CapaCidade
Cidade

Nepal: alerta de última hora salvou mais de 900 estudantes

ResumoO alerta de última hora emitido pelo contador da escola em Bidur, Nepal, permitiu que 900 alunos e 16 professores escapassem das enchentes devastadoras. O diretor Rajendra Dawadi reconstituiu os minutos críticos que salvaram vidas, destacando a ação rápida e preventiva. A evacuação bem-sucedida evitou tragédia em meio ao desastre natural.

Em Bidur, no Nepal, um alerta de última hora dado pelo contador da escola permitiu que 900 alunos e 16 professores escapassem das enchentes. O diretor Rajendra Dawadi reconstitui os minutos que salvaram vidas.

Inácio Bicalho
Inácio Bicalho Repórter de Interior e Agro · 31 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
Nepal: alerta de última hora salvou mais de 900 estudantes

Na quarta-feira (26), em Bidur, no Nepal, o contador da escola de ensino médio Tribhuvan Trishuli entrou gritando: "A enchente está chegando, a enchente está chegando!". O aviso antecipado, recebido de um parente em Rasuwa, localidade atingida primeiro, deu apenas 14 minutos para a retirada. O diretor Rajendra Dawadi, que estava no local, ordenou: "Parem a aula, toquem o sinal". A decisão salvou 900 alunos e 16 membros do corpo docente, um raro raio de esperança em meio a um desastre que matou mais de 900 pessoas no Nepal.

A escola, reconstruída após o terremoto de 2015, que matou cerca de 9 mil pessoas, ficava numa península entre o rio Trishuli e um canal de usina hidrelétrica. Mais de 900 dos cerca de 1.600 alunos estavam no local no momento do alerta. Dawadi instruiu os ônibus que se aproximavam a seguirem para um local seguro e iniciou a retirada. Pais chegaram de motocicleta, outros correram para áreas elevadas. Quando o último veículo atravessou a ponte próxima, cerca de 14 minutos depois, uma parede de água avançava pela cidade de 60 mil habitantes. "Nosso ônibus atravessava a ponte nova, a ponte antiga desabou", relatou o diretor à Reuters.

O contador, após alertar a escola, correu para salvar os pais. Conseguiu levar o pai para um local alto, mas, quando voltou para buscar a mãe, a casa já havia sido levada pela enxurrada. Pelo menos um funcionário da escola e a mãe do contador estão desaparecidos, disse Dawadi. A escola não existe mais, submersa no leito do rio. Man Maya Tamang, de 50 anos, que pensou ter perdido a filha Sushmita, disse: "Ele foi como um Deus. Ele deu vida à minha filha e a muitas outras crianças. Só Deus pode fazer isso".

O número de mortos pelas enchentes na fronteira entre Nepal e China chegou a 939 no Nepal, segundo a NDRRMA, com 3.925 desaparecidos. Na China, foram 16 corpos encontrados. Equipes nepalesas, cerca de 20 mil agentes, seguem em busca de sobreviventes, com apoio de China, Coreia do Sul e Índia. A parlamentar Sumnima Udas, correspondente da CNN, descreveu o terreno como "extremamente desafiador", com helicópteros fazendo fila para entrar em Rasuwa, epicentro ainda isolado. David Fisher, da Cruz Vermelha, disse que uma estrada foi reaberta, mas "algo que normalmente levaria duas horas leva 14".

Dawadi, ex-aluno da escola, quer que as autoridades reconstruam a instituição em local seguro. Para muitos em Bidur, os alertas chegaram tarde demais. desastres naturais resgate em enchentes

// Leia também

Publicidade