinho. Vai ter de rezar pela cartilha do Republicanos.
Além dos apelos que fez para a reversão do quadro, Cleitinho desencadeou reações em cadeia. Deputados e candidatos à reeleição do PL e do próprio Republicanos reprovaram a decisão nacional e advertiram para o risco de derrota para todos e para a direita em Minas. Teria havido até atuação a favor dele do pré-candidato presidencial do PL, Flávio Bolsonaro, e do pré-candidato à reeleição ao governo paulista, Tarcísio de Freitas.
O que os adversários vão explorar
Adversários irão explorar dois aspectos da reviravolta na direita. Primeiro, a indecisão do senador, de ser ou não candidato, reflexo de, segundo eles, 'despreparo e instabilidade'. Segundo, que o recuo do Republicanos envolveria muito dinheiro e o empresário mineiro Alex Diniz, dono de grande rede de supermercado e suplente do senador. O próprio Cleitinho já denunciou que lhe ofereceram dinheiro (seria de uma mineradora) para que não fosse candidato.
O efeito cascata na direita mineira
Menos de uma semana depois que desembarcou da futura chapa de reeleição do governador Mateus Simões (PSD) e de pintar como candidato a governador, Marcelo Aro (PP) está sem rumo. Ex-secretário do governo Zema/Simões, ele poderá ser candidato a governador da federação que integra o União Brasil com o PP, o que é improvável, ou a senador na chapa de Cleitinho. Seja como for, terá que caminhar de maneira avulsa, sem alianças 'sinceras'.
Enquanto assiste da arquibancada a fragmentação da direita, o candidato a governador pelo PDT, Alexandre Kalil, está conversando com quatro partidos para compor sua chapa. O PSDB/Cidadania, que forma uma federação, pode indicar o vice-governador e outra federação, Rede/Psol, o nome ao Senado. Como tem deficiência eleitoral no Sul de Minas e no Triângulo, Kalil sonha com um tucano de uma dessas regiões para ser o vice.
Oficializado como candidato à reeleição na convenção do PSD, ontem, o governador Mateus Simões vai esticar a corda antes de definir seu vice. Diante da fragmentação de seu campo político, quer evitar o constrangimento de desconvidar algum aliado. Tentou, na semana passada, atrair o MDB, mas não deu certo. Até o momento, pode contar com os partidos Novo e Avante e o senador e candidato à reeleição, Carlos Viana (PSD).
O que esperar da nova postura de Cleitinho
A pergunta que fica é se Cleitinho consegue se adaptar ao novo figurino. O estilo franco-atirador que o levou ao Senado e o transformou em líder nas redes sociais agora precisa dar lugar a um perfil mais institucional. Para o eleitor mineiro, a mudança pode significar um candidato menos polêmico, mas também menos autêntico. A decisão do Republicanos mostra que, na política, até os mais rebeldes precisam se curvar à legenda.
Perguntas Frequentes
Por que o Republicanos cobrou um 'novo Cleitinho'?
O partido reclamou dos impropérios contra aliados e da insegurança do pré-candidato, que não compareceu à convenção. Exigiu um perfil mais agregador e conciliador.
O que Cleitinho precisa mudar para ser candidato?
Ele precisa adotar mais diálogo, aliar-se ao PL no primeiro turno e conviver com a candidatura de Eduardo Cunha.
Quem é Marcos Pereira?
Marcos Pereira é o presidente nacional do Republicanos e expôs as queixas e condições para Cleitinho.
O que acontece se Cleitinho não aceitar as condições?
Sem a legenda, ele não poderia ser candidato nestas eleições, como já havia sido barrado na semana passada.