Obras de usina de dessalinização na Praia do Futuro autorizadas após polêmicas
Após anos de polêmicas e atrasos, o governo do Ceará autorizou as obras da usina de dessalinização na Praia do Futuro, em Fortaleza. O projeto promete ampliar o abastecimento de água na região metropolitana, mas enfrenta resistência de ambientalistas e moradores.
O governo do Ceará autorizou, em junho de 2026, o início das obras da usina de dessalinização na Praia do Futuro, em Fortaleza. O projeto, que enfrentou polêmicas ambientais e atrasos judiciais desde 2023, promete ampliar o abastecimento de água para a região metropolitana.
A usina de dessalinização na Praia do Futuro terá capacidade de produzir 1 metro cúbico de água potável por segundo, segundo a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). O volume atenderá cerca de 720 mil pessoas na Grande Fortaleza, reduzindo a dependência do sistema hídrico do açude Castanhão.
O histórico de polêmicas e atrasos
O projeto da usina de dessalinização na Praia do Futuro começou a ser discutido em 2022, mas enfrentou resistência de moradores e ambientalistas. O principal ponto de contestação era o impacto ambiental da captação de água do mar e do descarte do salmouro, resíduo altamente concentrado em sal, no oceano.
Em 2024, o Ministério Público do Ceará (MPCE) protocolou uma ação civil pública suspendendo a licença prévia, alegando falta de estudos de impacto ambiental adequados. A Justiça Federal determinou a paralisação das obras em abril de 2024, o que gerou atraso de mais de um ano.
Após negociações, a Cagece apresentou um novo Estudo de Impacto Ambiental (EIA) em janeiro de 2025, que foi aprovado pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) em março de 2026. A licença de instalação foi emitida em maio, e as obras foram autorizadas no mês seguinte.
Detalhes do projeto autorizado
A usina será construída em um terreno de 15 hectares na Praia do Futuro, próximo à foz do rio Cocó. O investimento total é de R$ 450 milhões, com recursos do Governo Federal e do Estado do Ceará. O prazo de conclusão é de 24 meses, com previsão de operação comercial em meados de 2028.
O sistema de dessalinização por osmose reversa utilizará membranas especiais para filtrar o sal da água do mar. O salmouro será diluído em um emissário submarino de 2 quilômetros, conforme determina a licença ambiental. A Cagece afirma que o monitoramento da qualidade da água será contínuo.
Impactos e benefícios esperados
A usina de dessalinização na Praia do Futuro deve reduzir em 30% a dependência do sistema Castanhão, que enfrenta níveis críticos em períodos de seca. Dados da Cagece indicam que o açude operava com 18% da capacidade em maio de 2026.
Para os moradores da região metropolitana, a principal vantagem é a segurança hídrica. Fortaleza já enfrentou racionamentos severos entre 2015 e 2017, quando o Castanhão chegou a 3% da capacidade. A usina servirá como fonte complementar, especialmente em anos de estiagem prolongada.
Ambientalistas, no entanto, continuam críticos. O Instituto do Meio Ambiente do Ceará (IMA) questiona o descarte do salmouro e o consumo de energia elétrica, a osmose reversa exige alta demanda energética, estimada em 4,5 MW para a usina. A Cagece respondeu que a energia virá de fontes renováveis, com parceria da Enel.
Próximos passos e cronograma
Com a autorização, a Cagece abriu licitação para a contratação da empresa construtora em julho de 2026. O edital prevê conclusão das fundações em 8 meses e instalação dos módulos de osmose em 12 meses. A previsão de início das operações é junho de 2028.
O projeto também prevê a construção de uma estação de tratamento de água para distribuição, que será integrada à rede da Cagece na Grande Fortaleza. As obras incluem 12 quilômetros de adutoras.
Para quem busca mais informações sobre segurança hídrica no Ceará, crise hídrica no Castanhão 2026 e projetos de dessalinização no Nordeste.
Perguntas Frequentes
Por que a usina de dessalinização na Praia do Futuro gerou polêmica?
A polêmica envolveu o impacto ambiental do descarte do salmouro e a falta de estudos de impacto ambiental adequados, segundo o MPCE.
Quando as obras da usina começam?
As obras foram autorizadas em junho de 2026, com previsão de início efetivo em agosto, após licitação.
Qual o custo total do projeto?
O investimento total é de R$ 450 milhões, com recursos federais e estaduais.
Quantas pessoas serão beneficiadas?
Cerca de 720 mil pessoas na região metropolitana de Fortaleza.
Qual o prazo de conclusão?
24 meses, com operação prevista para meados de 2028.
A usina vai substituir o Castanhão?
Não. Será uma fonte complementar, reduzindo em 30% a dependência do açude, que opera com 18% da capacidade.