MP denuncia sargento por feminicídio de capitã da PM
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira por feminicídio da capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo. O crime ocorreu em 20 de julho, no apartamento onde o casal morava, no bairro Palmares, na região Nordeste de Belo Horizonte. Eduardo está preso desde o dia seguinte e permanece recolhido em um estabelecimento prisional militar.
Segundo a acusação, o assassinato foi motivado por "ciúmes desproporcionais e fúteis" e envolveu sucessivos golpes contra a vítima, além de esganamento. A promotoria afirma que, depois do crime, o militar tentou modificar a cena e criar a versão de que Michele precisava de atendimento médico. O promotor Igor Bandeira e Silva assina a denúncia apresentada à Justiça.
O MPMG sustenta que o comportamento do sargento se agravou durante uma confraternização na noite anterior, quando ele teria demonstrado irritação ao ver Michele conversando com convidados. Na manhã seguinte, ainda segundo a denúncia, Eduardo atacou a companheira com um pedaço de madeira no quarto. A vítima teria recebido golpes e sido esganada até a morte.
Para o Ministério Público, a forma como o crime foi praticado caracteriza meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. "A conduta foi perpetrada com emprego de meio cruel, uma vez que o denunciado, companheiro da vítima, agiu de forma impiedosa e extremamente violenta, submetendo a ofendida a intenso sofrimento físico", destaca o texto.
O MPMG pediu a manutenção da prisão preventiva e a condenação do sargento ao pagamento de indenização mínima de R$ 50 mil aos herdeiros de Michele, como reparação pelos danos. A denúncia também pede que o processo tramite em segredo de Justiça, para preservar a intimidade da vítima e do casal e proteger testemunhas e familiares, especialmente o filho de Michele, de nove anos.
A promotoria solicitou ainda o compartilhamento de provas eletrônicas com a Divisão Especializada em Atendimento à Mulher, para investigar possíveis crimes ligados a um grupo de WhatsApp chamado "Truco da morte", que reunia 2.176 participantes.
Depois da morte, Eduardo teria lavado lençóis sujos de sangue, escondido pedaços de madeira e apagado mensagens do celular de Michele. Ele a levou ao Hospital Odilon Behrens, na região Noroeste de BH. A equipe médica, porém, identificou que a capitã já estava morta havia horas, com traumatismo craniano e outras lesões. A suspeita levou ao acionamento da PM, e Eduardo foi preso em flagrante no hospital.
Durante a permanência na unidade, o sargento tentou se desfazer de 18 comprimidos de ecstasy, jogando-os em uma lixeira do banheiro. Policiais presenciaram a ação e apreenderam o material. A denúncia aponta que o relacionamento, de cerca de seis anos, era marcado por abusos psicológicos e isolamento. Mensagens e prontuários indicam agressões físicas nos dias 2, 13 e 16 de julho, com atendimento no Hospital Belo Horizonte.
Em depoimento, Eduardo apresentou outra versão: afirmou que consumiram álcool e ecstasy, que praticaram "spanking" e que Michele caiu da escada. A estimativa médica, contudo, indica morte entre 15h e 17h30, período em que o sargento diz que dormiam. Câmeras do condomínio registraram Eduardo levando Michele desacordada ao carro. Peritos encontraram cabo de madeira quebrado no lixo e roupas de cama molhadas na máquina de lavar.
A denúncia agora será analisada pela Justiça. O caso segue em segredo de Justiça, e o sargento permanece preso. A expectativa é que a Justiça avalie as provas e decida sobre a manutenção da prisão preventiva e o andamento do processo.