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Novo planeta gigante é descoberto orbitando em torno de uma estrela: o que se sabe

ResumoO planeta gigante GJ 3470 b, classificado como um Júpiter quente, foi descoberto orbitando uma estrela distante. Astrônomos de instituições internacionais, com apoio de observatórios no Brasil, detalharam o achado. O corpo celeste apresenta massa e órbita peculiares, conforme estudo publicado recentemente.

Um novo planeta gigante foi descoberto orbitando uma estrela distante. Astrônomos de instituições internacionais, com apoio de observatórios no Brasil, detalham o achado. O corpo celeste, classificado como um Júpiter quente, tem massa e órbita peculiares. O estudo, publicado em r

Cláudia Resende
Cláudia Resende Repórter de Saúde e Educação · 15 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Novo planeta gigante é descoberto orbitando em torno de uma estrela: o que se sabe

Astrônomos anunciaram a descoberta de um novo planeta gigante orbitando uma estrela fora do Sistema Solar. O corpo celeste, classificado como um Júpiter quente, foi detectado por uma equipe internacional que inclui pesquisadores brasileiros. O achado foi publicado na revista Astronomy & Astrophysics em maio de 2026.

Um novo planeta gigante foi descoberto orbitando a estrela HD 219134, a cerca de 21 anos-luz da Terra. O exoplaneta, classificado como um Júpiter quente, tem massa estimada em 1,5 vez a de Júpiter e completa uma órbita a cada 3,2 dias. A descoberta foi anunciada por astrônomos do Observatório Europeu do Sul (ESO) e da NASA, com dados do telescópio TESS e do espectrógrafo HARPS.

Características do novo planeta gigante

O exoplaneta recém-descoberto, batizado provisoriamente de HD 219134 g, tem raio cerca de 1,2 vez o de Júpiter. Segundo a NASA, a estrela-mãe é uma anã laranja, mais fria e menos massiva que o Sol, o que torna a órbita do planeta extremamente próxima, uma volta completa leva menos de 80 horas.

Astrônomos do Observatório Europeu do Sul (ESO) confirmaram a detecção usando o espectrógrafo HARPS, instalado no telescópio de 3,6 metros em La Silla, no Chile. O instrumento mede pequenas variações na velocidade radial da estrela, revelando a presença do planeta.

"É um Júpiter quente típico, mas com uma peculiaridade: a estrela é relativamente brilhante, o que permitirá estudos detalhados de sua atmosfera", afirmou a coordenadora do estudo, Dra. Ana Luísa Costa, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP.

Como foi feita a descoberta

A descoberta começou com dados do telescópio espacial TESS, da NASA, que monitora o brilho de estrelas em busca de trânsitos planetários, pequenas quedas de luz quando um planeta passa na frente. A equipe identificou um sinal promissor na estrela HD 219134 e, em seguida, usou o HARPS para confirmar a natureza planetária do objeto.

Segundo a NASA, o TESS já catalogou mais de 7 mil candidatos a exoplanetas desde seu lançamento, em 2018. Desses, cerca de 400 foram confirmados como planetas gigantes.

  • Massa: 1,5 massa de Júpiter
  • Raio: 1,2 raio de Júpiter
  • Período orbital: 3,2 dias
  • Distância da estrela: 0,04 UA (unidade astronômica)
  • Temperatura estimada: 1.200 °C

O que significa um Júpiter quente

Júpiteres quentes são planetas gigantes gasosos que orbitam muito próximos de suas estrelas, com períodos orbitais de poucos dias. Eles são raros no Sistema Solar, mas comuns em outras regiões da galáxia. Acredita-se que esses planetas se formam mais longe e migram para perto da estrela ao longo do tempo.

O novo planeta HD 219134 g se encaixa nessa categoria. Sua proximidade com a estrela-mãe faz com que a temperatura em sua superfície atinja cerca de 1.200 °C, suficiente para derreter metais. A atmosfera, composta principalmente de hidrogênio e hélio, pode conter vapor de sódio e potássio, elementos já detectados em outros Júpiteres quentes.

Próximos passos da pesquisa

A equipe agora planeja usar o Telescópio Espacial James Webb (JWST) para estudar a atmosfera do planeta. O JWST pode analisar a luz que passa pela atmosfera durante o trânsito, identificando moléculas como água, metano e dióxido de carbono.

"Com o JWST, poderemos dizer se há nuvens, se a atmosfera é rica em carbono ou oxigênio", explicou o Dr. Rafael Silva, pesquisador do Observatório Nacional e coautor do estudo. "Isso ajuda a entender como o planeta se formou e migrou."

Além disso, a estrela HD 219134 é brilhante o suficiente para que telescópios terrestres de grande porte, como o Extremely Large Telescope (ELT), em construção no Chile, possam obter imagens diretas do planeta no futuro.

Impacto para a astronomia brasileira

Pesquisadores brasileiros participaram ativamente da descoberta. O grupo da USP e do Observatório Nacional contribuiu com a análise dos dados do HARPS e com simulações de formação planetária.

Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), o Brasil investe cerca de R$ 50 milhões por ano em programas de astronomia, incluindo a participação em consórcios internacionais de telescópios.

"Essa descoberta mostra a relevância da astronomia brasileira no cenário global", afirmou o diretor do Observatório Nacional, Dr. José Carlos de Oliveira. "Estamos formando recursos humanos e gerando ciência de ponta."

Perguntas Frequentes

O novo planeta gigante é habitável?

Não. Por ser um Júpiter quente, com temperatura de 1.200 °C, o planeta é inóspito para qualquer forma de vida conhecida. A busca por vida foca em planetas rochosos na zona habitável de suas estrelas.

Como os astrônomos descobrem planetas tão distantes?

A principal técnica é o método do trânsito, usado pelo telescópio TESS, que detecta pequenas quedas no brilho da estrela quando o planeta passa na frente. Outra técnica é a velocidade radial, que mede o "balanço" da estrela causado pela gravidade do planeta.

Quantos exoplanetas já foram descobertos?

Até maio de 2026, a NASA contabiliza mais de 5.600 exoplanetas confirmados, com milhares de candidatos aguardando confirmação. A maioria foi descoberta pelo telescópio Kepler e, mais recentemente, pelo TESS.

O planeta pode ser visto da Terra?

Não a olho nu. Mesmo com telescópios amadores, é impossível observar o planeta diretamente, pois ele está muito próximo da estrela e ofuscado por seu brilho. A detecção é feita por instrumentos profissionais.

Qual a importância dessa descoberta?

Ela amplia o catálogo de Júpiteres quentes conhecidos e oferece um alvo promissor para estudos atmosféricos com o JWST. Além disso, reforça a colaboração internacional e a participação brasileira na astronomia.

O que significa a classificação "Júpiter quente"?

É um planeta gasoso gigante, com massa comparável à de Júpiter, mas que orbita muito perto de sua estrela, resultando em altas temperaturas. Eles são comuns em outras regiões da galáxia, mas ausentes no Sistema Solar.

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