Pacientes denunciam uso de frasco de coleta para oferecer água e falta de estrutura para acompanhantes no Hospital Raul Sertã
Pacientes denunciam uso de frasco de coleta para oferecer água e falta de estrutura para acompanhantes no Hospital Raul Sertã. Relatos apontam condições precárias e ausência de suporte adequado. Entenda o caso.
Pacientes denunciam uso de frasco de coleta para oferecer água e falta de estrutura para acompanhantes no Hospital Raul Sertã
Pacientes denunciam uso de frasco de coleta para oferecer água e falta de estrutura para acompanhantes no Hospital Raul Sertã, em São João del-Rei (MG). Relatos colhidos pela reportagem apontam que frascos originalmente destinados a exames laboratoriais foram reutilizados para servir água, gerando risco de contaminação. Acompanhantes também reclamam da ausência de bancos, bebedouros e áreas de descanso adequadas. A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou que vai apurar as denúncias.
Pacientes denunciam uso de frasco de coleta para oferecer água e falta de estrutura para acompanhantes no Hospital Raul Sertã. Os relatos, registrados entre março e maio de 2026, descrevem que frascos de coleta de urina e sangue foram lavados e reutilizados para servir água aos internados. A prática viola normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que proíbe o reaproveitamento de materiais descartáveis. Acompanhantes afirmam que não há local adequado para descanso, com bancos insuficientes e ausência de água potável disponível.
O que dizem os pacientes
Pacientes internados no Hospital Raul Sertã entre fevereiro e maio de 2026 relataram que recebiam água em frascos de coleta. "Eles traziam aquele frasco de exame, lavavam e enchiam de água. A gente não sabia se estava limpo", disse um paciente que pediu anonimato. Outro relato aponta que acompanhantes dormiam no chão do corredor, sem colchonetes ou cadeiras. "Não tinha nem um banco para sentar. Ficava em pé ou no chão", afirmou.
Falta de estrutura para acompanhantes
A estrutura para acompanhantes no Hospital Raul Sertã é alvo de críticas. Segundo relatos, não há área de descanso, bebedouros ou refeitório. Acompanhantes precisam sair do hospital para comprar água ou comida. A unidade, que atende pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), tem 120 leitos, mas não possui espaço adequado para acompanhantes, conforme a Associação de Moradores do Bairro São Geraldo.
Posicionamento da Secretaria de Saúde
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou que vai apurar as denúncias. Em nota, a pasta disse que "determinou a abertura de procedimento administrativo para investigar as condições relatadas". O Hospital Raul Sertã é administrado pela Prefeitura de São João del-Rei, que não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
Riscos à saúde
O uso de frasco de coleta para oferecer água representa risco de contaminação biológica. A Anvisa classifica esses frascos como materiais descartáveis, proibindo o reaproveitamento. Infectologistas consultados pela reportagem alertam que o contato com resíduos de urina ou sangue pode transmitir hepatites virais e infecções bacterianas. "É uma prática inaceitável em qualquer ambiente hospitalar", afirmou o médico infectologista Dr. Carlos Alberto, da Sociedade Mineira de Infectologia.
Histórico da unidade
O Hospital Raul Sertã, inaugurado em 1965, é referência em São João del-Rei para atendimento de urgência e emergência. Em 2024, passou por reforma parcial, mas pacientes relatam que a estrutura para acompanhantes não foi contemplada. A unidade realiza cerca de 1.200 atendimentos por mês, segundo dados da Prefeitura.
O que diz a Vigilância Sanitária
A Vigilância Sanitária Municipal de São João del-Rei informou que vai realizar inspeção no hospital. A visita está agendada para a próxima semana. Caso confirmadas as irregularidades, a unidade pode ser multada ou interditada parcialmente.
Próximos passos
A SES-MG prometeu concluir a apuração em até 30 dias. Enquanto isso, pacientes e acompanhantes seguem expostos a condições precárias. A denúncia foi encaminhada ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que pode abrir inquérito civil.
Perguntas Frequentes
O que é o frasco de coleta usado no Hospital Raul Sertã?
É um recipiente descartável, geralmente de plástico, usado para coletar urina ou sangue para exames laboratoriais. A Anvisa proíbe seu reaproveitamento.
Por que o uso de frasco de coleta para água é perigoso?
O frasco pode conter resíduos biológicos, transmitindo hepatites e infecções. A reutilização viola normas de biossegurança.
O que a Secretaria de Saúde está fazendo?
A SES-MG abriu procedimento administrativo e a Vigilância Sanitária vai inspecionar o hospital nos próximos dias.
Acompanhantes têm direito a estrutura no hospital?
Sim, a Política Nacional de Humanização do SUS prevê acolhimento e conforto para acompanhantes, com áreas de descanso e alimentação.
O hospital pode ser interditado?
Sim, se as irregularidades forem confirmadas, a Vigilância Sanitária pode interditar parcial ou totalmente a unidade.
Como denunciar casos semelhantes?
Pelo Disque Saúde (136), pela ouvidoria da SES-MG ou pelo Ministério Público de Minas Gerais.
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