# Eduardo Cunha em Minas: por que o estado não pode ser atalho

> Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara cassado em 2016, busca retorno ao parlamento em 2026 por Minas Gerais, estado que não oferece atalho jurídico para sua candidatura. O Ministério Público Eleitoral (MPE) já sinalizou impugnação do registro, baseada em condenações anuladas pelo STF, mas que não eliminam inelegibilidades anteriores. A disputa depende de decisões judiciais definitivas sobre o histórico político do ex-deputado.

*Portal Notícias MG · Cidade · 25 de agosto de 2026 · Marília Stefani*

Cassado em 2016 e com condenações anuladas pelo STF, Eduardo Cunha tenta voltar à Câmara por Minas Gerais em 2026. Candidatura enfrenta impugnação do MPE.

Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara cassado em 2016, tenta agora transformar Minas Gerais em trampolim para retornar ao Legislativo. Depois de construir carreira no Rio de Janeiro e fracassar nas urnas em São Paulo, o ex-parlamentar filiado ao Republicanos está entre os mais de cem candidatos que trocaram de estado nas eleições de 2026.

A trajetória política de Cunha é marcada por cassação e condenações. Ele presidiu a Câmara, autorizou a abertura do impeachment de Dilma Rousseff e foi cassado em 2016 por 450 votos a 10, após ser acusado de mentir à CPI da Petrobras sobre contas no exterior. Posteriormente, foi preso e condenado por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As condenações penais foram anuladas pelo STF por questões de competência, decisão que não apaga os fatos políticos e de desvios éticos e morais registrados em sua trajetória.

Agora, Cunha busca votos mineiros apoiado também em uma rede de rádios gospel. A tentativa de associar a candidatura à fé cristã é ofensiva e demonstra, mais uma vez, o uso da religião e do povo mais pobre como massa para moldar política. A religião não pode servir de escudo para reabilitar projetos de poder nem transformar fiéis em massa eleitoral.

Minas Gerais não é esconderijo político, plano alternativo ou território disponível para candidatos sem raízes no estado. É legítimo disputar eleições onde a legislação permite, mas o eleitor tem o direito, e o dever, de examinar quem chega, por que chega e qual passado pretende esconder atrás de discursos religiosos.

A candidatura ainda enfrenta pedido de impugnação apresentado pelo Ministério Público Eleitoral, que aponta possível inelegibilidade decorrente de condenação por improbidade administrativa. O pedido foi apresentado em agosto. O retorno de Cunha representa um teste para a memória do eleitor mineiro, que precisa avaliar o histórico do candidato antes de decidir o voto.

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