# Minas Gerais teve aumento de 30% de desaparecidos em 2025; veja dados

> Minas Gerais registrou 9.123 casos de pessoas desaparecidas em 2025, um aumento de 30,5% em relação aos 6.970 casos de 2024. Os dados constam no Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Especialistas associam o crescimento a fatores como abandono voluntário e possíveis mortes violentas não esclarecidas.

*Portal Notícias MG · Cidade · 23 de julho de 2026 · Sérgio Tadeu Mafra*

Minas Gerais teve aumento de 30,5% nos registros de pessoas desaparecidas em 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Foram 9.123 casos contra 6.970 em 2024. Especialistas apontam desde abandono voluntário até possível relação com mortes violentas não esclarecidas

Minas Gerais teve aumento de 30% de desaparecidos em 2025, com 9.123 registros contra 6.970 no ano anterior, o que representa crescimento de 30,5%. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23/7) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O estado está entre os três com maior crescimento no número de registros de pessoas desaparecidas entre 2024 e 2025, ao lado de Maranhão e Piauí.

Em Minas foram 9.123 registros em 2025 contra 6.970 no ano anterior, um crescimento de 30,5%. Desses desaparecidos, 6.643 foram localizados em 2025 e 5.373 em 2024. O aumento expressivo levanta questões sobre as causas, mas o próprio anuário ressalta a falta de uma causa única.

## Por que Minas Gerais teve aumento de 30% de desaparecidos em 2025?

Segundo o levantamento, ainda que não se possa atestar uma relação, Maranhão e Piauí, que vivenciam intensa disputa territorial pelo controle do tráfico de drogas, apresentaram crescimento de 29,8% e 20,5%, respectivamente. Já em Minas, não haveria um histórico de disputas do crime organizado.

"Desta forma, embora o avanço quantitativo seja evidente, a falta de uma causa única para esse aumento abrupto exige um esforço investigativo multissetorial. Esse diagnóstico demanda uma articulação integrada entre as forças de segurança para estruturar uma rede capaz de mapear as vulnerabilidades regionais que alimentam tais números e propiciam grandes oscilações em seus registros em um curto espaço de tempo. Sem tais averiguações, não se pode afirmar que esses casos possuem relação com outros tipos criminais", destaca um trecho do documento.

## O que dizem os especialistas sobre os desaparecimentos em MG

Para o especialista em segurança pública, Luís Flávio Sapori, a maior parte desses desaparecidos simplesmente abandona suas vidas familiares e de trabalho, de maneira voluntária. "É muito mais comum do que a gente imagina. A maior parte do fenômeno não está ligada à questão de violência ou criminalidade. São pessoas com problemas psiquiátricos, de dependência química", pontua.

Sapori lembra ainda que Minas Gerais, nos últimos três anos, teve um aumento de mortes violentas não esclarecidas. "São cadáveres com ferimento de arma de fogo ou facada e não se esclarece a causa da morte, se foi homicídio, suicídio ou morte acidental." Ele diz que o mais preocupante seria o número de desaparecidos que pode, em algum percentual, estar relacionado ao de mortes violentas não esclarecidas.

"É motivo de investigação por parte da Secretaria de Segurança para entender se os dois fenômenos têm algum grau de interseção. Mas é algo que deve merecer atenção. Uma hipótese é que esse crescimento de desaparecidos pode estar relacionado com mortes violentas, envolvidas com o tráfico e não se quer dar noção de homicídio para não dar motivo para repressão policial", conclui.

Jorge Tassi, também especialista em segurança, concorda que uma parte desses desaparecimentos pode estar envolvida com violência e guerra entre facções. "Temos um outro fator importante que é a saúde mental. O problema da doença mental é crescente, principalmente, em relação ao uso de drogas. Nesse caso, as pessoas se afastam do âmbito familiar, gerando o total desencontro."

Tassi cita ainda o tráfico de pessoas e a prostituição como fatores que também podem estar relacionados ao desaparecimento. "Mas não é possível saber o percentual desses fatores no total de registros de desaparecidos. Mapear é importante. É preciso entender o que deixa uma pessoa desaparecida e onde ela poderia estar. A dificuldade é fazer essa pesquisa dentro de uma polícia que tem que investigar vários crimes. O máximo que eles conseguem é investigar quando há uma reclamação de familiares do desaparecimento", frisa.

"Outra questão é saber se o Estado, efetivamente, quer apurar se esse desaparecimento é decorrente de homicídio ou tráfico humano e ficar com parte da responsabilidade dessa estatística", completa.

## Consequências do desaparecimento para as famílias

O anuário destaca as consequências que o desaparecimento de uma pessoa produz na vida de seus familiares. Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), a principal característica dessa experiência é a incerteza permanente sobre o paradeiro e as condições da pessoa desaparecida, que impedem a confirmação da vida ou da morte e prolongam indefinidamente a expectativa por respostas.

Essa condição repercute na saúde mental e emocional dos familiares, que convivem simultaneamente com esperança, angústia, culpa e medo, dificultando a elaboração do luto e a reorganização da vida cotidiana. Além do sofrimento individual, o desaparecimento altera as dinâmicas familiares, modifica papéis e responsabilidades, fragilizando redes de apoio e tornando a busca pela pessoa desaparecida parte central da rotina dessas famílias.

Familiares relatam dificuldades para acessar documentos oficiais, compreender os procedimentos adotados pelos órgãos públicos e obter respostas consistentes sobre o andamento das buscas. A atuação de diferentes órgãos, muitas vezes sem interação adequada, dificulta o acesso à informação, gerando dúvidas a respeito das diligências adotadas.

Um fator que contribui para a subnotificação dos casos solucionados se refere à ausência de comunicação por parte de familiares quando a pessoa desaparecida é localizada por outros meios que não a polícia. Nesses casos, o registro inicial permanece ativo nas bases de dados, compondo índices que podem não refletir a realidade. Os desafios se agravam se considerada a falta de padronização de sistemas entre as áreas de segurança pública, saúde e assistência social dos estados para o atendimento e a troca de informações sobre pessoas desaparecidas e localizadas.

## Panorama nacional dos desaparecimentos em 2025

No Brasil, em 2025, foram registrados 84.269 desaparecimentos junto às polícias, um aumento de 3,6% em relação aos 81.040 casos contabilizados em 2024, o que corresponde a uma taxa de 39,5 desaparecimentos por 100 mil habitantes.

## Perguntas Frequentes

### Qual foi o aumento percentual de desaparecidos em Minas Gerais em 2025?

Minas Gerais registrou crescimento de 30,5% nos desaparecimentos em 2025, passando de 6.970 casos em 2024 para 9.123.

### Quantos desaparecidos foram localizados em Minas Gerais em 2025?

Foram localizadas 6.643 pessoas em 2025, contra 5.373 em 2024, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

### Quais as principais causas de desaparecimento em Minas, segundo especialistas?

Especialistas apontam abandono voluntário, problemas psiquiátricos, dependência química e possível relação com mortes violentas não esclarecidas.

### O aumento de desaparecidos em MG está ligado ao crime organizado?

Diferente de Maranhão e Piauí, Minas não tem histórico de disputas do crime organizado, mas especialistas não descartam relação com mortes violentas.

### O que diz o Anuário Brasileiro de Segurança Pública sobre o tema?

O documento destaca que a falta de causa única exige investigação multissetorial e articulação entre forças de segurança para mapear vulnerabilidades regionais.

desaparecimento de pessoas em mg segurança pública em minas gerais mortes violentas não esclarecidas em mg

---

Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/cidade/minas-gerais-teve-aumento-30-desaparecidos-2025/
