# Moraes vira cabo eleitoral de Flávio contra Lula

> Alexandre de Moraes, ministro do STF, tornou-se alvo central do embate eleitoral entre Flávio Bolsonaro e Lula. O adiamento da análise de investigação contra Moraes na Corte foi explorado por Flávio Bolsonaro como prova de proteção institucional, desgastando a candidatura de Lula a menos de três semanas do pleito.

*Portal Notícias MG · Cidade · 17 de setembro de 2026 · Marília Stefani*

A sessão do STF que adiou a análise de investigação contra Moraes virou munição para Flávio Bolsonaro. Para o eleitor, o Supremo fez tudo para impedir que um de seus integrantes fosse investigado, e isso desgasta Lula a menos de três semanas do pleito.

A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) da última terça-feira adiou a decisão sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. O pedido de vista apresentado por Flávio Dino transferiu o desfecho para depois das eleições, mas não evitou o desgaste da Corte. Para o eleitor, o Supremo fez tudo para impedir que um de seus integrantes fosse investigado. É nesse terreno que Flávio Bolsonaro avança contra Lula a menos de três semanas do pleito.

A suspeita de que o pedido de vista serviu para proteger Moraes é politicamente mais poderosa do que os argumentos processuais apresentados. No Ceará, Flávio afirmou que "ninguém aguenta mais os ministros do Lula no Supremo melando o Brasil" e procurou colar as duas imagens: "Quem está votando em Lula está votando em Alexandre de Moraes". Trata-se de uma simplificação oportunista, mas eleitoralmente eficiente.

## O que a sessão do STF expôs

A sessão forneceu à oposição imagens e declarações devastadoras. Gilmar Mendes chamou André Mendonça de "policialesco" e o acusou de "desfaçatez". Mendonça reagiu aos gritos: "A desfaçatez de Vossa Excelência, me respeite!". Diante do confronto, Flávio Dino interrompeu o julgamento: "Se Vossa Excelência vai ficar assistindo a isso, eu não vou. Faço um pedido de vista. O clima é daí para pior e o país assistindo".

O país assistiu ministros votarem em processos nos quais seus próprios interesses estavam em jogo. Moraes pediu a reunião do pedido de investigação contra ele com a representação que apresentou contra Mendonça. Este votou pela separação dos casos. Cármen Lúcia pediu desculpas aos brasileiros e declarou-se envergonhada porque o país, a poucos dias das eleições, está voltado para as disputas internas do Supremo.

A presença destacada de Dino, ex-ministro da Justiça e indicado por Lula, e de Cristiano Zanin, antigo advogado do presidente, no grupo favorável à estratégia que beneficiou Moraes alimenta a narrativa bolsonarista. A hesitação do Supremo torna insuficiente o esforço de Lula para se descolar de Moraes. O presidente reconheceu que "a imagem não está boa", chamou o banqueiro Daniel Vorcaro de "mafioso" e afirmou que todo aquele que cometer delito deve pagar, "isso vale para mim, para Alexandre de Moraes, para Fachin".

## Segurança pública entra na campanha

Flávio também tenta fazer da segurança pública outro eixo de sua campanha. Promete "libertar o Ceará" das facções criminosas e acusa os governos petistas de entregarem o estado ao crime organizado. A ofensiva coincide com o relatório de Donald Trump, segundo o qual o governo brasileiro "falhou" no combate ao Primeiro Comando da Capital e ao Comando Vermelho, classificadas por Washington como organizações terroristas.

A declaração não pode ser examinada isoladamente. Trump elogiou governos ideologicamente alinhados aos Estados Unidos e atacou adversários ou países com os quais mantém disputas. A seletividade política do documento é evidente. Ainda assim, ao exigir que o Brasil adote "medidas agressivas" contra PCC e CV, o presidente norte-americano introduz na campanha brasileira uma questão de soberania.

A atuação de Eduardo Bolsonaro amplia o risco. Autoexilado nos Estados Unidos, ele se reuniu com representantes do Departamento de Estado para apresentar um briefing sobre a crise do Supremo e anunciou que trabalha por uma nova rodada de sanções contra ministros brasileiros. A estratégia contém uma contradição: Flávio é investigado por suspeitas relacionadas ao financiamento do filme "Dark Horse" sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, com recursos que teriam sido solicitados a Vorcaro. Inicialmente negou conhecer o banqueiro; depois admitiu o contato e o pedido de financiamento, embora negue irregularidades.

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