Operação resgata 89 trabalhadores em condições análogas à escravidão na Zona da Mata
Uma operação conjunta resgatou 89 trabalhadores em condições análogas à escravidão em três fazendas de café na Zona da Mata Mineira. As vítimas, em Alto Caparaó, Mutum e Santana do Manhuaçu, não tinham registro, EPIs nem instalações sanitárias. Os empregadores já pagaram R$ 654,6
Sem registro em carteira, obrigados a fazer as necessidades fisiológicas no mato e alojamentos degradantes. Essa foi a realidade encontrada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho ao resgatar 89 trabalhadores em condições análogas à escravidão em três fazendas de café na Zona da Mata Mineira. As irregularidades graves foram identificadas nos municípios de Alto Caparaó, Mutum e Santana do Manhuaçu.
A operação começou em 19 de julho e contou com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal (PF). O auditor-fiscal Wallace Pacheco, representante da DS-MG/Sinait, afirmou que os empregadores foram notificados a regularizar os contratos e quitar as verbas rescisórias. "Todas as empresas serão autuadas por diversas irregularidades", declarou.
Nas lavouras, não havia instalações sanitárias, obrigando os trabalhadores, incluindo mulheres, a se alojarem no mato. Em duas propriedades, os alojamentos não ofereciam condições mínimas de higiene. Em Mutum, as imagens mostram beliches improvisadas, chão sem piso, paredes sujas e uma geladeira com ferrugem. Em Santana do Manhuaçu, seis beliches enfileiradas dividem espaço com gaiolas de pássaros e fios expostos. Em Alto Caparaó, os auditores encontraram os trabalhadores em meio aos pés de café.
Para Pacheco, os resgates evidenciam que o trabalho degradante persiste no meio rural. Ele defende o fortalecimento da fiscalização e a conscientização da sociedade como ferramentas para prevenir novas violações.
As três empresas responsabilizadas já pagaram cerca de R$ 654,6 mil em verbas rescisórias. Uma delas ainda não quitou integralmente os valores e foi notificada. O MPT informou que adotará providências e propôs Termos de Ajuste de Conduta (TACs) aos outros dois empregadores.
Perguntas Frequentes
Quantos trabalhadores foram resgatados?
Foram 89 trabalhadores resgatados em três fazendas de café na Zona da Mata Mineira.
Quais municípios foram alvo da operação?
As propriedades fiscalizadas ficam em Alto Caparaó, Mutum e Santana do Manhuaçu.
Quais órgãos participaram da operação?
A operação foi realizada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, com o MPT e a Polícia Federal.
Quanto foi pago em verbas rescisórias?
Cerca de R$ 654,6 mil foram pagos pelas três empresas aos trabalhadores resgatados.
O que acontece com as empresas autuadas?
Elas foram notificadas a regularizar contratos e podem responder a novas medidas administrativas e judiciais, incluindo TACs propostos pelo MPT.
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