Militares dos EUA pedem ideias criativas para punir o Irã
O Comando Central dos EUA pediu a analistas militares ideias criativas para punir o Irã, sinalizando opções limitadas e um impasse estratégico. Entenda o contexto.
Militares dos EUA pedem às tropas ideias "criativas" para punir o Irã
A solicitação de um oficial de alta patente do comando militar dos Estados Unidos, responsável por conduzir a guerra do presidente Donald Trump contra o Irã, chegou por e-mail: precisamos de ideias. A mensagem, enviada na quarta-feira (29) a um grupo amplo de analistas militares, pedia "novas formas criativas e não convencionais de pressionar e punir o Irã", segundo uma fonte a par do conteúdo. Uma segunda fonte confirmou que o pedido partiu de um oficial militar de alta patente na semana passada.
A consulta no estilo "crowdsourcing", prática que busca contribuições de uma grande comunidade, foi descrita por autoridades militares como incomum para ser feita por e-mail. O movimento sinaliza as opções limitadas e potencialmente desagradáveis à disposição de Trump para forçar o Irã a aceitar um acordo nos termos dele.
Por que o CENTCOM recorre a ideias criativas?
O Comando Central dos EUA iniciou uma sessão por e-mail para verificar se alguém tinha uma ideia melhor. Uma segunda fonte afirmou que o CENTCOM está analisando todas as possibilidades, reconhecendo a necessidade de reavaliar a estratégia.
"O Comando Central dos EUA tem um longo histórico de pensar e trabalhar de maneiras inovadoras", disse o Capitão Timothy Hawkins, porta-voz do CENTCOM, em comunicado. "O Almirante Cooper, em particular, busca a colaboração dos integrantes de nossa excelente equipe, independentemente da patente, para alcançar os mais altos níveis possíveis de desempenho operacional", completou.
O contexto da escalada militar
O e-mail antecedeu a ameaça de Trump de lançar novos ataques contra o Irã, cancelados no fim de semana depois que autoridades da região, notadamente o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, intervieram pedindo redução da tensão. Há semanas, os EUA vêm atingindo o Irã com ataques aéreos para reduzir sua capacidade de ameaçar a navegação no Estreito de Ormuz, mas ainda não há sinal de acordo.
Trump tem avaliado intensificar a campanha, possivelmente retomando ataques contra instalações nucleares remanescentes, que ele disse terem sido "aniquiladas" no verão passado. Duas fontes afirmam que os militares se preparam para atacar Pickaxe Mountain e outros locais que podem abrigar material nuclear. No entanto, mesmo com as armas convencionais mais poderosas, é pouco provável que mísseis e bombas sejam eficazes, já que as instalações estão profundamente enterradas. Para destruí-las, seria preciso tropas terrestres, um risco que Trump reluta em assumir, em meio a questionamentos sobre a transparência quanto às baixas. Até agora, dezoito militares americanos morreram nos combates.
As limitações do poder aéreo
Tanto a CIA quanto a DIA avaliaram que é pouco provável que o bombardeio atual altere a posição do Irã nas negociações. O chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, reconheceu publicamente que "o poder aéreo tem seus limites", ao falar a legisladores no mês passado.
Um plano do CENTCOM envolveria bombardeio pesado por uma ou duas semanas para neutralizar mísseis iranianos, mas Trump tem se abstido, após ouvir preocupações de Caine sobre a escassez de interceptadores. Outras autoridades temem um elevado número de vítimas civis em ataques a infraestruturas como pontes e usinas de dessalinização.
Os dilemas de Trump
Trump poderia enviar tropas para ocupar a Ilha de Kharg ou remover urânio altamente enriquecido, mas isso violaria sua promessa de campanha de 2024: "Não vou enviá-los para lutar e morrer em guerras estrangeiras estúpidas que nunca terminam". Alternativamente, aceitaria ciclos intermináveis de ataques, com mais vidas americanas perdidas e o Estreito de Ormuz em perigo constante.
"Acho que só queremos vencer", disse Trump em reunião de gabinete na sexta-feira (31). "Vamos atacá-los com muita força e, em algum momento, eles vão dizer: Simplesmente não aguentamos mais."
Uma fonte resumiu o impasse: "No fim das contas, o presidente vai querer um acordo; por isso, buscará maneiras de endurecer a posição. Às vezes, você precisa de mentes criativas, especialmente se estiverem acabando as opções convencionais."
Perguntas Frequentes
Por que os militares dos EUA pediram ideias criativas?
Porque as opções convencionais, como bombardeios, não têm sido eficazes para mudar a posição do Irã, e há riscos elevados de escalada com tropas terrestres.
O que é o CENTCOM?
É o Comando Central dos EUA, responsável pelas operações militares no Oriente Médio, incluindo a campanha contra o Irã.
O que Trump pode fazer para punir o Irã?
As opções incluem intensificar bombardeios, atacar instalações nucleares, enviar tropas terrestres ou aceitar ciclos de ataques, cada uma com custos e riscos próprios.
Qual o papel do Estreito de Ormuz no conflito?
O Irã ameaça a navegação no estreito, uma rota vital para o petróleo mundial, e os EUA buscam reduzir essa capacidade, mas sem sucesso até agora.
Quantos militares americanos morreram nos combates?
Dezoito militares americanos morreram até o momento, segundo a fonte original.
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