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Mulher celebra recomeço após 3 meses sob golpista do Tinder em MS

Uma mulher de 39 anos, em Campo Grande, resume em duas palavras o que quer para o futuro: "Viver, viver." Ela passou três meses, segundo relata, sob o controle do homem que conheceu pelo Tinder e com quem passou a viver. Com o suspeito preso, tenta reconstruir a rotina com os filhos e se reaproximar da família.

A polícia afirma que o homem que ela conhecia como Wellington Vieira da Silva, de 29 anos, é, na verdade, Heliton Vargas Portela, de 31. Durante o relacionamento, a vítima diz ter sofrido violência física, sexual, psicológica e financeira, e calcula ter perdido pelo menos R$ 30 mil.

O recomeço passa por gestos que antes pareciam simples. Dormir sozinha. Levantar quando quiser. Voltar a tomar as próprias decisões. "Foi a primeira coisa que eu fiquei alegre. De não ter ninguém ali, de levantar a hora que você quer, dormir a hora que você quer", conta ela.

A fala condensa o que costuma ser o pós-rompimento de um relacionamento abusivo: a retomada de pequenas autonomias do dia a dia. No caso dela, o ponto de virada foi a prisão do suspeito, a partir da qual começou a reorganizar a casa e a reaproximação com parentes.

O caso expõe um roteiro recorrente em golpes de aplicativo: a identidade falsa como porta de entrada para controle e prejuízo financeiro. A vítima só descobriu quem o homem era, segundo a polícia, depois do relacionamento. O nome que ela conheceu não correspondia ao verdadeiro.

Para quem vive no interior e em cidades médias, onde a rede de parentesco ainda é o principal amparo, o dano financeiro pesa em dobro. Perder R$ 30 mil não é só um número: é o que deixa de circular na feira, na escola dos filhos, no comércio do bairro. A reconstrução, nesses casos, costuma vir no ritmo das pessoas próximas, não de um programa de recuperação.

Com o suspeito preso, a mulher diz que quer seguir em frente. O que ela pede é o básico: espaço para criar os filhos e tempo para voltar a decidir a própria vida. A comunidade em volta, segundo ela, tem sido o apoio que faltou durante os três meses.

O caso segue sob apuração. A reportagem procurou os envolvidos, e a defesa do suspeito não foi localizada até a publicação.

Inácio Bicalho
Repórter de Interior e Agro
Do Norte de Minas, cobre o sertão mineiro, a seca, o pequeno produtor e as pautas que a capital ignora.
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