PF mira ONG de Karina da Gama e wi-fi da Prefeitura de SP
Operação da PF autorizada por Flávio Dino investiga peculato, falsidade documental e lavagem de dinheiro em contrato de wi-fi da Prefeitura de São Paulo. Instituto Conhecer Brasil e fornecedores terceirizados estão entre os alvos.
A Operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira (10) contra a produtora do filme Dark Horse, Karina Ferreira da Gama, também alcança fornecedores ligados ao contrato de wi-fi firmado com a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). O Instituto Conhecer Brasil (ICB), dono do contrato para instalação de pontos de wi-fi na periferia da capital paulista, é um dos alvos, ao lado de empresas terceirizadas que prestavam serviço ao instituto.
A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino e investiga os crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraudes e crimes licitatórios.
Entre os nomes alcançados pela investigação estão Karina Ferreira da Gama, dona do ICB e da Go Up Produções; André Feldman e a esposa Débora Gomes Feldman, donos das empresas Complexsys Soluções Integradas Ltda. e Fastfuture Tecnologias Emergentes Ltda.; William Silva Ferreira, dono da Ultra IP Tecnologia e Serviços Ltda., terceirizada pelo ICB; e Alex Leandro Bispo dos Santos, empresário ligado ao PCC e ex-dono da Favela Conectada, subcontratada por Karina da Gama.
Em conversa com a GloboNews, o prefeito Ricardo Nunes negou irregularidades no contrato do ICB com a gestão municipal. "Foi aberta apuração na Controladoria [Geral do Município] logo no início. Até o momento nenhuma irregularidade no contrato com a prefeitura", disse Nunes.
O contrato sob investigação tem valor de R$ 108 milhões. A Ultra IP Tecnologia e Serviços Ltda. e o ICB travam uma disputa judicial marcada por acusações mútuas. A terceirizada cobra R$ 4,5 milhões e sustenta que houve irregularidades na execução do convênio. Já o ICB afirma que a empresa descumpriu o acordo, interrompeu parte do serviço e tentou extorquir R$ 2,5 milhões.
A Ultra IP afirma ter sido a única responsável pela instalação de 3.200 pontos de wi-fi do programa municipal, embora parte desses serviços tenha sido atribuída, nas prestações de contas da ONG apresentadas ao município, à empresa Favela Conectada Serviços e Tecnologia Ltda. A terceirizada cita ainda na ação judicial que a Favela Conectada teria sido usada como empresa de fachada para justificar despesas do convênio, e sustenta que ela recebeu R$ 12 milhões para instalar 2 mil pontos de acesso sem ter executado nenhum serviço.
Procurada, a Ultra IP informou em nota que "o inquérito instaurado pelo ICB contra a ULTRAIP é descabido e a acusação é falsa, como restará provado. Trata-se de retaliação à medida judicial proposta pela empresa". A empresa afirma ter buscado composição amigável em reiteradas ocasiões, sem sucesso.
Alex Leandro Bispo dos Santos, conhecido como "Escorpião do PCC", é ex-dono da Favela Conectada e está preso preventivamente desde fevereiro, acusado de feminicídio. Antes da prisão, em janeiro, deixou oficialmente o quadro societário da empresa. Conforme registros da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), a Favela Conectada passou a ser controlada por Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes, que reside no mesmo endereço de Alex, na Rua Ernesto Paglia, região do Butantã, Zona Oeste da capital. Após assumir o controle, ela alterou a razão social da empresa para Urban Connect Serviços e Tecnologia Ltda. O g1 não localizou a defesa de Tatiane.