São Bernardo: moradores seguem em casas condenadas após demolições
Desde 21 de agosto, a Prefeitura de Juiz de Fora anunciou o início da demolição de imóveis na Rua Maranhão, no Bairro São Bernardo, Zona Leste. As casas foram atingidas pelas fortes chuvas de fevereiro e, após vistorias da Defesa Civil, foram classificadas como destruídas ou interditadas definitivamente. Mas, na prática, a demolição anda devagar: até a manhã de quarta-feira (26), apenas a garagem de uma das casas havia sido parcialmente demolida, com paredes retiradas, mas teto e colunas ainda de pé.
Enquanto isso, moradores seguem vivendo em imóveis condenados. Uma idosa de 70 anos, que não precisará sair de casa, contou à Tribuna que várias netas continuam morando em imóveis que serão demolidos. Apenas uma recebeu o benefício da Compra Assistida, modalidade do programa "Minha Casa, Minha Vida" que concede até R$ 200 mil para a compra de um novo imóvel. As outras já saíram, mas sem receber o auxílio. "Eles não dão nem resposta, não. Não falam nada. E a gente está aí, nessa humilhação", desabafou.
Duas filhas da idosa também não foram contempladas e seguem numa casa da lista de demolições, a nº 368. "Aqui nós estamos provisório mesmo, até eles virem para derrubar. A gente só dorme aqui mesmo, joga o colchão ali no chão", disse uma delas, de 50 anos. Elas moravam na casa nº 399, onde a garagem foi demolida. "Tem dois meses que eu estou esperando para assinar e pegar a chave" do novo imóvel, completou.
A falta de orientação é o que mais incomoda. "Eles não dão uma resposta, não dão uma ajuda, não dão nada", afirmou a filha. Na casa nº 365, uma moradora já foi contemplada pela Compra Assistida, mas o irmão, dono da casa geminada, ainda não. Ela conta que os moradores esperavam que todas as casas fossem demolidas na sexta-feira, mas os trabalhadores não retornaram até quarta.
A Prefeitura informou que 22 casas, em oito lotes, serão demolidas, e que todas as famílias estão sendo assistidas. Sobre os relatos de moradores sem contemplação, o Executivo limitou-se a dizer que "os relatos mencionados não procedem". A reportagem segue aguardando respostas sobre prazos e cronograma. Quem vive na região pode acompanhar os canais oficiais da Prefeitura de Juiz de Fora para novas atualizações.